Brasil Mineral

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PRODUÇÃO MINERAL

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

Processamento e análise de dados minerários para mapear padrões produtivos, subsidiar o planejamento setorial e aprimorar o conhecimento sobre ambientes metalogenéticos e fronteiras exploratórias.

Por Gustavo de Assunção Mello

Brasil Mineral 453Páginas 91-113
Figura 1: Processos com produção declarada em 2024 agrupados por classe de substância

Contextualização

O fortalecimento da mineração brasileira passa, inevitavelmente, pela modernização da gestão de dados. A integração entre informações econômicas, operacionais e geocientíficas é crucial para ampliar a competitividade, a transparência e a atratividade do setor.

Atualmente, dois dos principais conjuntos de dados públicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), a listagem de recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e os dados georreferenciados do Sistema de Informação Geográfica da Mineração (SIGMINE), são disponibilizados de forma individualizada, restringindo análises mais robustas sobre a distribuição e o desempenho da atividade mineral no país.

Figura 2: Recolhimento da CFEM em 2024 agrupado por classe de substância
Figura 2: Recolhimento da CFEM em 2024 agrupado por classe de substância

A listagem da CFEM traz informações sobre as substâncias produzidas, quantidade comercializada e os valores recolhidos pelas mineradoras e garimpos legalizados, mas não informa a localização dos processos minerários originários. Já a base do SIGMINE oferece dados e a geolocalização dos títulos minerários ativos, mas sem indicar os montantes produzidos ou arrecadados. Sem a integração entre esses dois conjuntos de dados, não é possível identificar com precisão os padrões geográficos e geológicos da produção mineral no território brasileiro. Essa situação também limita a compreensão da maturidade dos distritos e províncias minerais, além de comprometer a tomada de decisões de investidores e o planejamento de órgãos estatais.

Desde o segundo semestre de 2024, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) vem desenvolvendo um conjunto de rotinas de processamento para correlacionar e consolidar os dados de produção e arrecadação da CFEM com a base georreferenciada do SIGMINE. O resultado é um painel analítico preciso, que detalha o universo da produção mineral brasileira, permitindo análises criteriosas das regiões com desempenho destacado em mineração, além de orientar esforços de prospecção mineral, expansão de investimentos e políticas públicas.

A geolocalização dos processos produtores também contribui para a construção de um conhecimento técnico-científico mais qualificado. Quando integrada com o conhecimento geológico e geofísico, esse conjunto de informações permite a identificação de padrões produtivos associados a determinadas litologias ou junto a contextos geotectônicos, orientando melhor os estudos de potencial mineral e os programas de mapeamento geológico. O aprimoramento da utilização e aplicação de dados públicos representa uma oportunidade concreta de dinamizar as estratégias setoriais e impulsionar a inteligência mineral no país.

Processamento dos dados

A integração entre dados minerários e geocientíficos já vem sendo utilizada pelo Serviço Geológico do Brasil em alguns de seus projetos, como o novo Mapa Metalogenético do Brasil (ainda em desenvolvimento), estudos de potencial para minerais críticos e estratégicos, além de demandas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor mineral.

A metodologia de processamento para este projeto foi estruturada com foco em assegurar reprodutibilidade para qualquer período e clareza às análises sobre a arrecadação da CFEM e da produção mineral declarada.

O fluxo inicia-se com o download da listagem oficial de recolhimentos da CFEM disponibilizada no portal Dados Abertos do Governo Federal, seguido do recorte temporal para o ano desejado. Na sequência, é conduzida uma análise exploratória de dados (AED), etapa fundamental para a qualificação de grandes volumes de informação, permitindo a identificação de padrões, tendências, correlações e inconsistências. Aplicada à listagem da CFEM, a AED possibilita avaliar a qualidade dos registros e corrigir distorções, criando assim, condições para análises robustas e compatíveis.

Essa abordagem é capaz de identificar e excluir, por exemplo, os registros de pagamentos de autuações listadas conjuntamente com a base de dados de recolhimento da CFEM por produção mineral. Sem essa correção, haveria uma superestimação das quantidades comercializadas aferidas. Assim, esse procedimento evita distorções na contabilização da produção efetivamente declarada. A análise exploratória dos dados também viabiliza a padronização do nome das substâncias minerais e das unidades de medida de quantidade, etapa essencial para tornar compatíveis diferentes unidades de medidas empregadas de produção em uma mesma substância. Na sequência, com o suporte de técnicas estatísticas e rotinas de processamento, são realizados ajustes pontuais na quantidade da produção comercializada, garantindo consistência e eliminando discrepâncias.

A etapa seguinte envolve a apuração da produção mineral vinculada aos grupamentos mineiros, que representa um desafio pela forma como os dados desse tipo de processo são disponibilizadas pela ANM. Por não serem georreferenciados individualmente, os grupamentos não permitem a associação direta de sua produção a uma localização espacial específica. Nesse contexto, o caminho para se obter tais informações passa, necessariamente, pelo reconhecimento dos grupamentos mineiros na listagem de arrecadação de CFEM e da identificação de seus processos associados, tarefa que exige consulta manual e cuidadosa.

