No ano de 2024, como em anos anteriores, o estado de Minas Gerais foi o líder nacional do setor, com cerca de 40% do faturamento (R$ 108,3 bilhões), seguido pelo Pará com 36,1% (R$ 97,8 bilhões). Esses dois estados concentraram pouco mais de 76% do faturamento da mineração, em razão especialmente da produção e exportação do minério de ferro. Os demais estados responderam por 23,9 % do faturamento total, com a Bahia ocupando a quarta posição (3,7%), atrás de São Paulo (3,8%) e à frente de Goiás (3,6%).
A despeito da modesta participação da Bahia na Produção Mineral Brasileira, houve expressivo crescimento na sua produção mineral comercializada nos últimos 10 anos, de mais de 300%. O estado vem mantendo sua participação relativa em pouco mais de 3% no valor da PMB, medida pela ANM, notabilizando-se por ser o único produtor de diversos bens minerais, a exemplo da magnesita, sodalita, talco, salgema, vanádio, urânio, rutilo, diamante em kimberlito, piroxenito, molibdenita. O estado também dispõe de áreas com reservas provadas e/ou em pesquisa para minerais diversos, inclusive minerais estratégicos e críticos, o que lhe confere relevante potencial para a expansão da produção mineral.
Os números da Bahia
A Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC) cresceu 4,5% em 2024, com faturamento de R$ 10,1 bilhões. A mineroindústria teve um papel destacado, contribuindo com 13,4% do Valor da Transformação Industrial baiana, englobando produtos como ferroligas, pentóxido de vanádio, concentrado de urânio (yellow cake), fios de cobre, barras de ouro, gemas lapidadas, joias, mármores, produtos voltados à construção civil e agrominerais.
No ano, exerceram a extração mineral 462 empresas e cinco cooperativas. Apenas 10 empresas responderam por 75% da PMBC.
Saliente-se que, apesar da concentração entre as mineradoras, há a predominância das micro e pequenas empresas, assim como ocorre no restante do País.
A atividade mineral foi realizada em 574 minas, das quais 325 com atividade contínua e outras 249 sazonais. Entre as minerações sazonais estão pessoas físicas, produtores de minerais para uso direto na construção civil e empresas com Guia de Utilização - entre estas últimas, especialmente produtores de rochas ornamentais.
Quanto aos empregos gerados, o setor mineroindustrial baiano foi responsável por mais de 38 mil empregos formais diretos, com a indústria extrativa mineral e serviços de apoio respondendo por 15.824 destes postos de trabalho; a transformação de minerais não metálicos (pedras, gesso, cimento, desdobramento e acabamento de rochas ornamentais, cerâmicas e vidros) gerou, por sua vez, 19.660 postos, enquanto a metalurgia de metais não ferrosos, cobre e ferroligas, criou 3.170 empregos diretos.
Em 2024, no estado da Bahia houve extração mineral em 197 municípios, dos quais apenas 10 deles responderam por 77% da PMBC. Os principais municípios produtores também respondem pelo maior número de empregos criados. Jaguarari é o principal gerador, com um estoque de 2.136 postos. Outros destaques são os municípios de Jacobina, Brumado, Andorinha, Juazeiro, Maracás e Itagibá.
A maioria das principais minas do estado estão localizadas no semiárido baiano, onde as oportunidades de geração de emprego são mais difíceis. Isto faz da mineração um importante vetor de desenvolvimento local, especialmente porque, conforme estudos do Instituto Brasileiro de Mineração, para cada emprego direto gerado na mineração outros 11 são criados indiretamente.
Os principais municípios produtores e suas minas

Com produção em todas as regiões do território baiano, em 2024 o estado registrou explotação de minerais diversos em quase 50% dos 417 municípios, alguns deles com tradição na produção mineral desde o período imperial.
