Mara Fornari
A cerimônia de premiação das Empresas do Ano do Setor Mineral, da Personalidade do Ano e dos Pioneiros da Mineração de 2025 reuniu, mais uma vez, os principais nomes da mineração brasileira em um encontro marcado pelo reconhecimento, pela memória e pelo olhar para o futuro do setor. Coube a Francisco Alves, Editor e Diretor Editorial da revista Brasil Mineral, abrir oficialmente o evento e dar as boas-vindas aos convidados.
Em seu discurso, Francisco destacou a importância das parcerias que tornam a premiação possível. Agradeceu aos patrocinadores desta edição — Core Case, Geosol e Metso — e às instituições que, há algumas anos, acolhem a cerimônia: o Sindiextra e a FIEMG, anfitriões do evento em Belo Horizonte. O reconhecimento também se estendeu ao Conselho Consultivo da Brasil Mineral, peça-chave no processo de indicação das empresas e personalidades homenageadas.

momento de reconhecimento às empresas e aos profissionais que ajudam a mineração a acontecer", afirmou.

Na sequência, o diretor editorial convidou Rolf Fuchs, na qualidade de conselheiro da Brasil Mineral, para falar sobre o papel e a atuação do Conselho Consultivo da revista. Com bom humor e emoção, Rolf destacou o caráter voluntário e estratégico do Conselho, que acompanha a publicação desde sua fundação. "Há mais de 40 anos, desde o início da revista, o Conselho existe como um diferencial da Brasil Mineral", afirmou. Atualmente composto por 58 integrantes, dos quais 15 são mulheres, vindos da academia, de empresas, de consultorias, de instituições representativas e do poder público, o grupo atua como um espaço plural de reflexão sobre os rumos da mineração.
Segundo Rolf, o Conselho contribui com debates, sugestões de pauta, organização de eventos e apoio estratégico em momentos decisivos — como durante a pandemia, quando a revista precisou se reinventar. "A Brasil Mineral deixou de ser 100% física para se tornar 100% virtual, sem perder sua relevância. Continua sendo a principal publicação do setor mineral no Brasil e uma das principais do mundo", ressaltou.

Ele lembrou ainda que o Conselho é o ponto de partida da premiação, indicando as empresas e personalidades que seguem para votação pública, além de discutir e atualizar as categorias ao longo do tempo, acompanhando a evolução do setor — como no caso do ESG, incorporado mais recentemente. Ao final, parabenizou todas as empresas premiadas. "Vocês fizeram por
"É um trabalho que começa no Conselho, com a indicação das empresas do ano, dos candidatos à personalidade do ano e dos pioneiros da mineração, e que se completa com o voto direto do público", explicou. No caso dos pioneiros, ressaltou, a escolha leva em conta trajetórias profissionais e empresariais que marcaram de forma definitiva o setor mineral brasileiro.

Francisco lembrou ainda que a premiação chega à sua 41ª edição, consolidando-se como um dos eventos mais tradicionais e respeitados da mineração nacional. "É um

Vessani relembrou a atuação de Elmer na Empresa Brasileira de Engenharia, onde trabalhou com prospecção de ouro na Amazônia, e sua passagem pela Geosol, desenvolvendo projetos de fosfato e nióbio em Minas Gerais e cassiterita em Rondônia. Destacou ainda sua atuação acadêmica como professor do curso de Geologia da Universidade de Brasília, onde lecionou por uma década, contribuindo diretamente para a formação de novos geólogos.
Fundador da GEOS Projetos de Mineração, Elmer exerceu por mais de 50 anos o cargo de diretor executivo da empresa. Também foi superintendente de mineração da Taboca, liderando equipes de geólogos em sete minas de cassiterita e ouro na região amazônica. Ao longo de sua carreira, acumulou experiências em diferentes frentes da mineração, tanto no Brasil quanto no exterior.

Vessani ressaltou ainda o papel de Elmer como cofundador, diretor e country manager da Verena Minerals, uma das pioneiras entre as junior companies brasileiras; presidente do Conselho de Administração da Mineração Terras Raras (MTR), onde lidera um projeto inovador em Poços de Caldas (MG); diretor da Cerrado Gold, empresa listada na TSX com operações de ouro no Brasil, no Tocantins e na Argentina; além de sua atuação em projetos de ferro em Quebec, no Canadá, e de metais básicos em Portugal.
O currículo do homenageado inclui ainda a co-fundação da Diamandel, empresa dedicada à pesquisa e lavra de diamantes em Coromandel, e a fundação da C6 Corporation, voltada à geração e comercialização de créditos de carbono, com sede no Canadá e filiais em São Paulo e no Paraguai.

Na esfera pública, Vessani destacou a contribuição decisiva de Elmer para a estruturação institucional do setor mineral brasileiro. Ele foi fundador e diretor da Conage, atual Febrageo, presidente da SBG, e diretor-geral do DNPM, atual Agência Nacional de Mineração, onde se destacou na concepção e implantação do Programa para Mineração, responsável pela modernização do Código de Mineração.
Elmer também teve papel central na transformação da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) em empresa pública, consolidando-a como o Serviço Geológico do Brasil, além de instituir o DNPM como autarquia. Foi fundador e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), período em que foi assinado o memorando de entendimento com a Crirsco, que resultou na criação da CBRR, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais de reporte de recursos e reservas minerais.

Entre os inúmeros reconhecimentos recebidos ao longo da carreira, Vessani destacou a Medalha do Barão de Eschwege, concedida pelo Estado de Minas Gerais, quase 20. É realmente impressionante como a gente perde tempo dormindo", brincou.