Por fim, é feita a consolidação anual das quantidades de minério e soma dos pagamentos mensais de CFEM para cada processo minerário, individualizando os produtos principais e subprodutos, seguida pela correlação e união entre essa base de dados e as informações georreferenciadas do SIGMINE.

Resultados

De acordo com os dados disponibilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no portal Dados Abertos do Governo Federal, em 31 de dezembro de 2024 havia 249.264 processos minerários ativos no país. Dentre esses, 12.904 registraram produção mineral comercializada ao longo do ano, totalizando aproximadamente R$ 7,5 bilhões em arrecadação de CFEM. Ressalta-se que o número de processos com produção declarada não corresponde diretamente ao número de minas, uma vez que uma mesma operação pode englobar dois ou mais títulos minerários.

Do total de processos produtores em 2024, 5.682 (44,0%) estão sob Regime de Licenciamento, 5.601 (43,4%) operam através de Concessão de Lavra outorgada e 484 (3,8%) correspondem a Permissões de Lavra Garimpeira (PLG). Os 1.137 (8,8%) processos produtores restantes encontram-se em fase de autorização de pesquisa, requerimentos ou disponibilidade. Quanto aos produtos e subprodutos, observa-se que 11.810 processos declararam produção para apenas uma substância mineral, 1.096 para duas substâncias, 120 para três substâncias e 21 declararam produção de quatro substâncias distintas.

As análises e validações realizadas sobre o conjunto de processos com produção declarada em 2024 também evidenciam padrões consistentes de distribuição por Classe de Substância. Esses padrões se refletem tanto no número de processos quanto na soma da CFEM arrecadada, conforme ilustrado nos gráficos a seguir.

Para esse artigo foram selecionadas 20 substâncias minerais classificadas como críticas e estratégicas: ouro, cobre, ferro, manganês, alumínio, estanho, nióbio, tântalo, níquel, prata, zinco, chumbo, cromo, titânio, vanádio, tungstênio, molibdênio, lítio, grafita, elementos terras raras, fosfato e potássio. Dentre todos os processos minerários produtores em 2024, 1.184 processos declararam produção relacionada às substâncias tratadas neste artigo, sendo que 816 estão sob o Regime de Autorização e Concessão e 368 sob Regime de Lavra Garimpeira.

Com base no conjunto dos processos produtores, foram executadas rotinas de processamento e análises espaciais que resultaram em uma plataforma georreferenciada capaz de apresentar com exatidão toda a produção mineral brasileira em 2024, que pode ser contextualizada com outras bases de dados ou agrupada por substâncias, porte da produção, empresas, montante de CFEM ou recortes geográficos, dentre inúmeros outros produtos possíveis, como análises temporais e espaciais.

Produção mineral

Um aspecto relevante da dinâmica minerária nacional revelada pela união entre a listagem de CFEM e os dados georreferenciados do SIGMINE, é a existência de inúmeros processos sob o Regime de Autorização e Concessão que declaram produção sem ainda ter conseguido a concessão de lavra. Esse fato está relacionado ao uso de instrumentos previstos na legislação mineral, como a Guia de Utilização, que autoriza o aproveitamento temporário e excepcional de recursos minerais durante a fase de pesquisa. Nessa condição, os empreendimentos podem registrar produção e comercialização mesmo antes da formalização da lavra.

A compreensão das diferentes fases em que se encontram os processos minerários fornece indicadores importantes para estudos de potencial mineral, revelando depósitos que apresentam viabilidade técnico-econômica imediata que não seriam identificados caso uma análise considere apenas concessões de lavras como indicador de produção. Nesse contexto, o quadro a seguir apresenta as diferentes fases em que se encontram os processos com produção declarada em 2014 para as substâncias selecionadas, considerando o produto principal e subprodutos.

Concessões de lavra

Adicionalmente à identificação das diversas fases dos processos produtores, conhecer quais concessões de lavra são produtivas e quais permanecem sem produção é de grande valor para estudos de potencial mineral e na elaboração de produtos com foco em ambientes metalogenéticos promissores. As lavras em operação sinalizam áreas com depósitos economicamente viáveis, servindo como evidência empírica dos modelos geológicos e referência para modelos de favorabilidade mineral. Por outro lado, concessões sem produção podem indicar depósitos com alguma limitação ou restrição para seu aproveitamento econômico, servindo como referência principalmente para avaliações prospectivas.

A análise do conjunto de dados sobre as concessões de lavra também revela um importante panorama histórico dos ciclos e tendências da atividade mineral brasileira para as substâncias tratadas neste artigo. O gráfico abaixo sintetiza o resultado dessa análise, apresentando a distribuição do número de concessões de lavra (com e sem produção declarada) entre 1930 e 2024, o ano do seu requerimento de pesquisa. Ou seja, o número de concessões de lavra de uma década está intrinsecamente relacionado com a intensidade de pesquisa mineral nessa mesma década.