Principais minas em atividade
O município de Jacobina é o principal produtor mineral do estado. Apresenta tradição na exploração de ouro desde o início do século XVII, época em que foi apelidada de "cidade do ouro". Em 2024 sua comercialização de bens minerais atingiu R$ 2,4 bilhões, gerando 1.602 empregos diretos. O ouro tem respondido por 99% da produção, contribuindo ainda, de modo apenas marginal, os minerais de emprego direto na construção civil (brita, areia e argila), além da rocha ornamental (arenito). O município foi o maior arrecadador de CFEM na Bahia, com uma cota parte de R$ 21,37 milhões.
A Jacobina Mineração e Comércio Ltda - é o principal ativo da Pan American Silver no Brasil e opera seis minas subterrâneas com capacidade de processamento de até 8.500 toneladas por dia, além de uma planta de beneficiamento do minério com capacidade instalada para 7,500 tpd.
Na sequência aparece o município de Itagibá, localizado no sul do estado, que em 2024 respondeu por quase 11% da PMBC (R$1,1 bilhão). Ali, na Mina Santa Rita, a empresa Atlantic Níquel produz o níquel sulfetado, lavrado a céu aberto. O empre-
endimento já é uma das maiores minas desse metal do mundo, mas a mineradora está com adiantados estudos para o desenvolvimento da mineração subterrânea. Toda a produção de níquel da Mina Santa Rita se destina à sua própria planta de beneficiamento, com capacidade de alimentação de 6,5 Mtpa e produção de 120 mil t/ano de concentrado de níquel sulfetado (níquel-cobre-cobalto), todo exportado pelo Porto de Ilhéus. A empresa é controlada pela Appian Capital Brazil, um fundo de investimento de capital inglês privado, especializado em mineração.
Em terceiro lugar está o município de Jaguararí, onde são produzidas rochas ornamentais (quartzitos) de alto valor no mercado internacional. Sua principal atividade mineral, porém, é, desde 1979, a exploração de cobre. A empresa de capital canadense Ero Copper opera desde 2016, com sede no Distrito de Pilar, onde a empresa extrai de minas tanto a céu aberto como subterrâneas.
Em seguida aparece o município de Barrocas, onde se explora o ouro desde 1984. A Equinox Gold, empresa de origem canadense, opera a partir de 2022 a mina de ouro Fazenda Brasileiro, com lavra a céu aberto e subterrânea, processando o minério em sua planta de beneficiamento com capacidade de 1,3 Mtpa.
No município de Santaluz, em quinto lugar em valor de produção comercializada, são extraídos ouro (Equinox Gold) e cromo (Magnesita S.A). O ouro é lavrado na mina Maria Preta. Após correção de problemas e modernização da planta, que estava com a baixa recuperação do mineral precioso, voltou à normalidade em 2022, tendo chegado à produção recorde de 56.906 oz em 2024. Ainda em Santaluz, a RHI Magnesita opera a mina de cromita de Pedras Pretas, que conta com planta de processamento e está inserida no Complexo Metamórfico de Alto Grau de Santaluz. O minério é formado por cromititos compactos, de maior teor, e cromititos friáveis, de menor teor. A mina possui capacidade instalada de 84.000 t. Essa operação representa um ativo estratégico no portfólio da companhia, com o fornecimento de matéria-prima de alta qualidade para a produção refratários.
O sexto município com maior produção mineral é Andorinha, onde é extraída a cromita, desde 1973, pela Ferbasa. A operação da mina era apenas a céu aberto, mas hoje se faz também a exploração de mina subterrânea de alta complexidade, uma das mais modernas do país em termos de mecanização e recuperação de minério, com produção beneficiada de 504 mil toneladas/ano.