Referindo-se à Personalidade do Ano do Setor Mineral, Luís Maurício Azevedo, Elmer fez uma observação descontraída: "Esse não é o caso dele. O Luís Maurício não dorme. Trabalha dia e noite. De dia cuida da ABPM e das coisas públicas e, de noite, faz as empresas funcionarem. Ele é um exemplo de que não devemos perder tempo dormindo".
Prosseguindo, Elmer dedicou a honraria aos diretores da Brasil Mineral, Francisco Alves e Sergio de Oliveira, e a diversos conselheiros que marcaram sua trajetória pessoal e profissional. Relembrou sua passagem pela academia, pela exploração mineral, pelas empresas e pelos anos vividos na Amazônia, destacando referências importantes de sua vida, entre elas o próprio Luiz Antônio Vessani, seu ex-aluno na Universidade de Brasília.

Em um dos momentos mais simbólicos de sua fala, Elmer anunciou o encerramento da GEOS, após 51 anos de atuação no setor mineral. Aproveitou para homenagear parceiros de jornada, como Tadeu Veiga, que ingressou como estagiário e tornou-se diretor e sócio; Kenro Matsui, responsável pela implantação da filial da GEOS em São Paulo; João Luiz de Carvalho, presidente da Geosol; e Carlos Oiti Berbert, ex-presidente da CPRM e companheiro de atuação no período em que trabalhou no governo.
Ao recordar sua passagem pelo DNPM, destacou o período como extremamente rico, lembrando a criação do Serviço Geológico do Brasil e a reorganização institucional da CPRM. Em nome de todos além de certificados ao mérito do Confea, a atuação como paraninfo de turma, participação em conselhos fundadores e o envolvimento direto na criação da ADIMB.

Ao encerrar a homenagem, Vessani traçou um retrato pessoal e profissional do homenageado: "Elmer deixou a universidade, mas nunca deixou de ensinar e formar talentos. Líder sereno e criativo, determinado, tem sido decisivo na proposição de novos rumos para carreiras, empresas e instituições. Bandolinista apaixonado e talentoso, é casado com a Dra. Regina Barbo, com quem teve o filho Raoni. Continue iluminando e apoiando amigos, abrindo horizontes e revelando o bom uso do potencial mineral brasileiro", concluiu Vessani.

Ao receber a placa de Pioneiro da Mineração, Elmer Prata Salomão agradeceu à Brasil Mineral — "revista que tenho a honra de ser conselheiro" — e aos colegas do Conselho, destacando o caráter plural e qualificado do grupo na condução editorial da publicação.
Dirigindo-se ao público, Elmer compartilhou, com bom humor, a marca de 60 anos de formado, completados em 2025. "É um bocado de tempo, mas não é tanto assim, porque descobri que, desses 60 anos, dormi

os citados, estendeu o agradecimento aos demais membros do Conselho Consultivo de Brasil Mineral.
Encerrando sua fala, Elmer afirmou que carregará a honraria com carinho ao longo de sua vida e expressou o desejo de que Brasil Mineral siga sua trajetória de inclusão e acompanhamento crítico do setor mineral brasileiro.

drasticamente as rotas de abastecimento de manganês da Ásia para a Europa, provocando uma forte elevação dos preços. Foi exatamente nesse momento que ocorreram os primeiros embarques da ICOMI, o que reduziu significativamente o prazo de retorno do investimento e transformou o projeto em um caso de sucesso.
A ICOMI permaneceu em operação por décadas, acompanhando inclusive a transformação do Amapá em estado da federação, até encerrar suas atividades nos anos 1990. Antes disso, Dr. Antunes havia criado a Caemi – Companhia Auxiliar de Empresas de Mineração, grupo que viria a se tornar um dos mais relevantes da mineração brasileira.

Entre as empresas do Grupo Caemi, Bill destacou a MBR – Minerações Brasileiras Reunidas, que iniciou suas operações no início dos anos 1970 no Quadrilátero Ferrífero, com minas como Águas Claras, Mutuca, Pico, entre outras. Mais uma vez, o projeto contou com apoio de capital externo e com investimentos estruturantes, como a Ferrovia do Aço e o Terminal Marítimo da Ilha de Guaíba, então conhecido como Terminal de Sepetiba, que permanece operacional até hoje.
Bill lembrou ainda outro empreendimento que marcou o setor mineral e industrial brasileiro: o Projeto Jari, idealizado inicialmente pelo empresário americano Daniel Ludwig. Após acumular prejuízos significativos, o governo brasileiro buscou um empreendedor nacional disposto a assumir o desafio. Esse empreendedor foi, novamente, Dr. Antunes, que aceitou conduzir um projeto complexo, fora do eixo tradicional da mineração, ampliando ainda mais o espectro de atuação de sua carreira.

Segundo Bill, essa diversidade de empreendimentos revela um empresário muito à frente de seu tempo, que incorporava princípios hoje associados ao conceito de ESG muito antes de o termo se popularizar. A valorização do meio ambiente, ressaltou, foi evidente tanto no Amapá quanto em Minas Gerais, onde a preservação da Mata do Jambeiro, na região sul de Belo Horizonte, tornou-se um exemplo concreto de mineração aliada à conservação ambiental.

