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VALE 40 ANOS AMAZÔNIA

Com investimentos de R$ 70 bilhões, plano novo Carajás deve ampliar produção de minério de ferro e cobre na região

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 450Páginas 6-18
Projeto Novo Carajas - Mina S11D

No ano em que completa 40 anos do primeiro embarque de minério de ferro proveniente da mina de Carajás, a Vale desenhou um ambicioso plano de expansão na região, denominado Novo Carajás, para o qual estão previstos investimentos da ordem de R$ 70 bilhões, no período de 2025 a 2030. O plano está voltado principalmente ao aumento da produção de minério de ferro e expansão da produção de cobre. A expectativa é que o plano de expansão possa gerar um impacto significativo na economia do Pará, com estimativas de R$ 80 a R$ 100 bilhões por ano e um aumento de R$ 15 bilhões nas exportações do estado.

A Vale admite que a expansão na Amazônia, especialmente a duplicação da Estrada de Ferro Carajás, tem gerado controvérsias e desafios, incluindo impactos em terras indígenas e comunidades locais, e que tem enfrentado críticas e discussões sobre seus pedidos de exploração em terras indígenas e o relacionamento com esses povos.

Canaã dos Carajás PA - Pátio de estocagem no projeto Serra Sul - S11D
Canaã dos Carajás PA - Pátio de estocagem no projeto Serra Sul - S11D (Foto: Breno Pompeu)

No entanto, segundo a empresa, o seu plano na Amazônia “é um grande investimento para aumentar a produção de minerais estratégicos para a transição energética global, ao mesmo tempo em que busca alinhar essa expansão com uma agenda de sustentabilidade e desenvolvimento econômico regional”.

Uma das iniciativas na região contempla mineração circular, como é o caso do projeto Gelado, já em operação. Até 2030, a Vale prevê que 10% de sua produção total de minério de ferro seja composta por produtos de mineração circular.

“O Projeto Gelado, que deverá atingir até 2030, uma produção de 6 milhões t/ano, resultante do reaproveitamento de rejeito, terá um papel fundamental nessa meta, em direção a uma mineração sem rejeitos e produtos com baixa pegada de carbono”, destaca Gildiney Sales, diretor do Corredor Norte da Vale. Com investimento de US$ 428 milhões, o Projeto Gelado produz minério a partir do reaproveitamento de rejeitos acumulados na barragem do Gelado ao longo dos 40 anos de operação da Vale em Carajás.

Além disso, a previsão é que, até 2027, 100% da produção de minério de ferro no Pará seja feita sem uso de água. Atualmente, 90% da produção de minério de ferro no Estado, que envolve as operações Serra Norte, Serra Sul (S11D) e Serra Leste, já operam a seco, sem o uso de água.

200 milhões de toneladas de minério de ferro

Em minério de ferro, a expectativa é que a capacidade de produção evolua para 200 milhões de toneladas/ano até 2030, adicionando 20 milhões t de capacidade na mina Serra Sul (S11D), compensando o esgotamento de outras minas que atualmente estão em operação. O objetivo da Vale é manter elevados níveis de produção em Carajás, porque o minério de ferro de alta qualidade é considerado crucial para a produção do chamado “aço verde”, com menor pegada de carbono. Hoje, graças ao Sistema Norte, a Vale tem pelo menos dois produtos considerados nobres no mercado, que são os Finos de Carajás (um produto com 65% Fe e baixos níveis de contaminantes como sílica, alumina e outros) e o Brazilian Blend Fines (com 62% Fe e baixa alumina, produzido a partir da mistura dos finos de Carajás e minério com alta sílica).

Atualmente, o Sistema Norte é responsável por mais da metade da produção de minério de ferro da Vale. Em 2024, de um total de 328 milhões de toneladas produzidas pela empresa, 177,5 milhões t foram aportadas pelos três complexos localizados no estado do Pará, sendo cerca de 94,5 milhões de toneladas em Serra Norte (incluindo Serra Leste) e 83 milhões t no complexo S11D.