Em continuidade aparece Brumado, que é um município com vários bens minerais em explotação, tendo a magnesita como destaque, respondendo por três minas em atividade - RHI Magnesita, Xilolite S/A e Magnefertil do Brasil Ativos Minerários e Participações Ltda. Há ainda produção de talco, rocha ornamental, areia e brita, ressaltando-se a extração de talco, mineral do qual a Bahia é o estado maior produtor do país, com base em apenas duas minas. A mina com maior comercialização é de propriedade da Xilolite S.A, enquanto a segunda foi adquirida pela italiana IMI Talc, que controla uma das maiores e mais puras jazidas do mineral no País.
Um dos destaques em Brumado é o investimento realizado pela RHI Magnesita na instalação de seu maior forno rotativo do mundo na planta local. O equipamento recebeu aporte de R$ 541 milhões nos últimos anos e permite um aumento de 25% na capacidade de produção de sínter magnesiano, posicionando Brumado como um dos principais hubs globais de matéria-prima para a indústria refratária. Além do ganho produtivo, o forno traz benefícios ambientais, permitindo um melhor aproveitamento do material extraído da mina e a redução de rejeitos, o que prolonga a vida útil da Mina de Pedra Preta, garantindo maior sustentabilidade para a operação e para a comunidade local.
Em Juazeiro, encontram-se nove minas em atividade, sendo quatro delas extraindo minerais de emprego direto na construção civil, outras quatro de rochas ornamentais e uma mina de cobre, que sozinha responde por 99% do valor da comercialização do município.
No município de Dias D'Ávila, localizado na Região Metropolitana de Salvador (RMS), aparece em destaque, pela forte concentração, a produção de água mineral, com sete empresas em operação. Dias D'Ávila produz ainda caulim e areia industrial (quartzosa).
Maracás, município a entrar no rol de principais produtores há menos tempo, teve seu protagonismo iniciado em 2014, com a entrada em produção da Largo Mineração, que iniciou a exploração de vanádio. Trata-se da única mina das Américas, cujo metal de alto teor resulta num baixo custo de produção e torna o Brasil um forte concorrente no mercado internacional. A Largo possui uma planta de beneficiamento para a produção de pentóxido de vanádio (V2O5), fundamental para a fabricação de aços leves e de alta resistência, além de ligas de titânio-alumínio, essenciais na indústria aeroespacial.
Aparecem ainda em destaque na produção da Bahia a macrorregião Norte da Bahia, com diversos municípios mineradores, além da região Centro-Sul com o município de Paramirim, a Região Centro Norte com Ourolândia e a Região Metropolitana de Salvador – RMS, na qual registra-se produção em Salvador, Camaçari, Candeias, Lauro de Freitas, Mata de São João, Pojuca, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz.
Na Macrorregião Norte, aparecem os municípios de: Sento Sé, que desponta como produtor de ferro, sendo a única mina deste mineral em atividade no ano de 2025 na Bahia, lavrado pela Tombador Iron. Vale lembrar também que em Sento Sé registra-se produção de rocha ornamental, sendo elas o quartzito e quartzo, ambos de alto valor no mercado internacional, além de mármore;
Curaçá notabiliza-se pela produção de cobre em mina a céu aberto, denominada de "Mina Surubim", em atividade desde 2010, a qual é operada pela Ero Caraíba. No município registra-se também produção de mármore;
Campo Alegre de Lourdes, onde é operada mina de fosfato desde 2004 pela Galvani Fertilizantes, empresa que também faz lavra em outra mina no município de Irecê e um complexo industrial em Luís Eduardo Magalhães, que está na região de maior produção agrícola do estado da Bahia;

Campo Formoso, tradicional município produtor da Bahia, tem como principal mineradora a Intercement Brasil S.A, que lavra calcário e argila industrial, usados na fabricação de cimento da empresa, cuja unidade industrial está no mesmo município.
Importante lembrar que, desde 1961 registra-se em Campo Formoso a produção de cromita pela Ferbasa, que opera mina a céu aberto, estando ainda em fase de implantação mina subterrânea, que visa garantir a continuidade da produção de minério de cromo em Campo Formoso, vez que a mina a céu aberto tem vida útil de apenas mais seis anos.