Esses valores, segundo Bill, não estavam escritos em paredes ou manuais. Eram valores vividos, percebidos e compartilhados. "Eles eram sentidos", afirmou. E foi justamente essa cultura que permeou todas as equipes lideradas por Dr. Antunes, criando um ambiente em que as pessoas desejavam o sucesso das empresas porque acreditavam nos princípios que as orientavam.
Com emoção, Bill encerrou sua fala destacando a importância do legado deixado por Dr. Antunes — "um pioneiro cuja trajetória moldou a mineração brasileira e cujos valores seguem presentes nas empresas e profissionais que ajudou a formar".

Na sequência, Flávio Penido apresentou aos presentes o bisneto do homenageado, Lorenzo Frering, convidado a receber a placa em memória de seu bisavô. Ao apresentá-lo, Penido destacou que "Lorenzo carrega em seu DNA a vocação da mineração, herdada do Dr. Antunes".
Bacharel e mestre em engenharia mecânica pela University College London, Lorenzo iniciou sua carreira no BTG Pactual, fundou a Colinas Participações com foco no setor mineral, atuou no segmento de Private Equity e cursou MBA no MIT. De volta ao Brasil, integrou-se aos negócios da família, liderando o reposicionamento de uma empresa do setor florestal para atender à crescente demanda por biomassa no Centro-Oeste e, atualmente, dedica-se ao desenvolvimento de ativos minerais no País. "O Dr. Antunes está muito bem representado aqui", afirmou Penido.

Ao receber a placa, Lorenzo agradeceu à Brasil Mineral e aos presentes pela homenagem ao bisavô. Em tom pessoal e emotivo, compartilhou uma lembrança de infância, quando, aos oito anos, teve um breve, porém marcante, momento de cumplicidade com o "Voi", como o chamavam na família. Explicou que conheceu o empresário Augusto Antunes ao longo da vida, por meio das histórias contadas por seu pai e por colegas de trabalho, compreendendo, aos poucos, que o verdadeiro segredo de seu sucesso estava em valores inegociáveis.
Segundo Lorenzo, ética pessoal, dedicação ao trabalho, excelência técnica, atenção ao meio ambiente e a convicção de que as pessoas vêm antes dos ativos, guiavam todas as decisões de seu bisavô. Esses princípios orientaram desde a escolha de parceiros até os locais onde decidiu investir.

Lorenzo ilustrou essa filosofia com exemplos históricos, desde as primeiras operações de minério de ferro e manganês em Minas Gerais até o desenvolvimento da mina da Serra do Navio, no Amapá. Destacou também o compromisso social do Dr. Antunes, que foi além das exigências contratuais ao criar uma cidade-modelo, com padrões elevados de saneamento, saúde e educação.
Ao encerrar sua fala, afirmou que esses valores permanecem vivos nas pessoas que hoje atuam nas empresas originadas desse legado. "Os ativos eram importantes, mas tudo começava pelas pessoas", concluiu.

Personalidade do Ano do Setor Mineral
Dando continuidade à premiação, Francisco Alves explicou que a escolha da Personalidade do Ano do Setor Mineral ocorre em duas etapas: indicação pelo Conselho e votação direta do público. Em 2025, o nome escolhido foi o do empresário Luís Maurício Azevedo.

Para apresentar sua trajetória, Francisco convidou o conselheiro Paulo Misk, que destacou a formação acadêmica e a sólida carreira internacional do homenageado, com mais de 30 anos de atuação no setor de recursos naturais, especialização no Código de Mineração e experiência em empresas como Western Mining Corp., Barrick Gold Corp. e Haskell Corp.

Misk ressaltou ainda o papel de Luís Maurício na identificação e desenvolvimento de projetos que se tornaram operações de mineração. Fundador, atuou como diretor executivo e não-executivo em várias empresas privadas e públicas de exploração, desenvolvimento e mineração de diversas commodities no Brasil, incluindo a Avanco Resources, vendida para OZ Minerals em 2018, a Rio Verde Minerals, a Talon Metals, e atualmente é diretor da Serabi Gold, da Harvest Minerals, da Jangada Mines, e da Vox Royalty Corp. Luís Maurício co-fundou a Avanco Resources em 2007, sendo responsável pelo pacote de propriedades da empresa na província mineral de Carajás, no Brasil. A Avanco explorou, descobriu e operou a única nova mina de cobre em Carajás que não pertence à Vale. Ela foi adquirida pela OZ Minerals por um prêmio de 120% em 2018. Ele é um porta-voz ativo e defensor do setor de mineração brasileiro. Fundou e é presidente da ABPM, Associação Brasileira de Pesquisa Mineral. Em 2019, foi nomeado também vice-presidente do recém-criado Comin, que é um órgão da CNI geado, em um depoimento marcado por gratidão, memória e compromisso com o futuro do setor mineral brasileiro.

"Antes de tudo, gostaria de me desculpar por não estar presente pessoalmente nesse momento tão especial para o setor mineral e para mim. Infelizmente, compromissos profissionais previamente assumidos me impediram de estar aí para compartilhar essa alegria. Mas me sinto verdadeiramente honrado e, por meio destas palavras, gostaria de dividir essa felicidade e, principalmente, agradecer. Em primeiro lugar, agradeço à revista Brasil Mineral, ao Francisco Alves, Sergio de Oliveira e toda a equipe. Vocês são os grandes expoentes da mídia mineral e meus amigos. São quase 40 anos acompanhando a luta desses dois jornalistas, editores e parceiros do setor.
A Brasil Mineral é mais do que uma revista. Ela é o veículo do qual o setor iniciou seu processo de divulgação e de esclarecimento da importância da mineração junto à sociedade. Diferente de muitas plataformas, a Brasil Mineral sempre buscou a transparência e o compartilhamento de conhecimento, muito mais do que apenas a circulação, expansão ou crescimento econômico. Então, em nome do setor, meu muito obrigado.