De acordo com a empresa, o plano Novo Carajás “enfatiza a mineração a seco, uma abordagem tecnológica que busca um modelo de mineração mais responsável, especialmente por estar na Amazônia, em resposta a preocupações crescentes com segurança e meio ambiente”. Além disso, a Vale afirma que “se compromete a proteger a Amazônia em colaboração com comunidades locais, especialistas e organizações, e apoia iniciativas de bioeconomia na região”.

Atualmente a Vale possui três complexos de mineração de ferro em Carajás: o complexo da Serra Norte (que completou 40 anos de operação), o Serra Sul, conhecido como S11D, que opera desde 2016, e o Serra Leste, de operação mais recente, que produz desde 2014. Além disso, a empresa tem um projeto greenfield, ainda em fase de estudos de pré-viabilidade, que é o Serra do Rabo.

Em Serra Norte, as concessões minerárias abrangem uma área de 30 mil hectares, todas inseridas na área da FLONACA (Floresta Nacional de Carajás), enquanto Serra Sul tem 98.910 hectares (incluindo a área do projeto Serra do Rabo) e Serra Leste 9.915 hectares.

Complexo Serra Norte

O complexo Serra Norte, que abrange cinco corpos de minério (N1, N2, N3, N4 e N5) está localizado no município de Parauapebas (PA), contando atualmente com recursos de 3,01 bilhões de toneladas de minério, com teor médio de 66,0% de ferro. Já as reservas (provadas e prováveis) totalizam 1,568 bilhão de toneladas, com teor médio de 64,8% Fe.

As operações em Serra Norte, que foram iniciadas em 1984, tendo o primeiro carregamento de minério ocorrido no primeiro trimestre de 1985, compreendem mineração a céu aberto, em que é lavrado o minério hematita com teor de ferro em torno de 65%. Além da extração a céu aberto, em Serra Norte é lavrado o minério contido na barragem de rejeitos de Gelado, já mencionada, com cerca de 63% Fe.

A lavra na mina é executada com escavadeiras de grande porte, sendo o transporte realizado por caminhões fora de estrada de alta capacidade, uma parte dos quais são autônomos, já que em 2021 a empresa introduziu 14 caminhões autônomos para transporte do material e há previsão de serem acrescentadas novas unidades desses equipamentos a partir de 2026. Para minimizar os custos de transporte, em algumas partes da mina são utilizados britadores nas frentes de lavra, sendo o minério transportado em um trecho por transportadores de correias.

Desde 1984, quando foram iniciadas as operações, as minas da Serra Norte estão sendo expandidas – lateralmente e em profundidade – ocorrendo lavra simultânea em várias frentes, em diferentes corpos de minério. Em razão disso, a distância de transporte está aumentando, o que motivou a introdução de britadores e correias transportadoras para o minério bruto nas frentes de lavra, a fim de reduzir a distância de transporte. E há projetos para a instalação de novos britadores, com o mesmo objetivo. Há projetos para introdução de novos britadores e correias transportadoras também para o estéril. Nas zonas onde há necessidade de controle de vibração no desmonte de rochas, a Vale utiliza mineradores contínuos. O plano atual de lavra em Serra Norte prevê uma vida útil de 2025 até 2045, o que envolve a abertura de novas frentes de lavra nos corpos de minério N1, N2 e N3.

