Brasil Mineral

Ler como:
Revista
Artigo
Imagem 7

BAHIA

Galvani investe mais de R$ 1 bilhão para aumentar produção de fertilizantes

A Galvani está investindo cerca de R$ 1,1 bilhão em dois projetos na Bahia, nos municípios de Irecê e Luiz Eduardo Magalhães, que objetivam ampliar sua capacidade de produção de fertilizantes no estad...

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 452Páginas 24-29

A Galvani está investindo cerca de R$ 1,1 bilhão em dois projetos na Bahia, nos municípios de Irecê e Luiz Eduardo Magalhães, que objetivam ampliar sua capacidade de produção de fertilizantes no estado. Segundo Marcelo Silvestre, CEO da empresa, em Luiz Eduardo Magalhães a capacidade de produção será ampliada de 600 mil t/ano para 1,3 milhão t/ano de fertilizantes, até 2028, o que está demandando um investimento da ordem de R$ 500 milhões.

Em Irecê, por sua vez, estão sendo investidos R$ 600 milhões para instalação de uma mina e unidade de produção de concentrado fosfático e calcário para uso como corretivo de solo, que deverá iniciar produção no segundo trimestre de 2026. "Trata-se de uma nova mineração de fosfato, que vai suportar o crescimento em Luiz Eduardo Magalhães", diz Silvestre, acrescentando que cerca de 40% da obra está concluída e a maior parte dos equipamentos já foi adquirida, incluindo um grande forno de calcinação, que foi importado da China. "Grande parte do contingente de pessoas já foi mobilizado e hoje estamos com mais ou menos 400 pessoas em campo, fazendo obras, número que deve chegar a 900 em novembro", informa o executivo.

Marcelo Silvestre - Diretor Presidente da Galvani
Marcelo Silvestre - Diretor Presidente da Galvani

O empreendimento em Irecê vai produzir 350 mil toneladas/ano de concentrado fosfático com 32 a 33% de P2O5, que será destinado à unidade de Luiz Eduardo Magalhães, para produção de fertilizantes fosfatados. Além disso, serão produzidas aproximadamente 700 mil t/ano de corretivo agrícola. Tanto os fertilizantes quanto o calcário corretivo serão comercializados na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). De acordo com Silvestre, o projeto Irecê tem alguns diferenciais importantes, como a utilização de processamento do minério a seco – um processo que foi desenvolvido pela própria Galvani, nos laboratórios que possui em Uberaba (MG) – e o aproveitamento dos rejeitos, o que dispensa o uso de barragens de rejeitos, já que todo calcário será comercializado como corretivo agrícola. Além disso, toda a água a ser utilizada na planta industrial será reaproveitada, o que é extremamente positivo para um projeto localizado na região Nordeste, que conta com pouca disponibilidade de água.

Na Bahia há mais de três décadas

A Galvani está na Bahia há mais de três décadas. Além da operação em Luiz Eduardo Magalhães e em Irecê, a empresa possui uma outra mina em Angico dos Dias e sempre tem investido no estado, de acordo com seus dirigentes. "Nós chegamos lá no oeste da Bahia junto com os pioneiros, o pessoal que foi para desenvolver a agricultura lá. Então, sempre estivemos de mãos dadas, fazendo todo esse desenvolvimento. Tanto a mineração quanto o nosso complexo de fertilizantes são muito importantes, porque sem mineração não há fertilizantes, pelo menos no caso do potássio e do fosfato. Mesmo a uréia, o nitrogenado, provém do gás natural, que também é mineração. Então a mineração está por trás de todos os fertilizantes e sem estes não tem agricultura, que responde por 49% da pauta de exportações do Brasil. E mais ou menos 24% do PIB está relacionado com agricultura. Lembrando que 87% do fertilizante usado no Brasil é importado. Então, se olharmos na perspectiva de que 49% da pauta de exportação é agricultura, 24% do PIB ligado à agricultura e 87% do fertilizante que é necessário para a produção agrícola é importado, temos uma ideia de nossa importância", acentua o CEO da Galvani, lembrando que a agricultura cresce mais de 4% ao ano, o que significa que vai ser necessário mais fertilizante. Ele cita que o Pla- no Nacional de Fertilizantes, elaborado pelo governo juntamente com diversas entidades, tem meta de produzir internamente 50% dos fertilizantes consumidos no País, até 2050.

Unidade em Angico dos Dias
Unidade em Angico dos Dias

Tal crescimento, na visão do executivo, apresenta muitos desafios para os produtores, mencionando a questão do licenciamento ambiental e o custo do capital no Brasil, muito elevado comparativamente a outros países. "Hoje nós temos taxa de juros de 15% ao ano, o que significa quase 10% de juros reais, o que é muito para o empreendedor que precisa investir em mineração e fábrica de fertilizante. São investimentos de grande monta e a taxa de juros é importante nessa questão". Outra dificuldade é a desigualdade no tratamento tributário entre o fertilizante importado e o produzido no País.

No caso do projeto Irecê, a Galvani considera muito importante a parceria com a CBPM, que detém os direitos minerários da jazida e fez um contrato de exploração com a Galvani, mediante o pagamento de royalties. Além disso, o empreendimento tem recebido muito apoio, tanto do governo estadual quanto do município. Hoje a Galvani talvez seja o maior empregador em Irecê.

Um outro apoio decisivo para o projeto Irecê é o da Finep, que está financiando cerca de R$ 400 milhões, uma forma de reconhecimento ao caráter inovador do empreendimento, pelo fato de não utilizar barragem de rejeito e transformar os resíduos em produto.

Além disso, através de um convênio firmado com a CBPM e o governo do estado, a Galvani se compromete a doar 10 mil toneladas/ano de pó calcário para utilização na agricultura familiar.

Unidade em Irecê
Unidade em Irecê

Em setembro, o grupo Galvani firmou um acordo com a Prefeitura de Irecê para investir R$ 1 milhão em projetos sociais no município, segundo a Diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Galvani, Sylvia Tabarin. Ainda em Irecê, a empresa assinou protocolo de intenções que destina R$ 7 milhões em investimentos a serem aplicados em políticas públicas, infraestrutura urbana e iniciativas voltadas à melhoria da qualidade de vida, com o objetivo de reforçar o compromisso das instituições com uma mineração sustentável e inclusiva, que alia geração de empregos, desenvolvimento regional e apoio às comunidades locais. "Temos uma relação próxima com Irecê, onde em breve instalaremos nossa nova unidade de mineração de fertilizantes fosfatados. Mais do que gerar empregos, renda e novas oportunidades, queremos que esse movimento caminhe junto com a valorização da cultura, da educação, da inclusão social e do bem-estar da população", comenta Sylvia Tabarin.

Para Murilo Franca, Prefeito de Irecê, a volta da Galvani à cidade é muito importante, pois vai colaborar com o desenvolvimento. "Celebramos convênios que melhoram a vida do povo, com a Galvani retornando ao município trazendo nova tecnologia, política de inclusão e responsabilidade ambiental. Assinamos um convênio de R$ 8 milhões para investimentos em parceria com a Galvani e a CBPM focados em infraestrutura, educação, meio ambiente, agricultura e esporte. Essa união vai gerar emprego, renda, movimentar a economia e desenvolver o território.

Artigos da edição