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EMPRESAS DO ANO | PESQUISA/PROSPECÇÃO MINERAL | GRANDE PORTE

A Bemisa chega aos 18 anos com um robusto portfólio de ativos minerais

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 453Páginas 54-59
Vista da unidade Baratinha, da Bemisa

Em apenas 18 anos e investimentos em pesquisa e prospecção mineral na faixa de R$ 80 milhões anuais, a Bemisa construiu um sólido portfólio de 22 projetos nas fases de prospecção, desenvolvimento, engenharia e operação, abrangendo 8 substâncias minerais, além de se tornar produtor de minério de ferro e ouro. Esse desempenho fez com que a empresa fosse reconhecida por duas vezes (2022 e 2025) como Empresa do Ano do Setor Mineral pelo público de Brasil Mineral.

De acordo com o CEO da Bemisa, Augusto Lopes, a empresa encerrará 2025 com um acumulado de 300 mil metros de sondagem desde a sua fundação, o que a caracteriza como um dos principais players em exploração mineral no País, com “um ritmo de crescimento robusto e contínuo, atuando de forma orgânica, sustentável e comprometida com o desenvolvimento do conhecimento geológico nacional”.

Ele acrescenta que atualmente a empresa “atua em todas as etapas do desenvolvimento de empreendimentos minerais, desde a prospecçã o até a operaçã o, com foco em eficiência, inovaçã o e responsabilidade socioambiental, consolidando expertise em pesquisa mineral, licenciamento ambiental, projetos de engenharia, implantaçã o de projetos de mineraçã o e sistemas logísticos, incluindo terminais ferroviários”.

Operação de ouro em Água Azul do Norte
Operação de ouro em Água Azul do Norte

Contando com um quadro atual de aproximadamente 2.000 colaboradores, experiência no comissionamento de quatro projetos greenfield e mais de onze anos de operaçã o, a Bemisa, segundo o dirigente, comprova a sua capacidade técnica integrada, aliada ao compromisso com a responsabilidade socioambiental em todas as etapas da mineraçã o.

Ativos em operação e desenvolvimento

Os ativos da companhia atualmente em operação incluem os projetos Baratinha, Mongais, e Pedra Branca (em minério de ferro) e Água Azul (ouro).

O Complexo Baratinha consiste em um hub de ativos minerais que somam, no total, recursos de mais de 300 milhões de toneladas de minério de ferro, sendo mais de 100 milhões de toneladas em hematitas de alto teor. O complexo segue com pesquisa geológica e sondagens complementares em andamento, voltadas a avaliar novas zonas mineralizadas e potencializar os recursos do complexo. Um dos furos de sondagem realizados no Projeto Mongais interceptou 109,39m de hematita a um teor médio de 66,19% Fe, confirmando o alto potencial do Complexo Baratinha e apontando para uma expansão expressiva dos recursos além das estimativas atuais.

A Mina Baratinha iniciou sua operação em 2014 e possui planta de beneficiamento a úmido com capacidade de 2,5 milhões de toneladas por ano de minério de ferro de alto teor. Como informa a Bemisa, a área do empreendimento era uma antiga mina que operou até a década de 1980 e desde o início da lavra a empresa tem feito um trabalho de recuperação dos passivos ambientais deixados pela antiga operação.

Augusto Lopes
Augusto Lopes

O projeto Mongais entrou em operação em janeiro de 2024, com capacidade de produção a seco de 1,5 milhão de toneladas ao ano, o que permitiu ampliar a capacidade total do Complexo Baratinha para 4,0 milhões de toneladas ao ano. “Atualmente, estamos implementando um Revamp (reformulação) na planta de beneficiamento a úmido do Complexo Baratinha, que irá permitir também o processamento de minérios de baixo teor, além do reaproveitamento de materiais anteriormente descartados como rejeito, reduzindo a geração de resíduos e, consequentemente, o impacto ambiental, além de promover uma mineraçã o mais eficiente e responsável”, afirma Lopes.

O projeto Pedra Branca, localizado nos municípios de João Monlevade e Itabira (MG), iniciou a operaçã o no terceiro trimestre de 2025. Pedra Branca conta com recursos de 130 milhões de toneladas, sendo 33 milhões de toneladas de minério de ferro de alto teor. A produçã o deverá atingir cerca de 3 milhões de toneladas ao ano em plena capacidade, contando com processamento a seco de minérios de alto teor e processamento a úmido de itabiritos.

Ainda em Minas Gerais, no segmento de minério de ferro, a Bemisa tem o projeto Piçarrão, um ativo que no passado foi lavrado pela Vale e que está em fase de exploração, com boas perspectivas.

