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Produtores mantêm planos de crescimento

MINÉRIO DE FERRO

Produtores mantêm planos de crescimento

Apesar de oscilações, os preços do minério de ferro se mantiveram, em média, acima de US$ 100 por tonelada.

Brasil Mineral 454Páginas 6-21

ANGLO AMERICAN
Sistema Minas-Rio aposta em expansão

A Anglo American avança no planejamento de longo prazo do Sistema Minas-Rio com foco simultâneo em expansão mineral, excelência operacional, inovação tecnológica e fortalecimento da relação com os territórios onde atua. Segundo o diretor de Operações de Minério de Ferro da Anglo American no Brasil, Evilmar Fonseca, os próximos anos serão dedicados à consolidação de estudos estratégicos e à incorporação de novas tecnologias ao processo produtivo.

No campo da expansão da mina, os esforços da companhia estão concentrados no estudo de viabilidade que irá definir a melhor estratégia para a incorporação dos recursos minerais da Serra da Serpentina à Serra do Sapo, onde está localizada a atual operação do Minas-Rio. "Esse estudo será conduzido ao longo dos próximos anos", afirma Fonseca. Em paralelo, a empresa prepara avanços no processo produtivo, com destaque para a implementação da flotação reclener, tecnologia que contribuirá para a manutenção da elevada qualidade do produto. O início de operação está previsto para 2028.

A logística segue como um dos pilares estruturantes do Sistema Minas-Rio. Com 529 quilômetros de extensão, o mineroduto atravessa 33 municípios entre Minas Gerais e Rio de Janeiro até chegar ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), onde o minério de ferro premium da Anglo American é filtrado e exportado. Para garantir a segurança das operações e das comunidades vizinhas, a empresa informa que opera com tecnologias avançadas, como um sistema de monitoramento online por fibra óptica, capaz de captar ondas sonoras da estrutura 24 horas por dia. "Essa inovação permite a detecção antecipada de possíveis questões operacionais, além de apoiar a fiscalização de atividades externas ao longo da faixa de servidão", explica o executivo. Inspeções periódicas com equipamentos de alta tecnologia para detecção de anomalias também integram a rotina operacional. Qualquer ampliação futura ou adoção de novas tecnologias será avaliada dentro dos estudos de viabilidade ligados à expansão do negócio, sempre com foco em segurança, eficiência e sustentabilidade.

A transformação digital tem papel central na estratégia da Anglo American. Soluções como Inteligência Artificial (IA), sensores conectados e operação remota vêm redefinindo a forma de operar, com ganhos expressivos em produtividade, segurança, sustentabilidade e tomada de decisão baseada em dados. A inovação está no centro da estratégia global Future Smart Mining. Um exemplo concreto desse movimento foi a inauguração, em 2025, do Centro de Operações Remotas (COR) do Minas-Rio, que centraliza o monitoramento e a operação de equipamentos da mina. "Essa transformação não é apenas tecnológica. Ela cria um ambiente mais seguro e acessível, além de abrir novas possibilidades de colaboração, inclusão e diversidade", destaca Fonseca. O uso de veículos e equipamentos autônomos e teleoperados reduz a exposição a riscos e amplia oportunidades para profissionais com mobilidade reduzida.

Reconhecido pelo mercado, o pellet feed premium produzido pelo Minas-Rio apresenta alto teor de ferro e baixos níveis de impurezas, atendendo de forma consistente às exigências dos principais mercados globais. A qualidade do produto gera valor direto aos clientes, ao contribuir para a redução de emissões de carbono, maior eficiência operacional e melhor desempenho industrial, especialmente na pelotização e na siderurgia. Nesse contexto, a estratégia da Anglo American está voltada à manutenção da excelência já alcançada, com estabilidade operacional, rigoroso controle de qualidade e aderência contínua às especificações do produto.

Na gestão de rejeitos, a companhia avança na implantação de uma planta de filtragem que evitará o lançamento de cerca de 85% do rejeito total na barragem do Minas-Rio. A tecnologia de filtragem a vácuo permitirá a separação da água, que será reaproveitada no processo produtivo, reforçando a eficiência hídrica e o compromisso ambiental. O projeto envolve investimentos da ordem de R$ 5 bilhões e tem previsão de entrada em operação no início de 2026.