Tabela 1: Fase dos processos produtores das substâncias minerais selecionadas para esse artigo
Tabela 1: Fase dos processos produtores das substâncias minerais selecionadas para esse artigo
Figura 3: Série história das concessões de lavra para as substâncias consideradas nesse artigo
Figura 3: Série história das concessões de lavra para as substâncias consideradas nesse artigo

Embora o gráfico acima considere apenas as substâncias selecionadas para esse artigo e que sejam as requeridas no processo minerário, ele revela dinâmicas marcantes no comportamento do setor mineral brasileiro ao longo de sua história.

Entre as décadas de 1930 e 1960, observa-se um crescimento moderado, mas constante, com incremento progressivo no número de títulos outorgados, refletindo o início da estruturação institucional da mineração brasileira.

A década de 1970 marcou um robusto aumento nas concessões de lavra no Brasil, superando 500 títulos, somando os com e sem produção. Esse incremento está associado a um ciclo de expansão econômica, investimentos em infraestrutura básica e intensificação dos mapeamentos geológicos e levantamentos aerogeofísicos. Entretanto, essa década também concentra cerca de 33% de todas as concessões improdutivas da série histórica, provavelmente em função de uma política estatal de outorga em larga escala, voltada ao desenvolvimento regional e muitas vezes conduzida sem critérios rigorosos de comprovação técnica ou de viabilidade econômica dos depósitos.

A expressiva redução no número de concessões de lavra nas décadas de 1980 e 1990 reflete uma combinação de fatores econômicos, regulatórios e institucionais. Embora a Constituição de 1988 tenha contribuído para esse cenário, limitando a participação estrangeira direta e impondo restrições em áreas sensíveis, o fator preponderante foi a queda acentuada do preço das principais commodities minerais, além de uma crise de confiança do mercado provocada por escândalos internacionais envolvendo avaliações fraudulentas de depósitos minerais.

Nos anos 2000, houve uma retomada significativa das concessões, sustentada pela estabilidade econômica, aumento da demanda internacional por minerais, retomada dos programas aerogeofísicos e de mapeamento geológico, além da flexibilização das restrições à participação estrangeira. O capital internacional, por meio de subsidiárias brasileiras, passou a operar de forma relevante, reativando projetos e viabilizando grandes empreendimentos.

A partir de 2010, observa-se a queda nos números de concessões, explicada parcialmente pelo tempo necessário entre o requerimento de pesquisa mineral e a obtenção de outorga da lavra, que pode levar até 15 anos. Assim, os processos protocolados de 2010 em diante ainda estão, quase em sua totalidade, nas fases de autorização de pesquisa ou requerimento de lavra.

Do ponto de vista legal, a concessão de lavra representa o reconhecimento formal do direito e do dever de explorar economicamente um depósito mineral. Contudo, ela não constitui, necessariamente, uma validação da viabilidade econômica do empreendimento nos moldes exigidos por bancos, investidores ou conforme os códigos internacionais de reporte de recursos e reservas (JORC, NI 43–101, CRIRSCO etc.).

Dessa forma, embora a concessão de lavra presuma a existência de um recurso mineral com potencial econômico, ela não assegura que o empreendimento seja viável, financeiramente robusto ou executável no curto prazo. Muitos títulos concedidos permanecem improdutivos por enfrentarem conflitos fundiários, limitações de infraestrutura e dificuldades econômicas. Entretanto, a permanência de áreas oneradas sem produção por longos períodos, mesmo sob justificativas formais, impede que outros agentes, com maior capacidade financeira, técnica e logística para desenvolver os projetos, possam acessá-las.

Mapas

Os mapas com geolocalização dos processos produtores e das concessões de lavra sem produção declarada representam um dos principais resultados deste trabalho e constituem ferramenta essencial para a compreensão da regionalização da produção mineral no Brasil.

A integração das bases de dados públicas permite correlacionar a produção efetiva, declarada nos sistemas oficiais, com a situação regulatória dos títulos minerários, destacando áreas com ou sem atividade mineral. Essa abordagem amplia o alcance dos estudos de potencial mineral ao oferecer um panorama espacializado das lavras em operação, evidenciando a dinâmica produtiva em distintas províncias e distritos minerais.

Ao sobrepor informações de processos com produção às concessões de lavra sem produção declarada, os mapas revelam padrões de continuidade e vacância, fornecendo subsídios para identificar oportunidades de fomento e ajustes no conhecimento geocientífico. Dessa forma, esses produtos consolidam-se como insumos estratégicos, contribuindo tanto para a formulação de políticas públicas quanto para a elaboração de estudos e produtos relacionados à avaliação do potencial mineral.

Os mapas temáticos das substâncias minerais a seguir apresentam os centróides das poligonais dos processos produtores para cada uma das substâncias selecionadas para esse artigo, destacando a quantidade de processos produtivos, a produção comercializada hierarquizada por porte e a geolocalização das concessões improdutivas em 2024. As substâncias informadas nos processos também foram classificadas na legenda como “produto principal” ou “subprodutos 1 a 4”, conforme seus valores de arrecadação da CFEM. A representação cartográfica priorizou clareza e padronização, mas a redução da escala, necessária ao formato editorial, ocasionou sobreposições entre diferentes áreas produtoras. Para mitigar essa limitação, o número total de processos foi indicado junto à legenda em cada mapa.