O desenvolvimento da mineração impulsiona a economia de Campo Formoso, que também explora rochas ornamentais (quartzitos verdes), muito apreciado no mercado internacional, bem como destaca-se por concentrar a comercialização de esmeraldas, ametistas e outras gemas em uma conhecida "Feira de Pedras Preciosas", que funciona diariamente no município. É importante ressaltar que em Campo Formoso são comercializados ainda artesanato mineral e esculturas em biotita xisto, rocha matriz da esmeralda, os quais são especialidades do município.
Na região Centro Norte está Ourolândia, que abriga o único Arranjo Produtivo Local (APL) de rochas ornamentais da Bahia, onde há uma grande concentração de empresas produtoras do mármore Bege Bahia, também conhecido como Travertino Bahia, o mármore mais vendido no mercado brasileiro.
Nesse APL há um grande número de minas em produção, desde os anos 1960, sendo que a partir do ano 2000 passou a contar com um parque industrial para desdobramento de blocos em chapas, que hoje abriga 46 teares e cerca de setenta empresas especializadas em corte, polimento e produção de ladrilhos, abastecendo todo o país com mármore Bege Bahia e que também atende ao mercado internacional de forma mais modesta.

Na região Centro Sul, o município de Paramirim conta com onze empresas que lavram rochas ornamentais, todas elas para exportação, especialmente os quartzitos, cujas variedades são os "carros-chefes" das rochas brasileiras no mercado mundial.
A RMS (Região Metropolitana de Salvador) abriga inúmeras empresas em sua grande maioria voltadas à produção de minerais de empregos na construção civil, com produção de brita, areia, argila, caulim, além de água mineral. Vale lembrar que, nessa região, no município de Vera Cruz, a Dow Brasil Ltda extrai salgema, cuja mina é a única em atividade no país atualmente. Toda a produção da salgema é transportada, através de salmoroduto, que atravessa a Baía de Todos os Santos, até a unidade de processamento da empresa no município de Candeias.
Pesquisa mineral traduz a perspectiva de novos tempos

O potencial de desenvolvimento da mineração baiana está alicerçado não só no seu conhecimento geológico, mas principalmente na contínua descoberta de novas jazidas e as ações de apoio e incentivo às mineradoras. Nos últimos 10 anos, a Bahia tem sido um dos principais alvos de Requerimentos de Pesquisa no País, figurando sempre entre os dois principais estados na busca de novas jazidas.
Para comprovar a força das pesquisas na Bahia, pode-se citar o expressivo número de Requerimentos de Pesquisa e os Alvarás de Pesquisa publicados pela Agência Nacional de Mineração – ANM.
Em 2024, a Bahia teve 1.828 Requerimentos de Pesquisa solicitados. Foram 485 titulares, entre pessoas físicas e jurídicas, que registraram pesquisa para 54 substâncias. Entre os mais solicitados estiveram os minerais estratégicos, "críticos" ou "portadores de futuro", com ênfase nas terras raras, cobre e lítio. Na sequência, aparecem os minerais metálicos, sendo ferro, ouro, manganês, ilmenita e zinco os mais requisitados. Houve ainda um significativo número de pedidos para minerais industriais, destacando-se a salgema, quartzo e diatomito. Também aparecem com relevância os minerais agregados para construção civil, que cresceram em número de solicitações, além das rochas ornamentais, cujos requerimentos vêm decrescendo desde 2023. Vale lembrar ainda os agrominerais, principalmente o fosfato, do qual a demanda brasileira depende em 60% de importações.
Os números dos Requerimentos de Pesquisa mostram a salgema com a maior procura, respondendo por 16% de todos esses títulos, distribuídos entre apenas 3 requerentes. Dentre os titulares, destaque para a empresa Bahia Verde Mineração Ltda, que sozinha foi responsável por 99% dos registros para salgema. Trata-se de um projeto visando o aproveitamento de salmoura líquida para produção de brometo de sódio, barrilha e, potencialmente, lítio e potássio. Abrange os municípios de Inhambupe, Novo Triunfo, Tucano e Itapicuru com reservas estimadas em 400 bilhões de metros cúbicos de salmoura líquida, contendo diversos compostos químicos.