ARCELORMITTAL 
Investimentos triplicam capacidade da Mina de Serra Azul

Imagem do artigo - página 11

Recentemente, a ArcelorMittal deu início à operação da nova planta de beneficiamento de minério de ferro da Mina de Serra Azul, localizada em Itatiaiuçu (MG). O projeto demandou investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões e marca um salto expressivo na escala produtiva do empreendimento, cuja capacidade instalada praticamente triplicou, passando de 1,6 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais. A produção da nova planta será direcionada à obtenção de pellet feed.

Com a entrada em operação da nova unidade, tornou-se possível o processamento do itabirito compacto, material que até então não era aproveitado, já que a planta anterior permitia apenas o beneficiamento do itabirito friável. Com isso, a vida útil da Mina de Serra Azul foi estendida até 2056.

Imagem mostra pilhas de minério de ferro e equipamentos de transporte em operação na mina
Pilha de minério da Mina Serra Azul, da ArcelorMittal

A ampliação da Mina de Serra Azul integra o conjunto de investimentos programados pela ArcelorMittal no Brasil, que somam R$ 25 bilhões no período de 2022 a 2028. Desse total, aproximadamente R$ 11,5 bilhões estão destinados a Minas Gerais e contemplam, além do projeto em Itatiaiuçu, iniciativas já concluídas, como a expansão da usina de Sabará e a implantação do parque solar de Paracatu.

BEMISA
Estratégia em minério de ferro projeta produção superior a 10 milhões t até 2030

A Bemisa vem se consolidando como um player estratégico no mercado de minério de ferro em Minas Gerais, onde concentra um conjunto robusto de ativos formado pelos projetos Baratinha, Mongais e Pedra Branca. A estratégia de longo prazo da companhia prevê alcançar uma produção superior a 10 milhões de toneladas por ano até 2030 no Estado, apoiada exclusivamente nos ativos já presentes em seu portfólio e na otimização contínua das operações em curso.

Imagem mostra vista panorâmica de operação de mineração em região montanhosa, com equipamentos de processamento e correias transportadoras em primeiro plano e paisagem montanhosa ao fundo durante o pôr do sol
Vista do Complexo Baratinha, da Bemisa

O Complexo Baratinha é o principal pilar dessa trajetória. Estruturado como um hub de ativos minerais, o complexo reúne recursos superiores a 300 milhões de toneladas de minério de ferro, dos quais mais de 100 milhões de toneladas correspondem a hematitas de alto teor. As atividades de pesquisa geológica seguem em ritmo intenso, com sondagens complementares em andamento. Um dos furos realizados no Projeto Mongaís, por exemplo, interceptou 109,39 metros de hematita com teor médio de 66,19% de ferro, reforçando o potencial geológico da área.

Em operação desde 2014, a Mina Baratinha conta com uma planta de beneficiamento a úmido com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas por ano de minério de ferro de alto teor. A entrada em operação do Projeto Mongaís, em janeiro de 2024, representou um novo salto produtivo: com capacidade de 1,5 milhão de toneladas anuais por meio de processamento a seco, o projeto elevou a capacidade total do Complexo Baratinha para 4 milhões de toneladas por ano.

Paralelamente, a Bemisa avança na implementação de um amplo revamp na planta de beneficiamento a úmido do Complexo Baratinha. A reformulação permitirá não apenas o processamento de minérios de baixo teor, mas também o reaproveitamento de materiais que anteriormente eram descartados como rejeito, ampliando a eficiência operacional e o aproveitamento dos recursos minerais.

Outro ativo estratégico em Minas Gerais é o Projeto Pedra Branca, localizado nos municípios de João Monlevade e Itabira. A operação teve início no terceiro trimestre de 2025 e conta com recursos estimados em 130 milhões de toneladas, sendo 33 milhões de toneladas de minério de ferro de alto teor. Em plena capacidade, a produção deverá alcançar cerca de 3 milhões de toneladas por ano, combinando processamento a seco para minérios de alto teor e beneficiamento a úmido de itabiritos.

Ainda no Estado, a companhia mantém o Projeto Picarrão, um ativo anteriormente lavrado pela Vale e que se encontra em fase de exploração, com perspectivas positivas de desenvolvimento futuro.

