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EMPRESAS DO ANO | CRESCIMENTO | MÉDIO PORTE

Aura Minerals: uma trajetória de crescimento rápido, mas sem perder a essência

Com resultados expressivos, novos projetos e foco na sustentabilidade, a Aura Minerals consolida um modelo de crescimento baseado em responsabilidade, inovação e valorização das pessoas.

Por Mara Fornari e Francisco Alves

Brasil Mineral 453Páginas 14-22
Unidade Aura Almas

O crescimento da Aura Minerals nos últimos anos é daqueles que mudam o patamar de uma empresa. Com capital de mercado atualmente concentrado na bolsa americana Nasdaq – segundo maior mercado de ações em capitalização de mercado do mundo – e espírito essencialmente brasileiro, a companhia vem se destacando pela capacidade de crescer de forma sustentável, entregando resultados consistentes e, ao mesmo tempo, reforçando seu compromisso com as comunidades e com o meio ambiente.

Segundo Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals, o reconhecimento recente como Empresa do Ano – Categoria Crescimento, pela revista Brasil Mineral, reflete essa trajetória. “É uma honra receber esse prêmio, que simboliza que estamos no caminho certo. Nosso crescimento é pautado em disciplina, geração de valor e respeito às pessoas e aos territórios onde atuamos”, afirma.

Fachada Almas
Fachada Almas

Em 2024, a Aura celebrou um de seus melhores anos operacionais, impulsionada pela entrada em operação do Projeto Almas, em Tocantins, e pelo avanço das obras do Projeto Borborema, no Rio Grande do Norte, que já atingiu a produção comercial esperada. Esses dois empreendimentos, somados à performance das unidades de Apoena (MT) e Aranzazu (México), consolidaram a Aura como uma das mineradoras de médio porte que mais crescem nas Américas.

“Crescer, para nós, não é apenas aumentar a produção ou abrir novas minas. É gerar valor de forma responsável e duradoura”, afirma Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals, salientando que “crescimento sustentável é aquele que beneficia todos os stakeholders — nossos colaboradores, as comunidades, os investidores e o planeta”.

A Aura vem se destacando por sua Cultura 360, um modelo de gestão que integra as dimensões econômica, ambiental, social e de governança. “A Cultura 360 é o nosso jeito de pensar e agir”, explica Rodrigo. Ela está baseada em quatro pilares: pensar como dono, agir com responsabilidade, buscar resultados e respeitar as pessoas e o meio ambiente.

Essa filosofia norteia decisões estratégicas e operacionais, criando um ciclo virtuoso de crescimento. “Quando olhamos para um novo projeto, pensamos em longo prazo, em como ele vai se sustentar por décadas, e não apenas em quanto ouro vai gerar no curto prazo”, destaca o executivo.

O resultado dessa mentalidade se traduz em números robustos. Em 2024, a produção total da companhia ultrapassou 270 mil onças equivalentes de ouro, com margens operacionais crescentes e geração de caixa sólida. “Somos uma empresa em crescimento, mas com disciplina financeira. Crescemos de forma saudável, mantendo baixa alavancagem e alto retorno sobre o capital investido”, diz Rodrigo.

Três avenidas para crescer

Segundo Rodrigo Barbosa, a estratégia da companhia está sustentada em três grandes avenidas: a execução de projetos greenfields, o aumento de recursos e reservas nas minas existentes e o crescimento por meio de aquisições.

“Desde 2020 seguimos essas três frentes com muita consistência. Construímos Almas dentro do prazo e do orçamento, o que é uma novidade no Brasil e no mundo. Fizemos o ramp-up em apenas quatro meses e, nesse período, conseguimos comprar e desenvolver Borborema, também concluído dentro do prazo e sem acidentes. É essa disciplina que define nosso jeito de crescer”, explica o executivo.

Entre os projetos em desenvolvimento, Matupá (MT) e Era Dorada (Guatemala) são as próximas prioridades. “Esses dois projetos devem ser construídos nos próximos dois a três anos. Não faremos as duas obras simultaneamente, mas com cerca de um ano de diferença entre elas para garantir excelência na execução”, complementa.