Na sequência, aparecem as terras raras, responsáveis por 15% dos Requerimentos de Pesquisa, demandados por 27 diferentes titulares, com maior representação da Quantum Lítio Brasil Ltda., hoje especializada em nióbio e titânio.

O terceiro bem mineral mais pleiteado foi o ferro, com 11% dos Requerimentos de Pesquisa, distribuídos por 63 empresas, com a 3D Minerals Ltda solicitando 16% das áreas.
Destaque ainda para o lítio, com 133 registros, tendo como principal requerente a Talisman do Brasil Mineração Ltda.
Na etapa de Alvará de Pesquisa, foram publicados 2.225 títulos, com alvos em 321 municípios e autorizações para 517 empresas iniciarem a investigação de 52 diferentes substâncias minerais.
Os minerais estratégicos aparecem com o maior número de Alvarás publicados, com destaque para terras raras, cobre e lítio. Em seguida, vêm os minerais metálicos, tendo o ferro, ouro e zinco com maior número de autorizações. No grupo ainda estão os minerais industriais, em cuja classe sobressaem os Alvarás para salgema, quartzo e diatomito. Entre as rochas ornamentais, continuam liderando os quartzitos. Para os minerais agregados de emprego direto na construção civil, a areia manteve-se com a maior quantidade desse título. Destaque ainda para os Alvarás que concedem o direito a pesquisa de fosfato e diamante.
A Bahia está em franca expansão e o governo do Estado busca investimentos que tragam projetos com inovação e sustentabilidade. Atrativos naturais, riqueza e diversificação mineral, localização privilegiada, segurança jurídica, além de sistemática de trabalho eficaz e continuada, são atributos que conquistaram reconhecimento e têm atraído a atenção de empresas e países que detêm tradição, experiência e tecnologia voltadas para a exploração mineral.

A mineração é um importante segmento para o desenvolvimento econômico do estado, especialmente por ser um setor intensivo em mão de obra, vez que para cada emprego direto gerado, outros 11 indiretos são criados. Além disso, os municípios produtores de bens minerais e os impactados pelo setor têm sua renda diretamente beneficiada pela Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE), Angelo Almeida, a política mineral adotada pelo governo baiano tem sido voltada para a expansão do setor e a atração de novos investimentos, com ações que têm como objetivo a descoberta de novas jazidas, o diagnóstico eficaz da potencialidade mineral, o desenvolvimento tecnológico, a implantação de infraestrutura viária e energética, mediação de conflitos, apoio junto aos órgãos ambientais (IBAMA e INEMA), à agência reguladora (ANM) e instituições financeiras, criando condições para viabilizar empreendimentos privados no setor.
Em mais de cinco décadas de atuação, o governo do Estado promoveu o conhecimento geológico de modo permanente e sistemático em todo o território baiano, fazendo da Bahia um dos estados brasileiros mais bem estudados geologicamente. Dentre os planos, estudos e projetos setoriais destinados ao fomento da atividade de mineração em andamento, encontra-se pronto o Termo de Referência para a elaboração da Política Mineral da Bahia. Além disso, vale destacar que, na Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC) de 2024 e 2025, a SDE iniciou diálogos e parcerias com Universidades Canadenses, explica Angelo Almeida.
O objetivo da secretaria e das universidades é assinar Termos de Acordo de Cooperação Internacional, com foco no treinamento de profissionais de geociências, que atuam no Estado, para o desenvolvimento de pesquisas e colaborações para a exploração mineral, minerais críticos e estratégicos, estudos geofísicos para caracterização de novos depósitos e sustentabilidade ambiental.