Mina Mongais: convivendo com o verde
Mina Mongais: convivendo com o verde
Frente de lavra na mina Mongais
Frente de lavra na mina Mongais

De acordo com Augusto Lopes, a Bemisa tem se consolidado cada vez mais como um player estratégico de Minério de Ferro em Minas Gerais. “A expansão do Complexo Baratinha e o início do Projeto Pedra Branca tem comprovado um crescimento consistente e sustentável na região, aliado à excelência e à qualidade de seus produtos, que vêm sendo reconhecidos e premiados no mercado. A estratégia da empresa no longo prazo é de produzir mais de 10 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano até 2030 em Minas Gerais, apenas com os ativos presentes em nosso portfólio atualmente, com base em um plano estruturado de avanço dos projetos e otimizaçã o das operaçõ es existentes”.

Fora de Minas Gerais, mais especificamente no estado do Piauí, a Bemisa está desenvolvendo o Projeto Planalto Piauí, que possui recursos minerais de mais de 1,6 bilhão de toneladas de minério de ferro magnetítico, sendo que parte desses recursos, 1,2 bilhão de toneladas, foram certificados na NI 43-101 por empresa independente e internacional (SRK) com base em 65 mil metros de sondagem realizados durante o extenso programa exploratório, conforme a empresa. Atualmente, o Projeto encontra-se na fase de engenharia para avaliação da implantação da Fase 1, que prevê o início de uma produção estimada em 3 milhões de toneladas por ano, com crescimento gradual até atingir 15 milhões de toneladas anuais em plena capacidade operacional.

“O projeto terá capacidade de produçã o de um Pellet Feed com teor de ferro acima de 70% e baixos níveis de contaminantes que atendem as necessidades para produçã o de pelotas de reduçã o direta que são essenciais para a produçã o de aço com reduçã o significativa nas emissões de CO2”, informa Lopes, acrescentando que o projeto não conta com barragens de rejeitos e sim empilhamento à seco, como nas outras operaçõ es da empresa no estado de Minas Gerais. O Planalto Piauí possui logística integrada e fica a 6 km da Ferrovia Transnordestina, que o ligará ao Porto do Pecém (807 km), localizado no Estado do Ceará (CE). “Do ponto de vista do impacto socioeconômico na região, é previsto um aumento da arrecadaçã o estadual e municipal através da CFEM e de demais impostos e um alto volume de geraçã o de empregos e renda”.

Área do projeto Planalto Piauí
Área do projeto Planalto Piauí
Vista noturna da unidade Água Azul do Norte
Vista noturna da unidade Água Azul do Norte

Em ouro, a Bemisa possui a operação Água Azul, em escala piloto, localizado em Água Azul do Norte, no estado do Pará, próxima ao distrito polimetálico de Carajás. Desenvolvido desde o estágio greenfield, o Projeto Água Azul conta com um extenso programa de exploraçã o mineral. Desde a primeira campanha de sondagem, iniciada em 2018, o projeto alcançou a marca de 79.072 metros perfurados em 570 furos, consolidando uma base de dados robusta e de alta qualidade. “Em janeiro de 2025, o projeto obteve sua primeira certificaçã o de recursos minerais conforme a norma NI 43-101, estimando 1,7 milhão de onças de ouro com teor médio de 1,46 g/t Au, abrangendo recursos medidos, indicados e inferidos. Desde então, os trabalhos exploratórios têm sido direcionados à atualizaçã o e expansão dessa estimativa, e os resultados mais recentes indicam um aumento expressivo dos recursos, impulsionando o projeto para uma nova certificaçã o, que confirmará a ampliaçã o dos recursos para cerca de 3 milhões de onças de ouro, também de acordo com a NI 43-101. Na sondagem mais recente, os furos demonstraram interseçõ es de alto teor, como o furo DD-512 com 92,23 m a 1,60 g/t Au, reforçando a robustez do corpo mineralizado e a consistência do modelo geológico, que segue em constante aprimoramento. Além disso, o projeto conta com diversos alvos em avaliaçã o, com fortes indícios de continuidade e expansão das zonas mineralizadas, sustentando o elevado potencial de crescimento nas próximas etapas de exploraçã o”, informa o dirigente da Bemisa, acrescentando que a operaçã o também não utiliza barragem para a disposiçã o de rejeitos, possui rota simples com poucas operaçõ es unitárias e zero potencial de drenagem ácida. O projeto possui grande importância para o desenvolvimento da região e emprega majoritariamente trabalhadores locais.

Galpão de testemunhos de sondagem
Galpão de testemunhos de sondagem

Para Augusto Lopes, o rápido crescimento da Bemisa como produtora mineral é resultado da combinaçã o entre “capacidade técnica integrada, gestão eficiente de projetos e compromisso com a responsabilidade socioambiental em todas as etapas da mineraçã o”. Sua trajetória, ainda segundo o executivo, foi impulsionada pelo investimento contínuo em pesquisa mineral e inovaçã o tecnológica, pela diversidade do quadro técnico e pela sinergia entre equipes de engenharia, licenciamento e operaçã o, o que permite que os resultados sejam alcançados em prazos menores e com alta eficiência.