A Aura pretende continuar expandindo suas operações no Brasil com foco em Almas (TO), Borborema (RN), Apoena (MT) e Serra Grande (GO) – recém-integrada ao portfólio da companhia (antes a mina pertencia à AngloGold Ashanti), além de avançar em projetos de cobre e ouro como Serra da Estrela, em Carajás (PA). “O Brasil já é o país mais relevante para a Aura em produção e continua sendo o principal vetor de crescimento”, afirma o executivo. Atualmente, a companhia tem mais de 500 mil hectares em áreas de exploração próximas às minas em operação, com alto potencial de aumento de reservas.

Investimentos e novos projetos

Os planos de investimento da Aura até 2028 são robustos. O projeto Era Dorada (Guatemala), adquirido recentemente, deve receber US$ 260 milhões, enquanto Matupá (MT) contará com cerca de US$ 140 milhões. As expansões de Almas e Borborema consumirão entre US$ 50 e 100 milhões adicionais, e a Serra Grande passa por um ciclo de investimentos em manutenção e aumento da disponibilidade de equipamentos subterrâneos para elevar a produção das atuais 80 mil onças para mais de 100 mil onças por ano, com redução gradual de custos.

Unidade Apoena, em Mato Grosso
Unidade Apoena, em Mato Grosso

No caso de Apoena, há um programa de dois anos voltado à reestruturação e pushback das cavas, para que volte a patamares de 60 mil onças anuais a partir de 2026. Já Serra da Estrela, projeto de cobre e ouro em Carajás (PA), segue em fase de exploração e maturação, com perspectivas promissoras para os próximos três anos. “É uma região de depósitos world class, e temos grande interesse em aumentar nossa exposição ao cobre, que tem uma perspectiva de preço muito positiva. É um mercado com poucas alternativas e forte potencial de valorização”, comenta Rodrigo Barbosa.

A meta da Aura é dobrar sua produção atual e superar 600 mil onças equivalentes de ouro nos próximos dois a três anos, podendo atingir 1 milhão de onças no longo prazo – números estimados por analistas de mercado. “Esse é o ponto em que as empresas passam a ser precificadas de forma justa pelo mercado. É a nossa ambição”, revela o CEO.

Almas e Borborema: eficiência e inovação

O Projeto Almas, no Tocantins, é um exemplo emblemático do modelo Aura de crescimento sustentável. A mina foi construída em tempo recorde — apenas 16 meses — e entrou em operação em meados de 2023, com investimentos de cerca de US$ 78 milhões e está em expansão para aumentar a capacidade de produção de 2 milhões para cerca de 3 milhões de toneladas por ano.

“Almas é um projeto 100% desenvolvido e operado pela Aura, sem terceiros. Conseguimos entregar dentro do prazo e do orçamento, o que é raro na indústria mineral. Isso mostra a capacidade de execução da nossa equipe e a solidez do nosso planejamento”, explica o CEO.

Desde o início, Almas nasceu com DNA ESG: uso racional da água, gestão rigorosa de resíduos, reuso de efluentes e programas sociais voltados à geração de renda e qualificação profissional. “Temos orgulho de dizer que, durante a construção, mais de 70% da mão de obra era local. O impacto social foi enorme para a região”, afirma o executivo.

Com capacidade de produção de 50 mil a 60 mil onças de ouro por ano, Almas já se tornou uma das minas mais eficientes do portfólio da Aura, e sua estrutura modular permite expansão gradual conforme novas reservas são identificadas. “Temos uma área exploratória muito promissora, e estamos investindo para estender a vida útil da mina”, acrescenta Rodrigo.

Outro pilar do crescimento da Aura é o Projeto Borborema, localizado em Currais Novos (RN), no coração do semiárido nordestino. O empreendimento, que exigiu um investimento inicial de US$ 188 milhões, já atingiu a produção comercial em 2025 e representa um marco para o desenvolvimento regional.

“Borborema é muito mais do que um projeto de mineração. É uma iniciativa de regeneração econômica e ambiental”, diz Rodrigo. “Estamos levando tecnologia, emprego e infraestrutura para uma das regiões mais desafiadoras do país, e fazendo isso com respeito e inovação”, completa o executivo.