O trabalho foi iniciado quando a Western Ontario University esteve na Bahia com um grupo de estudantes e pesquisadores do Departamento de Ciências da Terra, para visita à Província Mineral do Nordeste do Estado da Bahia, área de maior produção mineral do estado. Atualmente, também está em andamento uma Cooperação Técnica com outra universidade canadense – a Brock University.
Bom volume de investimentos
No ano de 2024, os investimentos globais foram bastante heterogêneos, com maiores fluxos na sustentabilidade, especialmente para a transição energética, com destaque em tecnologias de energia limpa, incluindo as renováveis, seguido dos investimentos em inteligência artificial e de capital de risco.
No setor mineral, os investimentos tiveram incremento de 13,4%, devendo chegar a cerca US$ 64,5 bilhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) para o período de 2024 a 2028. Como alvos, destacaram-se a produção de minério de ferro, projetos socioambientais, logística e minerais para a transição energética, em especial o lítio e as terras raras.
Os principais destinos dos investimentos em mineração no País, ainda segundo o IBRAM, vão para os estados de Minas Gerais, com US$ 17,23 bilhões (30,6% do total), o Pará, com US$ 15,72 bilhões (16,1%), vindo na sequência a Bahia, com previsão de investimentos de US$ 9 bilhões.
Em 2024, os investimentos do Governo da Bahia totalizaram mais de R$ 26 milhões em atividades de apoio, fomento, mapeamento e estudos, enquanto os Protocolos de Intenção assinados entre mineradoras e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), totalizam mais de R$ 4 bilhões, voltados para projetos de produção de grafita, água mineral, concentrado fosfático, concentrado de óxido de terras raras e bentonita ativada.
Além disso, as mineradoras em operação no estado realizaram investimentos significativos, que chegaram a cerca de R$ 3 bilhões no ano em foco. Entre os investimentos recentes, vale ressaltar:
Largo Vanádio de Maracás S.A, com expansão de suas operações para titânio - aporte de US$ 500 milhões em uma fábrica de pigmento de dióxido de titânio e na expansão de sua planta de ilmenita. meira etapa a implantação de uma unidade destinada à fabricação de concentrado mineral de óxidos de terras raras, com investimentos de R$ 500 milhões. O projeto prevê avançar na cadeia de produção, verticalizando cada vez mais a produção e agregando mais valor ao produto no estado. Em uma segunda fase, está prevista planta industrial para separação de óxidos de terras raras, na qual serão investidos R$ 3 bilhões, com capacidade inicial de produção de 15 mil toneladas/ano e potencial de expansão de capacidade para 55 mil toneladas/ano.
Santa Fé Mineração S.A, voltado para exploração de minério de ferro. A Santa Fé está desenvolvendo um projeto de minério de ferro de classe mundial na região sudoeste da Bahia nos municípios de Brumado e Livramento de Nossa Senhora. A pesquisa e implantação da unidade de produção de pellet feed têm investimento de cerca de dois bilhões de reais e em pleno funcionamento deverão gerar cerca de 1.000 empregos, no município de Livramento de Nossa Senhora e em municípios vizinhos. A planta de pellet feed trabalhará com minério de alto teor, com 65% de ferro e capacidade nominal instalada de um milhão de toneladas por ano, com plano de chegar a 10 milhões de toneladas/ano.
Borborema Mineração, que possui Protocolo de Intenção assinado com a SDE, está desenvolvendo projeto para terras raras nos municípios de Ubaíra e Jiquiriçá. A operação, prevista para começar no ano de 2028, terá como primeira etapa a implantação de uma unidade destinada à fabricação de concentrado mineral de óxidos de terras raras.