Canaã dos Carajás PA - Pilha pulmão no projeto Serra Sul - S11D
Canaã dos Carajás PA - Pilha pulmão no projeto Serra Sul - S11D (Foto: Breno Pompeu)

O processamento do minério na Serra Norte é realizado em três usinas de beneficiamento, sendo que duas delas utilizam o processamento a seco (operações de britagem e peneiramento), enquanto a terceira opera com processamento misto: uma linha totalmente a seco e outra por via úmida. É que esta última processa também o minério extraído da barragem de rejeitos do Gelado. O beneficiamento por via úmida inclui operações de britagem, peneiramento, hidrociclonagem, concentração magnética, espessamento e filtragem. Os produtos gerados nas usinas da Serra Norte são sínter feed, pellet feed e granulado, ao contrário de Serra Sul e Serra Leste, que produzem apenas sínter feed. As capacidades instaladas das três usinas são de 85 milhões t/ano, 40 milhões t/ano e 20 milhões t/ano, respectivamente. A linha que processa os rejeitos da barragem do Gelado tem capacidade para 14 milhões t/ano. Esta usina deverá ser convertida totalmente para processamento a seco, com previsão de conclusão do projeto entre 2026 e 2027.

O apoio às operações em Serra Norte é dado principalmente a partir do município de Parauapebas, cidade com uma população de 213 mil pessoas (dados de 2020) e que disputa com Canaã dos Carajás o posto de maior arrecadador de CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração Mineral). Lá estão localizadas as estruturas de várias empresas que fornecem bens e serviços para a Vale na região de Carajás. Uma parte dos funcionários da Vale está alocada no Núcleo Urbano de Carajás, enquanto o restante reside em Parauapebas.

Complexo Serra Sul

O complexo Serra Sul, em produção desde 2016, integra o Sistema Norte da Vale e está localizado no município de Canaã dos Carajás. As operações de lavra estão concentradas na jazida S11, que contém os corpos de minério A, B, C e D, sendo que atualmente está sendo lavrado apenas o corpo D, daí o nome do empreendimento: S11D. Os recursos minerais na Serra Sul somam aproximadamente 1,910 bilhão de toneladas com teor médio de 65,2% Fe, enquanto as reservas (provadas e prováveis) totalizam 3,4 bilhões de toneladas, a 65,4% Fe. A Vale alerta, no entanto, que os cálculos atuais de recursos e reservas abrangem apenas os corpos C e D, indicando que o potencial é bem maior.

A Vale está avançando na expansão da Unidade Serra Sul (S11D) com o projeto Serra Sul +20, uma das iniciativas que integram o programa Novo Carajás, que vai ampliar a produção de minério de ferro. Com investimentos de US$ 2,8 bilhões, o Serra Sul +20 tem como objetivo aumentar a capacidade da mina-usina em mais 20 milhões de toneladas/ano. Segundo a Vale, o projeto já atingiu 73% de avanço físico – na fase atual, já foi realizada a conexão da Britagem Semi Móvel no sistema produtivo e estava prevista a retomada dos testes com carga no segundo trimestre de 2025. Além disso, a montagem da correia transportadora de longa distância está progredindo conforme o planejado e, na usina, as montagens dos prédios da Britagem Secundária e outros edifícios estão em andamento. A conclusão dos trabalhos está prevista para o segundo semestre de 2026.

O projeto consiste na abertura de novas áreas de lavra, duplicação do transportador de correia de longa distância (TCLD) e implantação de novas linhas de beneficiamento. Também está prevista a ampliação das áreas de estocagem e dos equipamentos de mina, a expansão da oficina de manutenção, entre outros prédios e obras.

Canaã dos Carajás (PA), caminhão fora de estrada
Canaã dos Carajás (PA), caminhão fora de estrada (Foto: Ricardo Teles)

Assim como na Serra Norte, a lavra no S11D é realizada a céu aberto, através de quatro sistemas móveis de britagem que atuam em conjunto com correias transportadoras que se movimentam ao longo das bancadas à medida que a lavra avança em zonas favoráveis. Nos locais onde a lavra através dos sistemas móveis não é viável, são utilizados métodos tradicionais de caminhão-escavadeira para extração do minério e estéril. O transporte da mina até a usina é feito por sistemas de correias transportadoras de longa distância (TCLD).