A produção de ouro no Brasil está distribuída em uma ampla variedade de ambientes metalogenéticos que refletem a complexa evolução tectono-crustal do território. Os principais contextos incluem depósitos orogênicos, hospedados em greenstone belts e paleoplacers arqueanos e paleoproterozoicos, mineralizações em zonas de cisalhamento em terrenos neoproterozoicos, depósitos pórfiro-auríferos em terrenos paleoproterozoicos, mineralizações disseminadas em sequências vulcano-sedimentares e concentrações secundárias em placers aluvionares. Na maior parte desses depósitos, o ouro aparece associado a arsenopirita, pirita, galena ou calcopirita.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

Entre as minas em operação, destacam-se Paracatu, maior produtora nacional, além de Cuiabá, Córrego do Sítio e Pilar (Brumal), no Quadrilátero Ferrífero. Ainda em Minas Gerais, figura Riacho dos Machados, enquanto na Bahia sobressaem Jacobina e Fazenda Brasileiro. Em Goiás, a produção se concentra em Crixás e Mara Rosa, enquanto no Tocantins, a produção em Almas consolida a vocação aurífera da Faixa Brasília. No Pará, Tocantinzinho integra o conjunto de depósitos associados ao Cráton Amazônico e, no norte do estado do Maranhão, o depósito de Piaba representa uma importante operação regional. No Mato Grosso, além das minas São Francisco e São Vicente, se destaca a operação subterrânea em Nova Xavantina, somada à expressiva atividade de mineração de médio porte na Baixada Cuiabana. Por fim, no Paraná, o depósito de Campo Largo representa a única produção de ouro registrada na região sul no ano de 2024.

A produção de ouro associada ao regime de lavra garimpeira no Brasil concentra-se em depósitos aluvionares e eluvionares, enquanto os depósitos primários possuem atividades mais localizadas. No Pará, destacam-se os garimpos da região do Tapajós e, no Mato Grosso, a atividade se distribui entre o norte, originários de greenstone belts e intrusões graníticas paleoproterozoicas, e o sul, em cinturões metassedimentares com ouro orogênico hospedado em zonas de cisalhamento, além de placeres secundários. Em Minas Gerais, Goiás e Rondônia, a tradição garimpeira remonta à década de 1950 e, ainda hoje, mantém garimpos auríferos ativos de pequeno porte.

Os principais depósitos de cobre do Brasil ocorrem principalmente em quatro grandes contextos metalogenéticos que explicam tanto a relevância atual da produção quanto o elevado potencial para novas descobertas. Os ambientes incluem depósitos do tipo IOCG, sistemas pórfiro Cu-Au associados a intrusões graníticas paleoproterozoicas, depósitos estratiformes hospedados em sequências vulcano-sedimentares, mineralizações polimetálicas do tipo VMS e ocorrências em rochas carbonáticas com remobilização supergênica. Predominam as mineralizações de calcopirita associada a bornita e calcosita.

Essa variedade de modelos sustenta minas de classe mundial e novas fronteiras exploratórias. Em Carajás estão localizadas Salobo, maior produtora nacional, e Sossego. Na Bahia, o Vale do Curaçá reúne distritos que operam há décadas, configurando um polo histórico de mineração, enquanto a do Mina do Serrote, em Alagoas, ampliou a fronteira produtiva no Nordeste. Em Goiás, a Mina Chapada destaca-se pela produção contínua de cobre e ouro e, no Mato Grosso, a mina de Aripuanã produz concentrados polimetálicos em lavra subterrânea desde 2023. No depósito do Palito, na Província Tapajós, o cobre é comercializado como subproduto do ouro. Já em Rondônia, foi registrada uma pequena produção em 2024 no depósito conhecido como Buraco da Velha.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O Brasil abriga duas das principais províncias produtoras de ferro do mundo: Carajás e o Quadrilátero Ferrífero, que apresentam diferenças relevantes entre si, especialmente no tipo de minério e idade dos depósitos. Os principais contextos metalogenéticos incluem minérios de altíssimo teor, como jaspilitos e itabiritos arqueanos e paleoproterozoicos metamorfizados e enriquecidos por processos supergênico, formações ferríferas bandas neoproterozoicos frequentemente intercalados a manganês, além de concentrações em complexos ígneos alcalino-carbonatíticos transformados em perfis lateríticos.