A operação é a primeira mina do Brasil a funcionar exclusivamente com água de reuso, proveniente do esgoto doméstico tratado da cidade de Currais Novos — um projeto desenvolvido em parceria com a CAERN e a prefeitura local. “É uma solução genial e simbólica”, comenta o CEO – “transformamos um problema histórico — a escassez hídrica — em um exemplo global de sustentabilidade”.

Além da inovação hídrica, Borborema já foi projetada para futuras expansões, com capacidade de crescer de 2 milhões para até 3,5 milhões de toneladas por ano e também inclui ações de reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e incentivo a cadeias produtivas locais. “O impacto socioeconômico será enorme. Estamos gerando centenas de empregos diretos e indiretos e fortalecendo o comércio e os serviços do município”, afirma Rodrigo.

Gestão e execução com agilidade

Rodrigo explica que o segredo do sucesso nos projetos greenfields da Aura é a combinação entre simplicidade técnica, autonomia de decisão e execução ágil. “Optamos por projetos de porte médio, com acesso a energia, água e logística, evitando complexidades desnecessárias. Nosso time é experiente, com governança clara e autonomia para resolver problemas rapidamente. Construímos as plantas como peças de Lego — várias frentes de obra simultâneas que depois se conectam. Essa agilidade é o que nos diferencia.”

Esse modelo garante retorno rápido sobre o capital investido. “Nossa receita é reciclar capital com velocidade. Construímos rápido, colocamos para gerar caixa e reinvestimos. Assim conseguimos crescer, pagar dividendos e manter baixo endividamento”, explica.

Uma estratégia de crescimento da Aura é sustentada por um forte investimento em gente e cultura organizacional. A companhia implementa programas de formação técnica, planos de carreira e capacitação contínua em todos os níveis hierárquicos.

“Nosso propósito é Inspire our people to grow, e isso é literal”, explica Rodrigo. “Queremos que cada colaborador cresça junto com a empresa, profissional e pessoalmente. A cultura da Aura é de dono: cada colaborador entende que o resultado depende das suas decisões.”

A empresa também mantém políticas rigorosas de segurança e bem-estar. “Segurança é valor inegociável. Garantir que cada pessoa volte para casa em segurança todos os dias é a nossa prioridade”, reforça. Para ele, o engajamento das equipes é o motor do desempenho. “Nada do que fazemos seria possível sem pessoas comprometidas com o propósito. A cultura da Aura é de dono: cada colaborador entende que o resultado da empresa depende do seu trabalho e das suas decisões”.

Disciplina financeira e visão de longo prazo

Mesmo com forte expansão, a Aura mantém uma gestão financeira conservadora e disciplinada “Não acreditamos em crescimento a qualquer custo”, reforça Rodrigo. “Fazemos questão de manter baixo endividamento e alto retorno sobre capital investido. Isso nos dá flexibilidade para aproveitar oportunidades sem comprometer a sustentabilidade do negócio”.

O IPO na Nasdaq, que levantou US$ 230 milhões, reforçou o balanço da Aura e permitiu acelerar a execução dos novos projetos como Matupá e Era Dorada A mudança da listagem do Canadá para os Estados Unidos ampliou a liquidez e a base de investidores. “Saímos de negociações diárias de US$ 1 milhão para cerca de US$ 20 milhões com o IPO. Hoje conversamos com os maiores fundos do mundo, o que nos dá acesso a capital e credibilidade internacional”, diz Rodrigo.

A companhia mantém também seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts) no Brasil, onde já soma mais de 35 mil investidores. “É um mercado que valorizamos muito. O investidor brasileiro reconhece o valor de uma mineradora que combina governança, resultados e impacto positivo. O país tem instituições sólidas, profissionais qualificados e vasto potencial mineral ainda pouco explorado. É um ambiente onde gostamos de investir e operar”, completa.

