Já nos acostumamos a ver notícias negativas sobre mineração na imprensa e redes sociais. Todo dia tem, desde sempre. A maioria repleta de absurdos e um viés ideológico total. Não se discute a importância da atividade para a sociedade e nossa vida moderna – só desce o pau e deixa claro: não no meu quintal.
Mais recentemente, a mineração – notadamente de minerais críticos – passa por uma pauta diferente. No centro dos debates das tarifas dos Estados Unidos, surpreendentemente vimos inúmeras matérias extremamente positivas sobre a mineração, como é feita, para que servem os minerais e os números impressionantes que o setor gera, além de ocupar uma parcela pequena do território nacional. Até o Jornal Nacional se rendeu e falou bem.
Novos tempos, ou apenas a pauta temporária das tarifas e da riqueza do Brasil em minerais dos quais o mundo depende? Particularmente creio que é apenas uma onda. Mineração continuará sendo uma maldição para muitos, ainda por gerações.
Imagem ruim, comunicação pouco assertiva e péssima reputação foram construídas por décadas. Pelo próprio setor e seu descaso com a aceitação pública. Históricos de grandes desastres, crises e relações de conflito pavimentaram esse caminho.
A sociedade vê os mineradores como predadores, usurpadores, exploradores, soberbos e obscuros no repasse de informações. Além de muitos outros adjetivos do mesmo calibre. No Brasil, lucro pressupõe crime.

E a atualidade nos faz lidar com comunidades mais engajadas e politizadas, movimentos sociais atuantes e comunicação instantânea: redes sociais e grupos atuando em tempo real, de forma coordenada.
Mas porque devemos buscar a aceitação da sociedade para a mineração (e para qualquer atividade)? Porque as comunidades estavam lá antes da empresa chegar e continuarão lá depois que a mina fechar. Porque economiza TEMPO e DINHEIRO. Porque é mais inteligente do que resolver passivos e conflitos o tempo todo. E, finalmente, porque se não conseguir a aceitação da sociedade, seu projeto não irá acontecer. Enfim, não é a comunidade que está insatisfeita. Ela apenas não concorda mais com certas práticas. Não podemos exigir dos outros que façam a sua parte se não fizermos primeiro a nossa parte.
E como reverter isso? Como melhorar a imagem e reputação? Primeiro, não são a mesma coisa. Imagem se projeta. É como você se apresenta aos outros. Sua roupa, seu corte de cabelo, maquiagem, postura. Isso é imagem.
Reputação se constrói. É como os outros te percebem, o que eles enxergam de bom e de ruim em você. É a história de sua atuação sob o prisma de quem a observa de fora.
Leva tempo para construir, mas pode ruir rapidinho. Basta um deslize.
A reputação se constrói sobre pilares fortes – seus valores. Se sustenta nas atitudes, iniciativas e coerência. E se apresenta através de uma boa comunicação e, principalmente, relacionamento baseado em escuta. Ativa e afetiva.

Para empreendimentos e empresas, é fundamental saber quem são suas comunidades. Conhecer, ouvir, entender e sensibilizar para se relacionar. E a condição fundamental para dar certo é o respeito. Você só será respeitado se respeitar primeiro, independente de quem seja. O respeito aos direitos e costumes de quem já estava no território antes de você chegar é condição preliminar. Afinal, você chegou para dividir o território que já era deles.
Conhecer o território, conhecer as pessoas e respeitá-las antes de tudo, para então atuar com as pessoas, não para elas. Então, para ter uma mudança perene – e para melhor – na imagem do setor, comece mudando a narrativa, desenvolva e implante ações que sustentam a narrativa, humanize seu discurso, comunique valor além da operação, mostre preocupação com o desenvolvimento comum e o legado, sempre adaptando sua comunicação à realidade do território.
Agora, a construção de uma reputação positiva sólida é mais demorada e exige ações mais profundas, como estabelecer procedimentos consistentes de Governança e Compliance; garantir procedimentos éticos (na teoria e, principalmente, na prática); dar um próximo passo nos processos de relacionamento, reconhecendo que as relações estão exigindo mais; investir em iniciativas que respondam à complexidade do contexto, repensando práticas de investimento social; discutir, com profundidade e de maneira organizada, as preocupações que vêm da sociedade – segurança, poluição e impactos socioambientais, atuação predatória, etc.;
É ESG na veia.
E não esquecer de fazer o dever de casa e "converter" os colegas, parceiros e outros atores do setor sobre a necessidade destas ações. Definitivamente a mineração não precisa de "bad boys".
Como disse Pierre Gratton, CEO da "The Mining Association of Canada – MAC": "Não podemos contar melhor a nossa história se não fizermos uma história melhor para ser contada."