No Piauí, a Bemisa aposta no potencial de longo prazo do Projeto Planalto Piauí, que reúne recursos minerais superiores a 1,6 bilhão de toneladas de minério de ferro magnético. Atualmente em fase de engenharia, o projeto passa por estudos para a implantação da Fase 1, que prevê o início de uma produção estimada em 3 milhões de toneladas por ano, com crescimento gradual até atingir 15 milhões de toneladas anuais em plena capacidade operacional.

CEDRO MINERAÇÃO 
Tecnologia amplia vida útil das minas e impulsiona eficiência energética

A Cedro Mineração tem intensificado os investimentos em tecnologia nas operações localizadas em Nova Lima e Mariana (MG), com o objetivo de ampliar significativamente a vida útil de suas minas — em muitos casos, por mais de uma década —, reduzir impactos ambientais e elevar a competitividade em um mercado global cada vez mais exigente. Os aportes concentram-se em planejamento geológico avançado, automação de processos, monitoramento em tempo real e modelagem digital de jazidas.

Vista aérea de um complexo de mineração mostrando pátios de estocagem de minério com pilhas de material, estruturas de beneficiamento e equipamentos de transporte
Pátio de minério de ferro, da Cedro

Essas soluções permitem extrair maior valor do minério, reduzir desperdícios e otimizar o uso dos recursos naturais, além de possibilitar a reavaliação contínua das reservas minerais. "A tecnologia deixou de ser apenas suporte e passou a ser estratégica. Com soluções digitais e inteligência operacional, conseguimos reduzir custos, aumentar a recuperação do minério e projetar a operação para muito além do horizonte tradicional das minas", afirma Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração.

A companhia também aposta em soluções integradas de transporte e escoamento da produção, buscando reduzir despesas com frete e aumentar a previsibilidade operacional. Além dos ganhos econômicos, a ampliação da vida útil das minas gera impactos positivos diretos para as regiões onde a empresa atua, como a manutenção de empregos, maior estabilidade econômica local e previsibilidade de investimentos socioambientais.

Com foco em inovação e eficiência, a Cedro se posiciona como protagonista de uma nova fase do setor mineral, ao aliar competitividade, longevidade dos ativos e responsabilidade socioambiental, em consonância com as diretrizes ESG. Nesse contexto, a empresa projeta investir R$ 7 bilhões na ampliação da produção do chamado "minério verde", ou pellet feed, matéria-prima de baixo teor de impurezas, capaz de reduzir em até 50% as emissões de CO2 na siderurgia. Atualmente, a produção gira em torno de 7 milhões de toneladas por ano, com meta de atingir 25 milhões de toneladas anuais até 2030.

Na Mina do Gama, em Nova Lima, a empresa opera um sistema que permite o reaproveitamento de 85% da água utilizada no processo produtivo, reduzindo a captação de fontes naturais. Em 2023, 86% da água usada no controle de poeira também teve origem em reaproveitamento, incluindo efluentes tratados da estação de esgoto. A Cedro ainda investe na eliminação de barragens, com adoção de filtros que viabilizam o empilhamento a seco dos rejeitos, reforçando seu compromisso com uma mineração mais segura e sustentável.

GERDAU 
Plataforma de mineração sustentável assegura suprimento e reduz emissões

A Gerdau vem consolidando uma estratégia robusta para garantir o suprimento de longo prazo à sua operação siderúrgica por meio de investimentos estruturantes na mineração em Minas Gerais. O principal aporte é a nova plataforma de mineração sustentável, que contempla investimentos de R$ 3,2 bilhões entre 2023 e 2026, direcionados à modernização, atualização tecnológica, aprimoramento ambiental e ampliação das operações locais.

Imagem aérea mostrando a mina de Miguel Burnier da Gerdau com suas instalações de mineração em meio à paisagem montanhosa
Vista aérea da Mina de Miguel Burnier, da Gerdau

Com início de operação previsto para o primeiro semestre de 2026, a nova plataforma terá capacidade anual de produção de 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG). O minério será transportado por mineroduto até a unidade de Ouro Branco, em um projeto desenvolvido sem o uso de barragens e com foco em sustentabilidade e competitividade. Em 2023, a Gerdau certificou reservas de 476 milhões de toneladas de minério de ferro na mina, assegurando produção por 40 anos com teor médio de 65% de ferro, fator diretamente associado à redução de emissões de gases de efeito estufa.