Ao Conselho, não poderia deixar de destacar o seu papel e importância. Vocês são profissionais que admiro e respeito, e que poderiam ter escolhido outros nomes para estar aqui. Por isso, agradeço imensamente por ter sido indicado. Ser selecionado por vocês, protagonistas do setor, mostra que esses 40 anos de trabalho foram, de fato, desempenhados com zelo, dedicação e excelência. Sinto-me profundamente honrado por esse reconhecimento.
Não posso deixar de registrar aqui que, mais do que concorrer, estar ao lado de nomes como Raul Jungmann e Rodrigo Vilela, que tanto contribuem para o nosso setor, já seria motivo de orgulho. Receber a preferência daqueles que vivem, respiram e trabalham na mineração por meio do voto direto do público torna essa conquista ainda mais significativa e renova o meu compromisso de, daqui para frente, seguir trabalhando com ainda mais afinco, cuidado e paixão pelo setor, pelo Brasil, pelo crescimento econômico e pela competitividade do nosso país.

Gostaria de registrar também a alegria de dividir esse momento com o meu colega, mentor e ídolo na geologia Elmer Prata Salomão, profissional que sempre admirei e que me inspirou pelo conhecimento, ética e, principalmente, por conciliar uma carreira de sucesso com a defesa do Brasil. Tive a oportunidade de acompanhar o Elmer como colega geólogo por trás da primeira júnior brasileira, a Verena, depois diretor-geral da ANM e, por fim, fundador da ABPM, a quem tive a honra de suceder. Poucos têm o privilégio de dividir um palco com seus ídolos, e hoje tenho essa oportunidade. Elmer, mais que parabéns, meu muito obrigado.

Queridos amigos, conheci o setor em 1979, ainda adolescente de 17 anos, vindo de Campos dos Goitacazes, filho de pessoas humildes e trabalhadoras que me proporcionaram a chance de passar seis meses nos Estados Unidos. Naquele momento, vislumbrei o que eu queria fazer. Mesmo sem entender muito bem o que era, voltei ao Brasil, cursei Geologia na UERJ, comecei meu estágio seis meses após o início do curso e nunca mais parei. Foi como um casamento, um compromisso de vida, de total sintonia, cumplicidade e dedicação.
Compromisso esse que já dura 40 anos. Como alguns de vocês sabem e acompanham, eu dediquei boa parte da minha vida profissional à mineração e mais recentemente, nos últimos 25 anos, ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro, atuando tanto na advocacia quanto na geologia, acompanhando empresas das mais diversas origens e participando de iniciativas em prol do crescimento e modernização do setor. Ver esse reconhecimento vindo de colegas, técnicos, empresários e da comunidade mineral é, sem dúvida, uma grande motivação para renovar as minhas energias e seguir colaborando com entusiasmo e responsabilidade. Sinto-me profundamente feliz por ter contribuído, seja alavancando empresas nacionais em bolsas internacionais, seja criando ou fortalecendo entidades como a ABPM, Comin, Comitê de Mineração do Reino Unido e agora na FIRJAN, ou ainda atuando em dezenas de conselhos de administração de empresas que apostam no potencial mineral do nosso país.

Agradeço também às empresas por onde passei e especialmente a todos que trabalharam comigo, dia após dia, para fazer da mineração brasileira uma referência em inovação, responsabilidade e desenvolvimento sustentável. Um agradecimento especial a toda a equipe da FFA Legal e da Bravo Mining, que conosco defendem e desenvolvem o setor de maneira incansável, com competência, ética e desempenho impecável. Vocês são a melhor equipe que um líder poderia desejar para dividir, compartilhar e trabalhar. Esse prêmio também é de vocês. Muito obrigado a todos pela confiança, pelo reconhecimento e por acreditarem, como eu, em um setor mineral forte, ético e moderno.
Sigamos juntos em busca de um futuro ainda mais promissor para o nosso setor e para o Brasil. Por fim, quero agradecer e dividir esse prêmio com a minha família, pois dela veio o maior sacrifício. Muito obrigado a todos'. (Luís Maurício Azevedo)

Empresas do Ano do Setor Mineral
Antes de anunciar as vencedoras, Francisco Alves explicou novamente o processo de escolha das Empresas do Ano do Setor Mineral, destacando a participação expressiva do público — "mais de 17 mil votos" — e o papel do Conselho na indicação das companhias em diferentes categorias.

As empresas escolhidas pelo público, por votação direta, a partir de uma lista elaborada pelo Conselho Consultivo de Brasil Mineral, este ano, foram: Anglo American (categoria ESG – Grande Porte); Aura Borborema (ESG – Médio Porte); Vale (nas categorias Crescimento e Inovação/Tecnologia – Grande Porte); Aura Minerals (Crescimento – Médio Porte); Boston Metal do Brasil (Inovação/Tecnologia – Médio Porte); Bemisa (Pesquisa/Prospecção Mineral – Grande Porte) e Bravo Mining (Pesquisa/Prospecção Mineral – Médio Porte).
A Anglo American tem realizado vultuosos investimentos em projetos que beneficiam as comunidades onde estão inseridas suas operações de minério de ferro, em parceria com os órgãos públicos. São obras que contribuem, principalmente, para melhorar a infraestrutura dessas localidades, algo que deve permanecer mesmo após a exaustão das minas.