A empresa encerrou 2024 com uma posição de caixa robusta e um pipeline de projetos promissor, incluindo novas frentes exploratórias no Brasil e na Colômbia. “Queremos crescer onde temos sinergia e competência comprovada”, explica. “Nosso foco é a América Latina, onde entendemos o ambiente regulatório, a cultura e o potencial mineral”.

A meta da Aura é alcançar 500 mil onças equivalentes de ouro por ano até 2028, praticamente dobrando a produção atual. “Temos uma base sólida e projetos de qualidade. É um crescimento planejado, com responsabilidade e propósito”, diz o CEO.

A Aura Minerals entende a sustentabilidade como motor de competitividade. “Empresas que investem em governança, meio ambiente e impacto social reduzem riscos, atraem talentos e capital, e garantem longevidade”, afirma o executivo.

A companhia publica relatórios anuais de sustentabilidade auditados externamente e alinhados aos padrões da Global Reporting Initiative (GRI) e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB). “Transparência é fundamental. Nosso compromisso é mostrar o que fazemos e como fazemos, com métricas claras e metas de longo prazo”, acrescenta.

Entre as metas de sustentabilidade estão a redução de 35% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, a eliminação do descarte de rejeitos em barragens convencionais e a neutralidade de carbono até 2040. “Estamos trabalhando com tecnologia, inovação e parcerias para atingir esses objetivos”, explica.

A Aura ainda estuda ampliar o uso de energia renovável, especialmente solar, em Almas, Borborema e Matupá, regiões de alta insolação. “Estamos atentos à evolução tecnológica. Assim que o retorno for compatível, entraremos nesse modelo. Já na Guatemala, o projeto Era Dorada virá acompanhado de uma usina geotérmica de 50 MW”, adianta o CEO.

O desempenho financeiro da Aura em 2024 refletiu essa combinação de eficiência, disciplina e crescimento sustentável. A empresa registrou lucro líquido superior a US$ 100 milhões e um EBITDA ajustado recorde, impulsionado pela produção de Almas e pelo aumento de produtividade em Aranzazu e Apoena.

Além dos números, o reconhecimento veio na forma de prêmios e distinções. Em 2025, a companhia foi eleita pela Brasil Mineral como Empresa do Ano na categoria Crescimento – Médio Porte, pelo conjunto de investimentos em Almas e Borborema e pelos resultados positivos no Brasil. “Esse prêmio é um reflexo do trabalho de toda a equipe”, celebra Rodrigo, acrescentando que “nada é mais gratificante do que ver o esforço coletivo ser reconhecido pelo setor”.

O futuro: expandir com propósito

Para os próximos anos, a Aura planeja consolidar sua presença no Brasil e ampliar as operações de ouro e cobre também em outros países da região. “Nosso foco é continuar crescendo de forma sustentável, diversificando portfólio e mantendo a cultura que nos trouxe até aqui”, afirma Rodrigo.

O plano estratégico da companhia prevê novos investimentos em pesquisa mineral e inovação tecnológica, incluindo o uso de inteligência artificial para modelagem geológica e otimização de lavra, além da automação de plantas de beneficiamento. “Queremos ser uma mineradora moderna, eficiente e cada vez mais limpa”, ressalta.

A Aura também está ampliando seus programas sociais e ambientais, com ênfase em educação, empreendedorismo e conservação ambiental nas regiões onde atua. “A mineração precisa deixar um legado. Em Almas e Borborema, queremos ser lembrados não apenas pelo ouro que extraímos, mas pela transformação positiva que geramos nas comunidades”.

Ao olhar para a trajetória da Aura, Rodrigo Barbosa resume o espírito da companhia em uma frase simples: “Crescemos porque acreditamos nas pessoas e nos territórios onde atuamos”. Essa crença, combinada com disciplina, inovação e propósito, tem feito da Aura Minerals uma das referências da mineração latino-americana — e uma das empresas mais admiradas por sua capacidade de equilibrar lucro, legado e responsabilidade.

“Nosso desafio é continuar crescendo, mas sem perder a essência. Queremos ser a prova viva de que é possível fazer mineração com alma, gerando prosperidade para todos que fazem parte dessa jornada”, conclui Rodrigo Barbosa.

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