Empresa com quase 125 anos de história, a Gerdau intensificou os investimentos em inovação e transformação digital, com uso de Inteligência Artificial, automação avançada e sistemas integrados. Entre as iniciativas, destaca-se a implantação de redes 5G na plataforma de mineração sustentável, em parceria com a Claro Empresas, com potencial evolução para redes privativas, nos moldes da operação de Ouro Branco, concluída em 2024. A companhia também utiliza gêmeos digitais — réplicas virtuais dos processos industriais — para simular cenários, otimizar sequenciamentos produtivos e reduzir o consumo de matérias-primas.

Embora a prioridade seja o consumo próprio do minério, a empresa avalia, futuramente, a venda de minério de ferro para terceiros no mercado interno ou externo, conforme as oportunidades.

HERCULANO 
Crescimento responsável, tecnologia e foco em pellet feed

Após avanços significativos em segurança operacional, a Herculano direciona seus investimentos para ampliação da produção de pellet feed de alta qualidade na unidade de Itabirito (MG), agregando valor ao portfólio e contribuindo para a descarbonização da cadeia do aço. A estratégia reflete uma visão de longo prazo, alinhada às exigências dos mercados internacionais e às metas globais de sustentabilidade.

Imagem mostra equipamentos industriais de filtros-prensa em uma instalação de mineração, com estruturas metálicas amarelas e equipamentos de processamento
Filtros-prensa da Herculano Mineração

Paralelamente, o Grupo Herculano desenvolve projetos greenfield em fase de licenciamento ambiental nos municípios do Serro, Engenheiro Corrêa (Ouro Preto) e João Monlevade, em Minas Gerais. Uma vez implantados, esses empreendimentos permitirão alcançar, de forma gradual e segura, uma capacidade produtiva de aproximadamente 12 milhões de toneladas anuais de minério de ferro.

Na agregação de valor ao produto, a empresa está migrando gradualmente de sinter feed para pellet feed de alta qualidade, direcionado ao mercado de redução direta (DRI). O beneficiamento mineral incorpora separadores magnéticos de última geração, como o GXH-1400, o maior em operação no mundo, além de tecnologias avançadas de filtragem e peneiramento. Em 2025, a implantação de uma subestação de alta tensão viabilizou o uso de 100% de energia limpa. Outro destaque foi o sistema fixo de aspersão em 6 km de estradas internas, reduzindo consumo de água, uso de caminhões-pipa e emissões associadas.

MORRO DO IPÊ 
 Foco operacional continua, enquanto ativos são colocados à venda

A Mineração Morro do Ipê segue operando normalmente suas atividades em Minas Gerais, com destaque para a produção de pellet feed de alto teor de ferro na mina Tico-Tico, ao mesmo tempo em que seus controladores avaliam a venda do conjunto de ativos formado pela operação mineral e pelo Porto Sudeste, no litoral do Rio de Janeiro. O pacote está sendo negociado por cerca de US$ 5 bilhões, em uma transação que, se concretizada, poderá figurar entre as maiores do setor de minério de ferro e logística já realizadas no Brasil. De acordo com informações de mercado, a estratégia dos acionistas é negociar mina e porto de forma conjunta, com o objetivo de maximizar o valor do negócio. A expectativa é de que a operação seja concluída ao longo de 2026.

Vista aérea da operação de mineração Tico-Tico durante o pôr do sol, mostrando as instalações industriais e a paisagem montanhosa ao fundo
Mina Tico-Tico da Mineração Morro do Ipê

Do ponto de vista operacional, a Morro do Ipê esclarece que não há paralisação generalizada de suas atividades, como chegou a ser especulado. A mina Tico-Tico permanece em plena operação, tendo registrado apenas uma breve interrupção no início de 2025. Trata-se do principal ativo produtivo da companhia, voltado à produção de pellet feed de alto teor de ferro, considerado o carro-chefe da empresa. Em 2024, a operação produziu cerca de 3,4 milhões de toneladas de pellet feed, volume que deverá ser mantido ou ligeiramente ampliado em 2025.

Já a mina Ipê, também localizada no município de Brumadinho (MG), encontra-se fora de operação desde 2024. A paralisação está associada a fatores de mercado, uma vez que o produto gerado na unidade apresentava teor de ferro mais baixo e deixou de ser competitivo.