A Aura Borborema, controlada da Aura Minerals, está ajudando a tratar os esgotos da cidade de Currais Novos (RN), onde está o seu projeto Borborema, para usar a água obtida a partir desse tratamento na concentração de ouro, não disputando o abastecimento de água com a população, o que é muito importante numa região do semiárido. A Aura Minerals, por sua vez, desenvolve um consistente programa de crescimento e tem dado grande contribuição para afirmar empreendimentos de mineração no mercado de capitais.
A Vale está desenvolvendo aquele que certamente é o maior programa de inovação já feito por uma mineradora, mesmo em nível mundial, com centenas de projetos, engajando mais de 800 pessoas e investimentos expressivos. Ao mesmo tempo, a empresa vem realizando fortes investimentos em projetos de crescimento, somando mais de US$ 40 bilhões ao longo dos últimos dez anos. Só no Projeto Grande Carajás serão investidos R$ 70 bilhões, em cinco anos.

A Bemisa, que consistentemente investe em prospecção mineral no País, tem feito importantes descobertas em minério de ferro em Minas Gerais, um estado onde a extração do minério que alimenta a siderurgia mundial é secular. Também ingressou na produção de ouro e caminha para se tornar produtor de terras raras e fertilizantes.
A Boston Metal do Brasil, filiada da Boston Metal, desenvolveu tecnologia pioneira de metalurgia sem o uso de carvão, o que é muito relevante para o combate contra o aquecimento global.

E a Bravo Mining está desenvolvendo um projeto que vai colocar o Brasil na rota da produção de metais do grupo platina e outros necessários à transição energética e com a perspectiva de ir além do concentrado, aqui mesmo no País.
"São todos exemplos que sensibilizaram o público, já que mais de 17 mil pessoas votaram nessas empresas. Em se tratando de setor mineral, é muita gente. Esperamos que o mesmo caminho seja trilhado pela maioria das empresas do setor, pois assim estarão mostrando que a mineração pode e deve ser feita com segurança, sustentabilidade e, sobretudo, respeito às pessoas", disse Francisco.

Ao longo da cerimônia, representantes de cada empresa subiram ao palco para receber seus troféus e compartilhar experiências, desafios e projetos que refletem uma mineração cada vez mais alinhada às demandas da sociedade, da transição energética e do desenvolvimento sustentável.

Categoria Pesquisa / Prospecção Mineral
O troféu da Bravo Mining como empresa de médio porte foi recebido por seu CFO, Manuel Carlos Cerqueira, das mãos de Christian Maduell, gestor financeiro da Core Case, uma das patrocinadoras do evento.
Manuel Carlos lembrou que a pesquisa mineral é uma atividade que exige paciência, visão de futuro, coragem e outras qualidades. "Não existe resultado imediato, a gente sabe disso. Cada passo precisa de estudo precisa de inovação, precisa de responsabilidade e respeito à ciência, ao território onde nós estamos, a nossa localização, pessoas e meio ambiente. Então, quando uma empresa recebe um prêmio como esse, o que se reconhece não é só um ano de trabalho, de conquista, mas uma cultura construída ao longo do tempo. Apesar de ser uma empresa relativamente nova, a Bravo Mining foi constituída em janeiro de 2022, com o foco exclusivo no desenvolvimento do projeto Luanga de PGMs (metais do grupo da platina), níquel e cobre, que se deu em "passo rápido, a ponto de estarmos hoje estudando a viabilidade do projeto. 2025 foi um ano de muitas conquistas para nós, finalizamos a parte mais detalhada da exploração mineral durante o ano, fizemos uma publicação de recursos minerais e obtivemos a licença prévia do projeto. Também publicamos um estudo preliminar econômico e recentemente obtivemos uma aprovação da nossa participação como empresa âncora dentro de uma zona de processamento de exportação do estado do Pará, em Barcarena, no final de outubro, pelo Ministério de Indústria e Comércio, que possibilitará nossa verticalização no futuro".

De acordo com Manuel Carlos, o desafio agora é apresentar o estudo, a viabilidade dos projetos e garantir os recursos suficientes para a sua implantação: "com o
nosso track record, conseguiremos isso sem sombra de dúvida". Ele finalizou sua fala agradecendo a equipe de colaboradores diretos, "que são nossos geólogos, geofísicos, engenheiros, técnicos, pessoal administrativo, jurídico, financeiro, governança de compliance, porque na mineração de hoje o resultado técnico só existe quando tem essa integridade e cooperação de todas as áreas". Também estendeu os agradecimentos aos parceiros fornecedores e consultores, "que compartilham o mesmo compromisso com a qualidade, a inovação e a ética da nossa atuação. A pesquisa hoje é uma atividade colaborativa que integra várias áreas como ciência, dados, sustentabilidade, relacionamento e nada acontece de forma isolada. Também agradeço a comunidade de onde nós estamos, porque elas caminham ao nosso lado, com confiança e atitudes consistentes, o que mostra nosso excelente relacionamento".