Portfólio diversificado

O portfólio da Bemisa vai bem além do minério de ferro e ouro e inclui outros minerais tais como cobre, terras raras e fosfato o que, na visão da empresa, “consolida uma base sólida e sustentável de crescimento”.

Em cobre, a Bemisa tem o projeto Pórfiro, nas regiões de Alta Floresta (MT) e Tapajós (PA), que abrange 62 direitos minerários em 321 mil hectares com grande potencial para ocorrência de cobre. Atualmente o projeto se encontra em fase de desenvolvimento mineral, com geofísica e geoquímica realizadas e sondagem prevista para o último trimestre de 2025 no bloco Tapajós.

Em terras raras, o destaque é o projeto Bambuí, localizado no município de Tiros-MG. Como informa a empresa, o projeto conta com duas campanhas de sondagem concluídas, somando 2.031 metros. Segundo Augusto Lopes, “em 2024 a Bemisa iniciou uma parceria com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) para a realizaçã o de testes metalúrgicos com o minério de Bambuí, concluídos em janeiro de 2025 e identificando alta presença de Pr-Nd (46,8%) no concentrado de terras raras magnéticas, componente primordial para a transiçã o energética”. Devido aos resultados positivos dos testes, ele diz que a Bemisa planejou a terceira campanha de sondagem, já em andamento, que irá acrescentar até 16 mil metros. As amostras geradas serão utilizadas na conduçã o de testes para definir a rota de processo. As etapas seguintes serão a certificaçã o de recursos e reservas em linha com a NI 43-101 e atuaçã o em parceria com o projeto MagBras, apoiando a cadeia de suprimentos brasileira de ímãs permanentes REE.

Minério de ferro de Mongais: alta qualidade
Minério de ferro de Mongais: alta qualidade

No fosfato, a Bemisa tem o Projeto Jauru, que é uma jazida de Rocha Fosfática destinada à produçã o de Fertilizante Fosfatado (P2O5), localizada no Estado de Mato Grosso (MT), portanto no centro do mercado, já que Mato Grosso é um grande produtor agroindustrial, em uma região repleta de rodovias que dão acesso aos principais centros agrícolas do País. “O projeto conta com parcerias estratégicas com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e com a Associaçã o Brasileira de Pesquisa e Inovaçã o Industrial (Embrapii). Além disso, em razão de sua relevância para a produçã o nacional de fertilizantes, o projeto tem o apoio e o interesse do Ministério da Agricultura. “Atualmente, encontra-se em fase de desenvolvimento de teses de processo em colaboraçã o com o CETEM, com foco na definiçã o e avaliaçã o de rotas metalúrgicas mais adequadas”, conforme o executivo.

Prospecção/pesquisa no centro da cadeia de valor

Para Augusto Lopes, a prospecçã o e a pesquisa mineral estão no centro da cadeia de valor da Bemisa, refletindo o compromisso contínuo com o desenvolvimento de projetos em todo o território nacional. Desde a fundaçã o, já foram feitos cerca de 300 mil metros de sondagem em oito estados, evidenciando a dedicaçã o contínua à geraçã o de conhecimento geológico e ao avanço do setor mineral brasileiro. Atualmente, a empresa possui um total de cerca de 160 direitos minerários em várias regiões do País.

Operação de ferro em Mongais
Operação de ferro em Mongais

“Essa expertise reflete a necessidade de ter um quadro técnico diverso em conhecimento e com alta capacidade de tomada de decisão, além de um espírito inovador e atençã o aos avanços das técnicas e ferramentas de pesquisa geológica para que os resultados sejam alcançados em menores prazos. A sinergia desses fatores é o grande diferencial perante a forma de desenvolver ativos minerais no Brasil. Essa estratégia tem permitido à empresa identificar, desenvolver e consolidar novos projetos minerais, frequentemente em regiões pouco conhecidas, convertendo áreas de baixa maturidade geológica em ativos de classe mundial. Como resultado, ao longo dos últimos anos diversos projetos originalmente identificados em nossos programas de prospecçã o evoluíram até a fase operacional, comprovando que investir em conhecimento geológico é não apenas possível, mas rentável e estratégico”, diz o CEO da Bemisa.

Para ele, o fato de se tornar operacional não fez a Bemisa perder o seu DNA de pesquisa mineral, “que é o que faz bastante diferença até nas nossas operações. O fato de agregar a operação sem perder o foco geológico está nos ajudando muito na parte de operação, principalmente em ferro. Hoje, talvez sejamos a empresa que mais desenvolve pesquisa mineral para ferro fora da caixa e isso nos levou a descobrir uma nova fronteira mineral em Minas Gerais, na região do Vale do Aço.

Um outro ponto destacado por ele é o apoio que a Bemisa sempre teve do controlador, o Opportunity, que é um dos maiores gestores independentes de ativos no Brasil. “Esse apoio é uma prova de que o controlador acredita muito no potencial mineral do Brasil”, conclui o CEO da Bemisa.

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