Enquanto o processo de venda segue em avaliação pelos acionistas, a Morro do Ipê reforça que mantém o foco na continuidade operacional, na estabilidade da produção da mina Tico-Tico e na preservação do valor de seus ativos, em um contexto de reorganização estratégica que envolve tanto a mineração quanto a infraestrutura logística associada ao Porto Sudeste.

BRAZIL IRON - PROJETO FERRO VERDE 
O projeto Ferro Verde, da Brazil Iron, promete colocar a Bahia e o Brasil no mapa mundial da descarbonização.

"O Ferro Verde é um projeto de descarbonização: ponto", resume Emerson das Neves Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da companhia. O HBI, explica, é um produto de altíssima pureza — no mínimo 93% de ferro — que pode substituir o minério tradicional na fabricação de aço sem uso de carvão, utilizando apenas fornos elétricos alimentados por energia renovável. O resultado é um processo limpo, eficiente e com custo viável. "Ele é verde para trás e para frente", diz Emerson. "Para trás, porque sua produção usa energia renovável; para frente, porque ajuda a reduzir as emissões da siderurgia, que hoje respondem por 8% do CO₂ global".

O caminho até essa inovação começou há oito anos, com a descoberta de jazidas de ferro de alta pureza na região de Piatã, Abaíra e Jussiape, na Chapada Diamantina. O projeto prevê três plantas de beneficiamento: a primeira, localizada em Piatã, produzirá o pellet feed purificado; a segunda e a terceira, no entorno portuário baiano, farão as etapas finais de transformação até chegar ao briquete de ferro verde. A última unidade será construída com tecnologia licenciada da norte-americana Midrex, líder mundial na produção de HBI. "Vamos erguer aqui uma planta idêntica à mais avançada existente hoje no mundo", afirma Emerson.

Com apoio dos governos federal e estadual, a Brazil Iron estima iniciar a implementação já em 2026. A meta é alcançar 5 milhões de toneladas anuais de HBI, o que representa uma fatia significativa da produção global — que, em 2024, somou apenas 25 milhões de toneladas.

BAMIN
Ainda em busca de novo parceiro estratégico

A Bahia Mineração (Bamin) vive um momento decisivo em sua trajetória. Após um longo ciclo de maturação do Projeto Pedra de Ferro, a companhia avança nas negociações para a entrada de um novo parceiro estratégico, movimento que promete redefinir o futuro da mineração na Bahia e consolidar o estado como um polo logístico e mineral de relevância nacional.

Vista aérea das instalações de mineração mostrando correias transportadoras, pilhas de minério e equipamentos de mineração em operação
Instalações da Mina Pedra de Ferro, da Bamin

"Todas as propostas estão interessadas em um projeto integrado — mina, ferrovia e porto", revelou Eduardo Ledsham, CEO da Bamin. Segundo ele, o grupo controlador Eurasian Resources Group (ERG), decidiu buscar alternativas após os impactos econômicos decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia. O foco agora é atrair um investidor com visão de longo prazo, capaz de enxergar o valor do corredor logístico que conecta Caetité ao Porto Sul, em Ilhéus, passando a viabilizar não apenas o minério de ferro, mas também outras cargas estratégicas.

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) é o eixo central dessa estratégia. Com 62% das obras concluídas, o trecho sob responsabilidade da Bamin foi desenhado para transportar 60 milhões de toneladas por ano, embora o projeto da empresa ocupe, inicialmente, 26 milhões.

O investimento total previsto é de US$ 5,7 bilhões, abrangendo mina, ferrovia e porto. A nova configuração deverá prever uma repactuação do contrato de concessão da Fiol, com extensão do cronograma de 2027 para 2031. Do total, cerca de US$ 4,8 bilhões já estão assegurados via linhas de crédito, incluindo o Fundo da Marinha Mercante e o BNDES, o que reduz a necessidade de aporte de capital próprio. O restante virá do novo parceiro, cuja participação poderá variar de majoritária a total.

O minério da Bamin tem características que o colocam entre os produtos mais valorizados no mercado global. "Trata-se de um high premium, com baixo teor de contaminantes e alto potencial de descarbonização. Para cada tonelada desse minério, é possível alavancar três na produção siderúrgica. É o tipo de produto que o mundo precisa neste momento de transição energética", afirma Ledsham.

A previsão é que o novo sócio seja anunciado até o primeiro trimestre de 2026, abrindo um novo ciclo para a mineração na Bahia.

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