Por fim, agradeceu aos órgãos reguladores, ao Estado e ao Governo, "que têm um papel decisivo na construção de um setor mineral responsável, técnico e seguro. O nosso compromisso é desenvolver projetos que gerem valor não só para a empresa, mas também para as pessoas e para a área onde atuamos. E, por último, mas não menos importante, obrigado aos nossos acionistas, que garantiram o recurso para o financiamento inicial e atualmente continuam financiando o projeto. Certamente eles terão um papel decisivo na captação de novos recursos para a implementação do mesmo. O prêmio nos mostra que estamos no caminho certo, um caminho que é sustentado por inovação, segurança, responsabilidade socioambiental, governança, respeito ao conhecimento científico, mas também nos lembra de que há muito a fazer e muitos desafios a serem superados. Nós vivemos um momento único para o setor de mineração no País, como transição energética, descarbonização, avanço das energias renováveis e da transformação tecnológica do mundo, que dependerão de minerais estratégicos. Assim, quero expressar minha gratidão pessoal por poder representar a Bravo Mining aqui e dizer que esse prêmio pertence a cada colaborador, parceiro, acionista, fornecedor, comunidade e a todos os stakeholders. Reafirmo o compromisso de seguir adiante com ética, responsabilidade e entusiasmo. Agradeço também à Brasil Mineral, aos colegas do setor e a todos que celebram conosco essa conquista e que nos congratularam até o momento".
A Bemisa foi a outra eleita na categoria como empresa de grande porte. Augusto Lopes, presidente da empresa, recebeu o troféu das mãos do geólogo Dalmo Pereira, vice-presidente do Grupo Geopar.

Augusto celebrou o prêmio num ano em que a Bemisa comemora 18 anos de existência – "é a coroação de um trabalho árduo que fizemos ao longo dos anos". Os agradecimentos se estenderam à indicação pelos conselheiros de Brasil Mineral, ao Sindiextra, aos colaboradores, diretores e conselheiros da Bemisa – "o grupo acredita muito no Brasil e na pesquisa mineral, setor em que investimos consistentemente. Quero destacar também o time da Bemisa de Exploração Mineral, e aí eu faço um destaque ao Fábio Guimarães, nosso diretor de exploração, peça fundamental na premiação que recebemos hoje".
A Bemisa tem hoje cerca de 22 projetos em diferentes estágios, iniciados em etapas de greenfield. Destes, quatro estão em operação, sendo três de minério de ferro em Minas Gerais e uma operação de ouro no estado do Pará, na região de Carajás. A produção atual de 4 milhões de toneladas deve superar a marca de 10 milhões até 2030, "crescimento baseado no nosso trabalho consistente de pesquisa mineral e, por óbvio, uma equipe de desenvolvimento, implantação e operação. No estágio de desenvolvimento, eu destaco o nosso projeto de terras raras também em Minas Gerais, na região de Bambuí, além de projetos greenfields como o de cobre, entre o Mato Grosso e Pará. Com isso eu digo que a Bemisa, de fato, acredita no potencial da pesquisa mineral no Brasil. Dos nossos 2 mil colaboradores, mais de 100 são focados em pesquisa mineral. Nos últimos 12 meses, executamos cerca de 50 mil metros de sondagem em diversos projetos como ouro, ferro, zinco, cobre e terras raras e vamos em frente", concluiu Augusto.

A Aura Borborema foi agraciada como empresa de médio porte. Eugênio Singer entregou o prêmio a Fred Silva, diretor de Operações da unidade Borborema.