A Energy Fuels Brazil Ltda tem projeto de pesquisa na região de Prado e Curumuxatiba. O Projeto de Terras Raras e Minerais Pesados na Bahia está localizado no extremo sul do estado, nos municípios de Prado e Caravelas. Os estudos realizados pela empresa demonstram que as áreas contam com quantidades significativas de minerais pesados, incluindo monazita. O objetivo é alimentar a cadeia de fornecimento de elementos de terras raras da Energy Fuels, nos EUA. Os estudos indicam também concentrações significativas de titânio (ilmenita e rutilo), zircônio (zircão) e elementos de terras raras (monazita), com potencial para fornecer cerca de 3.000-10.000 toneladas por ano de concentrado de areia de monazita, juntamente com 1.500-5.000 toneladas de óxidos de terras raras totais por ano. A mineralização é superficial, o que significa que o material deve ser relativamente fácil de ser extraído, usando técnicas padrão de mineração de baixo custo.

A Brasil Grafite Ltda (BGSA), que assinou Protocolo de Intenção com a SDE desde 2023, é subsidiária da South Star Battery Metals Corp. (Canadense) e está voltada para a implantação do Projeto Grafite Santa Cruz, nos municípios de Eunápolis e Itabela. Tem investimento inicial de US$ 7,3 milhões e outros R$ 27,2 milhões em expansão futura. O projeto possui reservas provadas de 3,98 milhões de toneladas, em uma mina a céu aberto com expectativa de vida útil de 12 anos, devendo gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos. Na fase 1, que foi inaugurada em fins de 2024, a mina deverá produzir 5 mil toneladas de grafite por ano, nos dois primeiros anos de produção e outras 25 mil toneladas/ano, a partir do quarto ano de operação. Na fase 2, projetada para atender à crescente demanda, a produção será ampliada para 30 mil toneladas anuais, com previsão de início em 2026. A fase 3 deve iniciar produção por volta de 2027/2028, com a capacidade aumentada para 50 mil toneladas por ano, graças à instalação de um segundo módulo com investimento previsto entre US$ 28 milhões e US$ 32 milhões.
Outras empresas do setor vêm anunciando investimentos significativos na Bahia, o que aponta para uma expectativa de crescimento e expansão da atividade mineral para impulsionar o crescimento do setor no estado. É o caso da Galvani (em Irecê e Luiz Eduardo Magalhães), da Ferbasa (em Campo Formoso), da Brazil Iron (na Chapada Diamantina), da Bamin (em Caetité), além de outros.
Por fim, é importante ressaltar que o estado reúne excelentes condições para negócios e apresenta inúmeras oportunidades na área mineral, mantendo-se na busca por investimentos que tragam projetos com inovação e sustentabilidade.
ESTRUTURA GOVERNAMENTAL DO SETOR MINERAL DA BAHIA
A estrutura administrativa do Estado para executar sua política mineral, é formada por um órgão da administração direta, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico – SDE, à qual está subordinada a empresa Companhia Baiana de Pesquisa Mineral.
Em sua estrutura organizacional, a SDE conta com uma Coordenação de Mineração, Petróleo e Gás - COMINP, a quem compete: propor e implementar as políticas para a mineração, transformação mineral e indústria de petróleo e gás; elaborar planos, estudos e projetos setoriais destinados ao fomento da atividade de mineração e da indústria petrolífera no Estado, inclusive em parceria com entes públicos e privados; articular ações que objetivem a atração de investimentos nas indústrias de transformação mineral e de petróleo e gás; acompanhar os procedimentos de outorga do setor mineral; manter base de dados de empresas e estabelecimentos de mineração, transformação mineral e produção de petróleo e gás; acompanhar o desempenho econômico do segmento de mineração no Estado; realizar estudos e coordenar e apoiar as atividades do Museu Geológico da Bahia e do Centro Gemológico da Bahia.