Na Amazônia, a Província Carajás (PA) concentra operações de classe mundial, como os complexos de Serra Norte e Serra Sul (S11D). Em Minas Gerais, o Quadrilátero Ferrífero abriga minas históricas e recentes, entre elas Alegria, Brucutu, Conceição e Cauê. No Mato Grosso do Sul, o Maciço do Urucum representa outro polo produtivo de grande importância, combinando depósitos de ferro e manganês. As operações em Caetité, na Bahia e Piripiri, no Piauí, representam a expansão da fronteira produtiva no nordeste. Já em São Paulo, no Complexo Jacupiranga, a magnetita ocorre como subproduto em carbonatitos ricos em apatita e, na mina de nióbio de Araxá–MG, o ferro produzido é aproveitado industrialmente na produção das ligas ferro-nióbio.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O manganês no Brasil é produzido em distintos contextos geológicos, refletindo ampla diversidade metalogenética. Os principais depósitos incluem mineralizações supergênicas e lateríticas formadas por enriquecimento residual, metassedimentos marinhos do Paleoproterozoico, associados a formações ferríferas e vulcano-sedimentares e corpos estratiformes deformados e recristalizados durante eventos neoproterozoicos. A mineralogia é dominada por óxidos como pirolusita, manganita e psilomelana, com variações texturais e estruturais que refletem diferentes estágios de concentração e metamorfismo.

Essa diversidade reflete uma produção distribuída em diferentes regiões. Entre os exemplos clássicos estão Serra do Navio (AP), que marcou a história da mineração de manganês no país, Buritama (PA), um dos maiores polos em sequências paleoproterozoicas, e o Maciço do Urucum (MS), onde manganês e ferro ocorrem em depósitos de grande volume e alto teor. Ainda na Província Carajás, a Mina Azul representa uma das principais operações ativas. Em Minas Gerais, o depósito do Morro da Mina ainda representa o principal polo produtor, enquanto na Bahia e Ceará, ocorrem minas de menor porte. Goiás, Tocantins e Mato Grosso registram atividades de menor porte, muitas vezes em garimpos e pequenas lavras, mas dados recentes da ANM indicam crescimento da produção nesses estados.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

A produção de alumínio no Brasil ocorre em ambientes metalogenéticos dominados por intensa lateritização sob clima tropical úmido, que promove lixiviação de sílica e concentração de hidróxidos de alumínio, principalmente gibbsita, boehmita e diásporo. Desenvolvem-se sobre rochas graníticas, vulcânicas e sedimentares. Em alguns casos, o material laterítico foi erodido e redepositado, originando bauxitas sedimentares em paleodepressões e planícies. Esses depósitos apresentam perfis zonados, com crostas ferruginosas e horizontes argilosos, refletindo forte controle litológico, climático e geomorfológico na concentração do alumínio

Na Amazônia, localizam-se as maiores operações do país: Trombetas, Juruti e Paragominas (PA), responsáveis pela maior parte da produção nacional e por um fluxo contínuo de exportações. Em Goiás, os depósitos de Barro Alto configuram um distrito de relevância, com grandes recursos que reforçam a vocação simultânea da região para bauxita e níquel laterítico. Em Minas Gerais, a Zona da Mata constitui um polo produtor histórico, explorando perfis lateríticos espessos e ricos em gibbsita. Já em Poços de Caldas, a extração ocorre em perfis residuais desenvolvidos sobre rochas alcalinas, destacando a diversidade geológica que sustenta a produção. Existem registros de extração de bauxita em operações de pequeno porte para fins não metalúrgico, como ocorre no estado de Santa Catarina.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O estanho no Brasil está fortemente vinculado a ambientes metalogenéticos dominados por granitos anorogênicos altamente diferenciados, que favoreceram a concentração de cassiterita em sistemas de greisens, veios e stockworks. Esses contextos magmáticos, somados à atuação de processos intempéricos tropicais profundos, concentraram a cassiterita em depósitos secundários aluvionares e eluvionares amplamente explorados em diferentes períodos da história da mineração nacional.

Entre os distritos mais expressivos está Pitinga, o estanho está relacionado a extensos maciços graníticos. Em Rondônia, concentram-se múltiplos distritos que foram responsáveis por grande parte da produção histórica do país e que ainda abrigam minas em operação. Fora da Amazônia, a produção de estanho em Minas Gerais ocorre na Província Pegmatítica de São João del Rei, onde granitos peraluminosos neoproterozoicos originaram corpos pegmatíticos mineralizados. Na região de Nazareno a produção ocorre em pegmatitos zonados que, além de cassiterita, concentram tântalo, nióbio e lítio, refletindo a evolução fracionada desses sistemas

Os garimpos legalizados e minerações de pequeno porte de estanho em Rondônia e no Pará estão associados a granitos evoluídos e greisens paleoproterozoicos, com cassiterita disseminada e em veios de quartzo. Em ambos estados, a alteração intempérica concentrou a cassiterita, formando depósitos aluvionares e eluvionares que sustentam a atividade garimpeira regional

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O Brasil possui cerca de 95% das reservas conhecidas de nióbio do planeta (USGS - 2024), assegurando protagonismo absoluto na produção e no fornecimento desse metal estratégico. Os ambientes metalogenéticos estão associados a complexos alcalino-carbonatíticos formados por processos magmáticos profundos, posteriormente enriquecidos por processos supergênicos e lateríticos em clima tropical úmido. O minério ocorre predominantemente como pirocloro em rochas carbonatíticas e piroxeníticas, acompanhado por apatita, magnetita e flogopita. O intemperismo intenso promove a concentração residual do nióbio, originando perfis lateríticos espessos e de alto teor, grande continuidade lateral e elevado volume de minério. Além desses sistemas, a columbita em pegmatitos graníticos representa uma fonte secundária de nióbio, embora sua contribuição seja limitada frente ao potencial dos carbonatitos.