Fred iniciou seu discurso afirmando ser uma gratidão e uma responsabilidade representar a empresa que tanto ele, quanto o diretor Pitágoras Costa, tiveram a oportunidade de liderar junto aos demais colegas do time – "nós temos uma visão dentro da Aura muito clara de ser uma empresa respeitada, responsável e orientada
carente de recursos hídricos. Mas Borborema sempre foi um ativo extremamente interessante. E o desafio que foi lançado lá pelo time de projetos era como fazer mineração numa região que caminha para a desertificação, como é considerada a região do Seridó potiguar, no Rio Grande do Norte
Como empresa de grande porte, a escolhida foi a Anglo American. O prêmio foi entregue por Gustavo Lanna, presidente do Conselho Deliberativo do Sindiextra, para Ana Sanches, presidente da Anglo American do Brasil.
"Essa premiação que já tem mais de quatro décadas é sempre um momento importante para o calendário anual da indústria de mineração. Receber esse prêmio, para mim, significa que nós não somos melhores do que ninguém. De uma forma ou de outra, estamos fazendo a coisa que é certa, estamos sendo reconhecidos. É bacana servir de inspiração. É isso que queremos, porque quando falamos que estamos sendo melhor que o outro, significa que alguém tem que ser pior. E não queremos isso. Fazer o certo, ser referência, servir de inspiração, é uma forma de 'subir a régua' do setor e todos saem ganhando – as comunidades, a sociedade e as empresas. É uma jornada. Nada acontece da noite para o dia. O tema ESG é especialmente importante para mim, pois acredito que é um caminho sem volta.
feito, sempre e todo dia. Não precisamos ser disruptivos ou diferentes, mas temos que ter um propósito muito claro de que a mineração existe não para ressignificar a região onde operamos, mas para cooperar na região onde operamos. Nós acreditamos nisso e fizemos esse trabalho em Currais Novos, num período de 14 meses".
Para ilustrar, ele contou uma conversa entre duas senhoras que, ao avistarem o uniforme de um funcionário da Aura Borborema, se mostraram satisfeitas pelo fato de a empresa estar retirando as muriçocas de suas casas – "isso é ESG. Muito provavelmente elas não sabem a metade das coisas que nós fazemos dentro das nossas empresas, mas sentem o impacto das nossas ações, de uma mineradora responsável e respeitada, assim como várias outras empresas que atuam na região. O trabalho da mineração é para que a percepção de mais senhoras e que mais vozes ecoem. Fazemos, sim, o extrativismo, mas fazemos com responsabilidade, com respeito e cuidando do meio ambiente, cuidando da população de onde a gente opera", encerrou Fred.
Acredito que as 'mentes brilhantes' que lideram as nossas empresas conseguem equilibrar essa briga entre curto e médio prazo – os desafios que temos de ser uma empresa sustentável, responsável, gerando resultados financeiros. Falar em ESG e falar em mineração é acreditar que a mineração é a solução dos problemas que enfrentamos hoje como sociedade e que vamos enfrentar ainda mais. Não tem como pensar em transição energética sem pensar em minerais, na cadeia completa. Na Anglo American não sabemos fazer de outra forma, não sabemos fazer se não for de forma sustentável e responsável. Falando do nosso negócio de minério de ferro, o ESG já começa pelo nosso produto, um minério de ferro premium, de altíssimo teor de ferro e baixíssimo índice de alumina, sílica e outros contaminantes. Muito usado e demandado na indústria do aço verde, pela redução das emissões de gás carbônico. Já começamos pensando em sustentabilidade pelo produto que geramos. Outra coisa que me toca muito são as pessoas, o 'S' da sigla. Assim como a Aura Borborema, praticamos muito a escuta ativa para entender as vocações da região, sem o menor intuito ou a menor arrogância de querermos impor alguma coisa. Precisamos primeiro entender, escutar e ver como contribuir. A Anglo American, desde que chegou na região de Conceição do Mato Dentro, já investiu quase R$ 1 bilhão em iniciativas e projetos sociais. Firmamos este ano um acordo histórico voluntário entre uma mineradora e uma prefeitura, no valor de R$ 500 milhões, pensando em infraestrutura e legado. O acordo prevê o investimento em um anel viário, em uma faculdade para favorecer os jovens da região, em hospitais, apoiando a prefeitura para ampliar fortemente a gama de exames de laboratório e de exames de imagem e os atendimentos presenciais. É a dignidade e conectividade, é segurança, é melhoria na qualidade de vida e é deixar um legado. É a importância de tomar as decisões certas, com os elementos corretos e pensando no impacto que geramos na vida das pessoas. Então, muito obrigada pelo prêmio, muito obrigada pelo reconhecimento, mas o prêmio não é pra mim, é para a Anglo American e para as pessoas que fazem a diferença. Esse prêmio é de todo o time'.
Categoria Inovação & Tecnologia
Como empresa de médio porte, a vencedora foi a Boston Metal do Brasil, cujo troféu foi entregue por Maria José Salum ao presidente da empresa, Itamar Rezende. Segundo ele, a Boston Metal ainda é um 'bebê' no grupo das vencedoras. "Para localizar, estamos em Coronel Xavier Chaves (MG), uma cidade de 3.500 habitantes. Mas a Boston Metal nasceu em Boston, nos Estados Unidos, com o desenvolvimento
de uma tecnologia de eletrólise em óxidos fundidos, uma inovação que teve início com o viés da NASA, visando produzir oxigênio em viagens espaciais. Esse projeto foi conduzido até os anos 2000, quando a NASA interrompeu o processo e a tecnologia ficou disponível no MIT. Foi quando um professor tomou conhecimento e decidiu reverter a tecnologia para a produção de metais, ao invés de oxigênio. Assim nasceu a Boston Metal nos Estados Unidos, com foco na produção de aço verde por eletrólise em óxido fundido', explicou Itamar.
No Brasil, a empresa está presente desde 2022, desenvolvendo tecnologia para a produção de metais e ligas especiais. Trata-se de uma célula eletrolítica, onde se usa a eletrólise em óxido fundido para a produção de qualquer metal – 'essa flexibilidade é absolutamente disruptiva. A nossa empresa está escrevendo um novo capítulo da metalurgia, ao permitir a produção de qualquer metal em um único equipamento. O processo consiste basicamente na criação de um banho de óxido fundido. Sobre o mesmo, adiciona-se o elemento que se quer produzir. No catodo é depositado o metal e no anodo o oxigênio que é liberado. No caso da nossa planta em São João Del Rey, o foco é Tântalo e Nióbio metálicos na forma de liga ternária para indústria de tântalo. Qual a nossa matéria-prima? Escórias de estanho. Na região temos uma quantidade expressiva, assim como em outras localidades no Brasil. Basta fundir a escória e eletrolisá-la para produzirmos ferro tântalo e nióbio. É um processo extremamente disruptivo, cuja grande característica é a capacidade de recuperar rejeitos, escórias, resíduos em qualquer teor. A produção é a mesma, porque quem define a produção não é o volume da célula, e sim a corrente da célula. Em 2022 iniciamos a construção da planta e fizemos o primeiro centro de desenvolvimento com a tecnologia que está sendo aplicada em escala industrial. Coronel Xavier Chaves será a primeira unidade industrial de produção de óxido de metais de tântalo-nióbio por eletrólise de óxido fundido', prosseguiu o presidente da empresa, dedicando a conquista a todos os colaboradores e acionistas da Boston Metal do Brasil. Ele aproveitou o momento ainda para divulgar aos mineradores presentes as vantagens da tecnologia, 'capaz de produzir