Cabe à COMINP o acompanhamento do desempenho econômico da mineração baiana, bem como a realização de estudos para a atração de investimentos. Para tanto, mantém um banco de dados de empresas e estabelecimentos de mineração e produção de petróleo e gás, por meio do qual monitora a produção mineral baiana, a partir de indicadores como o PMBC (Produção Mineral Baiana Comercializada), bem como os procedimentos de outorga. A SDE publica um "Sumário Mineral" mensal com os principais números da mineração baiana. A Secretaria, sempre por intermédio da COMINP, ainda avalia o desempenho do setor no estado, anualmente, como o "Desempenho da Mineração", produz notas técnicas sob demanda e realiza estudos sobre a atividade minerária e sua importância socioeconômica para a Bahia e centenas de seus municípios.
O Museu Geológico da Bahia - MGB, instalado no principal circuito de museus de Salvador, é um espaço de disseminação da geologia, história geológica e patrimônio mineral da Bahia, bem como conta, através dos fósseis, a história dos seres pré-históricos que habitaram a território baiano, com várias exposições temáticas.
O MGB, que recebe mais de 3 mil visitantes/mês, trabalha com dois projetos de difusão do conhecimento geológico baiano, o Programa Museu Escola Comunidade – PMEC e o Programa Exposição Itinerante – PEI.

As ações do PMEC são direcionadas às instituições de ensino público e privado, desde a educação infantil ao ensino superior e a outros grupos que desenvolvem atividades sociais e/ou culturais, visando transmitir os conhecimentos básicos da geologia, despertar no cidadão uma mentalidade científica e fazer refletir sobre os recursos minerais do subsolo da Bahia.
Já o PEI leva o Museu, com suas exposições selecionadas, para as instituições públicas e privadas da Bahia. Atende não só às comunidades de Salvador, como também as do interior baiano, promovendo e divulgando as geociências, bem como os recursos minerais da Bahia, com foco especial em municípios mineradores.
Através do Centro Gemológico da Bahia (CGB), o governo da Bahia atua na avaliação, pesquisa, difusão e valorização das gemas e joias do estado, além de promover cursos, treinamentos e oficinas de ourivesaria, lapidação e artesanato mineral, visando difundir o aprendizado na arte joalheira e especialmente com foco na geração de emprego e renda.
O Centro possui um laboratório gemológico com equipamentos de precisão, emitindo laudos, pareceres e certificados de autenticidade das gemas. O Laboratório Gemológico do CGB é o único do Norte-Nordeste que faz parte da Rede IBGM de Laboratórios Gemológicos. Os certificados emitidos pelo Centro Gemológico são reconhecidos internacionalmente, vez que a instituição é integrante da Rede IBGM, que é credenciada pela CIBJO - Confédération International de la Bijouterie, Joaillerie, Orfèvrierie des Diamantes, Perles et Pierres - entidade internacional reguladora do segmento joalheiro no mundo.
A identificação de oportunidades de investimentos vem tendo como base o trabalho de mapeamento geológico sistemático e prospecção geoquímica e geofísica. A Bahia, com um trabalho contínuo realizado pela CBPM, conta hoje com um mapeamento geológico de 100% na escala 1:250.000, disponível em meio digital, permitindo ao usuário manipular e reprocessar informações; além disso, tem mais de 50% do seu território mapeado em escala de 1:100.000, possuindo um mapa geológico integrado, digitalizado em 350 camadas de informações que mostram toda a diversidade dos seus domínios.
O território baiano é totalmente coberto por levantamentos aerogeofísicos regionais pelos métodos magnetométricos e gamaespectrométricos. Em 2023, um novo ciclo de levantamentos aerogeofísicos foi iniciado no estado, desta vez com aplicação de novas tecnologias e recobrindo o extremo norte da Bahia, detentor de importantes depósitos minerais. Nesta região, destaque para a identificação de um significativo depósito de Fe-Ti-V associado ao Complexo máfico-ultramáfico de Campo Alegre de Lourdes, um expressivo depósito de rochas fosfáticas associadas ao Complexo Carbonatítico de Angicos Dias, bem como o depósito magmático de sulfetos de Ni-Cu denominado Caboclo dos Mangueiros.