A produção nacional se concentra em dois polos de classe mundial. Em Minas Gerais, a mina de Araxá é a principal operação do país, já em Goiás, o distrito de Catalão reúne operações expressivas que contribuem de forma significativa para o suprimento nacional. Complementarmente, mineração de pequena escala e garimpos de columbita em pegmatitos graníticos e aluviões ocorrem em Rondônia e no Pará.

Os principais depósitos de tântalo do Brasil estão associados a pegmatitos graníticos zonados onde o minério ocorre predominantemente como columbita-tantalita, acompanhado por espodumênio e cassiterita. A região de Presidente Figueiredo (AM) destaca-se pela produção de tântalo como subproduto da lavra de estanho. No Nordeste, a Província Borborema reúne uma pequena produção de importância histórica, enquanto a Província Pegmatítica Oriental de Minas Gerais em Minas Gerais, o Tântalo é produzido como subproduto do lítio.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

A produção brasileira de níquel é sustentada principalmente por depósitos lateríticos desenvolvidos sobre complexos máfico-ultramáficos, distribuídos entre perfis saprolíticos e limoníticos, muitas vezes enriquecidos em cobalto. Entre os saprolíticos, que concentram níquel em silicatos como garnierita, destacam-se a produção em Barro Alto e Niquelândia (GO), Onça Puma (PA) e Morro do Níquel (MG), além de Jacaré (PA), ainda em desenvolvimento, e ocorrências em São João do Piauí (PI). Complementando esse panorama, na Bahia, o depósito Santa Rita é um importante exemplo de níquel sulfetado, associado a intrusões máfico-ultramáficas onde o níquel ocorre principalmente nos minerais pentlandita e pirrotita, frequentemente acompanhado de cobre e cobalto.

A prata é produzida no Brasil em diferentes ambientes metalogenéticos que incluem depósitos orogênicos, sistemas polimetálicos, onde ocorre como subproduto de mineralizações de chumbo, zinco, cobre e ouro. Em Minas Gerais, a região de Paracatu e do Quadrilátero Ferrífero abrigam minas auríferas nas quais a prata é recuperada como subproduto, o que também ocorre nos depósitos de Crixás, em Goiás, e no Pará, em projetos vinculados a depósitos polimetálicos da Província Tapajós.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O Brasil possui depósitos de zinco e chumbo associados a sistemas hidrotermais em rochas carbonáticas e metassedimentares neoproterozoicas, representando clássicos exemplos do tipo Mississippi Valley Type (MVT). Nesses ambientes, fluidos salinos de baixa temperatura circularam por fraturas e zonas de dissolução em calcários e dolomitos, precipitando esfalerita e galena, frequentemente acompanhadas de pirita, barita e fluorita. Em menor proporção, ocorrem depósitos estratiformes do tipo SEDEX, formados por exalações submarinas em bacias proterozoicas e vulcanogênicos maciços (VHMS).

Entre os empreendimentos mais relevantes, destaca-se a mina de Vazante, principal produtora de zinco do país, complementada pela mina Morro Agudo (MG), atualmente exaurida, mas com registro de comercialização de produção em 2024, também voltada para o aproveitamento de zinco e chumbo. No Mato Grosso, a mina de Aripuanã, maior produtora atual de chumbo opera com lavra subterrânea de concentrados de zinco, chumbo, cobre e prata. Em Rondônia, mineralizações polimetálicas sustentam uma crescente produção de zinco e chumbo, enquanto no Vale do Ribeira (SP/PR), os depósitos em rochas carbonáticas proterozoicas foram explorados desde a década de 1940, ainda configuram cinturões polimetálicos promissores.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O cromo no Brasil está estão associados a complexos ultramáficos e ofiolíticos neoproterozoicos, formados por dunitos e peridotitos intrusivos em cinturões metamórficos. A mineralização ocorre em lentes e camadas de cromitito, com cromita como principal minério, acompanhada por olivina e piroxênio. Em algumas regiões, o intemperismo tropical gera enriquecimento laterítico e concentrações secundárias de óxidos de cromo, mas estes não têm expressão comparável à importância dos corpos estratiformes. O principal distrito produtor de cromo no país está concentrado na Bahia, no Vale do Jacurici e no distrito de Campo Formoso, ambos responsáveis pela maior parte da produção histórica e atual. Outro polo relevante é o Complexo Bacuri, no Amapá, que abriga mineralizações de cromita em escala significativa.