um pré-concentrado com 10% de qualquer elemento – tântalo, nióbio, estanho, seja qual ele for, com uma recuperação de 90%, 80% na mineração. Isso aumenta valor e reduz com extrema significância o impacto ambiental".
Categoria Crescimento
A Aura Minerals levou o prêmio como empresa de médio porte. Camilo Farace foi quem entregou o troféu a Pitágoras Costa, diretor de Projetos e Construção.
Em sua fala, Pitágoras salientou o orgulho da Aura em receber os dois prêmios – "isso está muito em linha com o que a Aura acredita, com a dedicação de todos os colaboradores para fazer a empresa crescer de forma sustentável e com segurança. Estamos no caminho certo, pois como o Fred já disse, acreditamos muito no básico bem-feito. Basta fazer o certo, colocando as pessoas em primeiro lugar, agindo com ética, transparência, confiança e meritocracia. Quando falamos em comunidade, é preciso ter escuta ativa para entender o que querem e necessitam. Um grande desafio para a mineração, pois muitas vezes as oportunidades são deixadas de lado. A mineração está em lugares remotos, onde as necessidades das comunidades são maiores em relação aos grandes centros urbanos. Na Aura valorizamos o 'walk the talk' – não adianta falar se você não age, se você não faz, se você não mostra aquilo em que você acredita".
Ao se referir ao prêmio, Pitágoras atribuiu o reconhecimento aos dois grandes projetos greenfields – Almas (no Tocantins) e Borborema (no Rio Grande do Norte). No primeiro a empresa capacitou e treinou uma grande quantidade de pessoas da região, boa parte dessa mão de obra absorvida pela empresa, das quais muitas já ocupam cargos de liderança. Como toda empresa, a Aura também tem seus erros e acertos e, partindo dessa lição, Borborema começou com muitas lições aprendidas – "não foi fácil, mas conseguimos. Em 14 meses trabalhamos para atender à necessidade da empresa e gerar resultado de maneira responsável. Treinamos e capacitamos pessoas, inovamos com o reuso da água de esgoto e desenvolvemos fornecedores locais. 60% do
nosso time vem desse treinamento e, destes, 35% já foram promovidos por meritocracia. Então, com esses resultados, entendemos que estamos fazendo o certo e temos segurança de que a nossa maneira transparente de trabalhar tem nos levado a grandes resultados
tempo, lançamos também em Minas Gerais um programa de crescimento e de investimentos, com o Projeto Capanema e outros já anunciados na ordem de R$ 60 bilhões para os próximos anos. Outro destaque é nosso programa de descaracterização de barragens, da ordem de US$ 5 bilhões, para eliminar até 2035 um total de 30 estruturas construídas pelo método a montante
esperamos que até 2030, 10% da produção da Vale venha de circularidade, venha de rejeito ou estéril. E com relação a carbono neutro, estamos desenvolvendo um motor de caminhão Fora de Estrada a etanol, que vai ser dual fuel, etanol e diesel. Temos um pipeline de pesquisa de biocombustível, para uso nos motores de caminhões de grande porte, uso de etanol, uso de veículos elétricos e veículos com assistência híbridos", detalhou Bittar.
Mais um pilar importante dessa mineração do futuro é o de valor compartilhado. Para Bittar, a mineração está chegando a um ponto em que a essencialidade dela é tão importante, "que precisamos comunicar melhor, transformar a mineração querida pela sociedade. Precisamos fazer essa comunicação gerando valor compartilhado, abrindo as portas, sendo mais humildes, sendo mais presentes onde operamos, como já foi comentado aqui. Precisamos perguntar por que estamos minerando e não o que estamos minerando. Só assim conseguiremos gerar valor compartilhado".
Bittar prosseguiu dizendo que a formação de mão de obra do futuro é outro pilar importante e que isso irá mudar também. "Precisamos estar preparados, o que não significa reduzir o número de pessoas, mas ter funções que, de fato, estejam menos expostas a riscos. É preciso pensar com a cabeça do empreendedorismo, com o mindset de inovação. O projeto Capanema, por exemplo, já nasceu circular by design. Ele começa a ser explorado a partir de uma pilha de estéril que já estava lá há três / cinco anos. Toda a frota de caminhões já nasceu autônoma. E os projetos futuros já vão nascer com essa filosofia de redução de rejeitos, de redução de consumo de água. E nós precisamos comunicar isso mais ainda, que é o caminho que eu acho que não tem volta para mineração".
caminho que estamos trilhando com afinco. Esse é o trabalho incansável de todos os times que estão fazendo da Vale a mineração do futuro", encerrou Bittar.Por fim, fazendo uma alusão ao encerramento da COP 30, Bittar afirmou que a mineração legal é a que protege: "para quem conhece Carajás, a área ocupada pela mineradora é de 3%. Os outros 97% mostram a Floresta Nacional de Carajás toda protegida pela Vale e pelo ICMBio. Temos ativos minerais únicos no Brasil, ou no mundo, eu diria. Então é uma área que se conseguirmos acelerar a mineração legal, vamos acelerar a proteção da floresta. Um
Mineração, indústria e sociedade
Encerrando o evento, o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, destacou a honra de receber os premiados na Casa da Indústria e reforçou a necessidade de o setor mineral aprimorar sua comunicação com a sociedade.
Segundo Roscoe, a mineração realiza um trabalho extraordinário, mas ainda enfrenta desafios para que esse legado seja percebido pelo público. Defendeu a união do setor para reposicionar a imagem da mineração, destacando iniciativas como o programa "Orgulho de Ser Indústria", lançado pela FIEMG, que teve a mineração como seu primeiro foco.
Ao afirmar que não existe vida sem mineração e que a atividade é uma grande aliada do meio ambiente, Roscoe concluiu ressaltando a importância de eventos como o promovido pela Brasil Mineral para fortalecer o reconhecimento do setor e construir uma narrativa mais justa, transparente e conectada à realidade.
Com aplausos, reconhecimento e a certeza de que o setor segue em transformação, a cerimônia das Empresas do Ano do Setor Mineral foi oficialmente encerrada, reafirmando o compromisso da Brasil Mineral com a valorização de quem constrói, diariamente, a mineração brasileira.