A produção de titânio no Brasil está associada a corpos magmáticos máfico-ultramáficos e placeres litorâneos. Nos primeiros, o titânio ocorre como ilmenita e magnetita titanífera associadas a vanádio e ferro, formadas por segregação magmática em complexos estratiformes paleoproterozoicos. Complementarmente, os placeres costeiros resultam da concentração mecânica de minerais pesados em praias e dunas quaternárias, contendo ilmenita e rutilo. Na Bahia, o distrito de Maracás explora minério de titânio como subproduto de Vanádio, já os depósitos secundários, que reúnem operações ao longo do litoral brasileiro, possuem operações voltadas à extração de areias ricas em minerais pesados. Em Goiás, o distrito de Santa Bárbara de Goiás concentra a produção de magnetita titanífera e ilmenita, complementada por registros mais recentes de produção ao norte do Arco Magmático de Goiás. Já em Rondônia, a produção de titânio é registrada como subproduto em operações de pequena escala de estanho.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

O vanádio no Brasil está associado a depósitos do tipo magmático estratiforme, hospedados em complexos máfico-ultramáficos paleoproterozoicos formados por cristalização fracionada de magmas basálticos. O minério ocorre como magnetita vanadífera, associada a ilmenita e titanomagnetita. Mineralizações de vanádio também ocorrem em complexos máfico-ultramáficos e lateritos derivados, com baixos teores, sendo economicamente viável apenas como subproduto metálico. O complexo de Maracás (BA), localizada no interior da Bahia, sustenta a única mina nacional que explora um depósito magmático estratiforme de vanádio, com titânio e ferro como coprodutos.

O tungstênio ocorre no Brasil em ambientes metalogenéticos relacionados a veios hidrotermais derivados de granitos tardi-tectônicos em terrenos metamórficos neoproterozoicos. Nesses sistemas, o tungstênio ocorre principalmente como wolframita e scheelita, concentradas em fraturas e zonas de cisalhamento. Também ocorrem depósitos de skarn, resultantes de reações entre granitos e rochas carbonáticas, com scheelita associada a granada e piroxênio. O Nordeste brasileiro é a principal província tungstenífera do país. Entre as principais áreas produtoras, destaca-se a região do Seridó, no Rio Grande do Norte e Paraíba, com minas e garimpos ativos em pegmatitos e greisens.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

Os depósitos de molibdênio do Brasil estão associados a sistemas hidrotermais tardi-magmáticos vinculados a granitos neoproterozoicos. O mineral principal é a molibdenita, que ocorre em em veios de quartzo, zonas stockwork e greisens, frequentemente acompanhada por pirita, calcopirita e quartzo-feldspato. As principais ocorrências estão localizadas no nordeste, muitas vezes associadas a mineralizações de estanho, tungstênio e cobre. A região da Serra da Caraíba (BA), atualmente é a única responsável pela produção declarada de molibdênio, como subproduto de concessões de lavras garimpeiras que tem esmeralda como o principal produto. Essas ocorrências estão relacionadas a veios e disseminações em rochas metamórficas com pegmatitos e veios de quartzo, associada a sistemas hidrotermais de granitos.

O lítio no Brasil está associado principalmente em pegmatitos graníticos peraluminosos, formados nas fases finais de cristalização de granitos. O minério ocorre em espodumênio, lepidolita, petalita e amblygonita, frequentemente acompanhado por cassiterita e columbita-tantalita. Esses corpos pegmatíticos apresentam forte controle estrutural e mineralizações disseminadas e em zonas de substituição quartzo-feldspáticas. A mineração de lítio está concentrada em Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha, no nordeste do estado, reúne as maiores reservas conhecidas e operações em expansão, e a região de Campos das Vertentes, em Nazareno, no centro-sul mineiro. A Província Borborema apresenta elevado potencial para exploração, pois abriga numerosos pegmatitos LCT já conhecidos pela produção de berilo e columbita-tantalita, e que se mostram igualmente prospectivos para lítio.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

A grafita no Brasil ocorre predominantemente em cinturões metamórficos do Cráton do São Francisco e da Província Borborema. Os principais depósitos são do tipo metamórfico, formados pela transformação de rochas sedimentares ricas em matéria orgânica durante o metamorfismo regional proterozoico. A grafita ocorre disseminada ou em lentes dentro de xistos, gnaisses e quartzitos grafitosos, como cristais lamelares de alta pureza, associada a quartzo, feldspato e biotita. A Província Grafítica Bahia-Minas concentra a maior parte da produção nacional de grafita, já no centro-oeste mineiro, a produção ocorre em xistos em filitos grafitosos associados ao Grupo Bambuí.

Geolocalização integrada da mineração brasileira como ferramenta analítica de inteligência mineral

Os principais depósitos de terras raras do Brasil estão associados a complexos alcalino-carbonatíticos formados por diferenciação magmática e alteração hidrotermal, com mineralizações em bastnasita, monazita e parisita. O intemperismo tropical promoveu o desenvolvimento de depósitos lateríticos enriquecidos em ETR leves, enquanto a adsorção iônica em argilas cauliníticas gera alvos promissores. Complementam esse cenário os placeres costeiros, remanescentes da exploração histórica de monazita. Essa diversidade de contextos garante ao país uma ampla base prospectiva, ainda que a produção atual seja restrita. A Mina Serra Verde (GO), primeira operação de argilas iônicas fora da Ásia, é atualmente a única produtora em atividade. Historicamente, placeres costeiros do Espírito Santo e da Bahia tiveram papel relevante, com a extração de monazita, mas hoje ocupam posição secundária.

No Brasil, a produção de fosfato ocorre em depósitos carbonatíticos, sedimentares marinhos e lateríticos, formados por processos magmáticos, químicos e supergênicos. Em Minas Gerais, destacam-se Araxá, Tapira e Serra do Salitre, com complexos alcalino-carbonatíticos ricos em apatita, nióbio e terras raras, além de Pratápolis, onde o Grupo Bambuí hospeda mineralizações sedimentares em rochas carbonáticas. Em Catalão, Goiás, a apatita é lavrada em sistemas carbonatíticos clássicos, o que ocorre também em Cajati, no estado de São Paulo. Também em São Paulo, em Registro, o fosfato se encontra em fosforitas sedimentares marinhas rasas. No Tocantins, Arraias e Taipas concentram depósitos sedimentares neoproterozóicos do Grupo Bambuí em ambientes plataformais. Na Bahia, Angico dos Dias, em Campo Alegre de Lourdes, possui mineralizações em sucessões carbonáticas. Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, o fosfato ocorre em rochas carbonáticas da Serra da Bodoquena, enriquecidas por intemperismo, e em Bonito, e no Pará, mineralizações lateríticas complementam o cenário.

Os depósitos de potássio do Brasil são predominantemente evaporíticos, formados pela evaporação de águas marinhas em bacias sedimentares. O único empreendimento em produção está em Sergipe, onde o potássio ocorre como silvinita e carnalita, associados a halita e anidrita, em camadas da Bacia Sergipe-Alagoas de idade cretácea. Entretanto, os maiores depósitos de potássio do Brasil, ainda inexplorados, estão associados a camadas evaporíticas da Bacia do Amazonas, formadas pela evaporação de águas marinhas restritas durante o Permiano, especialmente na região de Autazes (AM), onde depósitos de silvinita e carnalita foram identificados em profundidade a partir de sondagens realizadas pela Petrobras e pelo SGB-CPRM.

Considerações finais

Grande parte dos estudos recentes envolvendo dados públicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) apresenta avanços nas análises estatísticas e espaciais de processos minerários, mas não correlaciona nem investiga a produção mineral associada a esses processos. A inovação deste artigo reside justamente na integração e análise dos dados de produção e arrecadação da CFEM com as informações georreferenciadas do SIGMINE, permitindo uma correlação inédita entre desempenho produtivo e situação regulatória. Essa abordagem representa um avanço metodológico em relação às iniciativas anteriores, permitindo sua aplicação a séries temporais passadas e futuras, bem como a elaboração de mapas e análises voltadas a diferentes tipos de processos e títulos minerários.

As informações e mapas apresentados neste artigo representam apenas parte das aplicações possíveis do conjunto de rotinas de processamento desenvolvidas para atender aos projetos e estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). O universo de aplicações e resultados configura instrumentos valiosos para orientar a prospecção mineral, estratégias de fomento setorial e atração de investimentos.

Ao evidenciar a multiplicidade de ambientes metalogenéticos associados à produção das principais substâncias críticas e estratégicas, os resultados reforçam a necessidade de alinhar conhecimento geocientífico e indicadores econômicos de produção, ampliando a compreensão da maturidade de províncias e distritos minerais, bem como das novas fronteiras exploratórias.

Apesar do enorme esforço e dedicação do corpo de servidores da ANM, persistem desafios que limitam o efetivo e sustentável aproveitamento do potencial mineral brasileiro, especialmente quanto ao elevado número de concessões de lavra improdutivas, cuja validade prolongada compromete a real percepção do potencial mineral do país.

Em síntese, os resultados alcançados evidenciam que a mineração brasileira combina uma base mineral diversificada e de relevância global. O pleno desenvolvimento do setor depende fortemente da modernização contínua da gestão de dados minerários e da articulação efetiva entre órgãos governamentais, ampliando a confiabilidade e a aplicabilidade das bases públicas. A transformação de dados dispersos em conhecimento estratégico é essencial para orientar políticas de estado com o objetivo de consolidar o papel do Brasil como protagonista no mercado de minerais críticos e estratégicos para transição energética e segurança alimentar.

Agradecimentos

O autor agradece a Guilherme Ferreira, Chefe da Divisão de Geologia Econômica; a Maisa Bastos, Chefe do Departamento de Recursos Minerais; e a Valdir Silveira, Diretor de Geologia e Recursos Minerais, pelas sugestões, pelo apoio e incentivo durante o desenvolvimento desse projeto. Reconhecimento especial é também devido a todos os colegas do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), que contribuíram com ideias e sugestões, tornando possível a consolidação da metodologia e das análises aqui apresentadas.

Bibliografia consultada

* Coordenador Executivo da Divisão de Geologia Econômica - Departamento de Recursos Minerais
Diretoria de Geologia e Recursos Minerais
Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM)

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