Atualmente existem três linhas de processamento de minério, cada uma com 30 milhões t/ano de capacidade, somando uma capacidade total de 90 milhões t/ ano. Com os projetos que estão sendo implementados pela Vale, a capacidade do complexo S11D deve aumentar para 120 milhões t/ano. Para isso, estão sendo avaliadas novas áreas adicionais de lavra. Como o processamento de minério na usina é 100% a seco, não há necessidade de sistema de disposição de rejeitos.

Uma das características ressaltadas pela Vale no projeto S11D é o seu impacto ambiental mínimo em áreas de mata virgem, o que motivou a substituição de caminhões por correias transportadoras no transporte do minério. Ainda segundo a empresa, “as pilhas de estéril também estão localizadas fora da área de mata e possuem sistema aspersor para disposiçã o do estéril.

A produçã o de minério do S11D é transportada pela ferrovia do sudeste do Pará, que se conecta à Estrada de Ferro Carajás, que leva o material até o porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), construído e operado pela Vale.

A base de apoio às operações do S11D é o município de Canaã dos Carajás (PA), que em 2022 contava com uma população estimada em cerca de 77 mil pessoas. A grande maioria dos funcionários desse complexo reside no núcleo urbano de Canaã dos Carajás.

A importância da logística

A Estrada de Ferro Carajás (EFC), inaugurada em 1985, pelo então presidente da República general João Batista Figueiredo, com extensão de 892 km e que liga os complexos de produção mineral ao porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, é essencial para que a Vale consiga colocar o minério proveniente de suas minas do Sistema Norte no mercado transoceânico, principalmente a China, que atualmente recebe a maior parte das exportações de minério da Vale.

De acordo com a empresa, em 2024 a EFC transportou um total de 178,4 milhões de toneladas de minério de ferro e mais 16,6 milhões de toneladas de outras cargas, além de 423 mil passageiros. Pela estrada de ferro trafegam os maiores trens – em termos de capacidade – da América Latina, com extensão de aproximadamente 3,4 quilômetros, um total de 330 vagões, com peso de 34,6 mil toneladas brutas quando carregado. Para movimentar os trens, a empresa conta com uma frota de 296 locomotivas. A frota de vagões, operados pela própria Vale e por terceiros, soma 21.739 unidades. A EFC é operada sob o regime de contrato de concessão, que foi recentemente renovado com o governo federal até o ano de 2057.

O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, que é privativo da Vale, possui três Píers, que podem receber navios de 180 mil até 420 mil DWT (tonelagem bruta de transporte) e tem capacidade máxima de carregamento de 16 mil toneladas por hora (caso dos Píers I e IV), com cinco berços de atracação. O Píer III, que conta com dois ancoradouros e três carregadores, pode acomodar navios de até 210 mil DWT em seu berço sul e de 180 mil DWT no berço norte (ou dois navios de 180 DWT simultaneamente). O Píer IV (berço sul) pode receber navios de até 420 mil DWT e possui dois carregadores de navios que funcionam alternadamente, com taxa de carregamento de 16 mil toneladas por hora. O Píer berço norte do Píer IV, que opera desde 2018, também recebe navios de até 420 DWT e possui dois carregadores de navios.

Faz parte também da estrutura do Terminal Portuário de Ponta da Madeira um pátio de armazenamento, com capacidade estática de 7,2 milhões de toneladas. O contrato de autorização que a Vale possui para operação do terminal vai até 2039 e pode ser prorrogado sucessivamente, sob regulação e supervisão da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Descarbonização das operações

“A Vale promove a descarbonização de suas operações e atua para oferecer soluções que ajudem os clientes a reduzir suas emissões de carbono. No caso das nossas operações, podemos citar o exemplo do Projeto Gelado, que introduziu várias inovações tecnológicas, como o uso de dragas e bombas elétricas que são alimentadas por eletricidade proveniente de fontes renováveis, eliminando a emissão de CO2”, afirma Gildiney Sales.

Gildiney Sales, Diretor do Corredor Norte Vale
Gildiney Sales, Diretor do Corredor Norte Vale (Crédito: Elienai Araújo)

Ainda segundo o Diretor, “no caso do S11D, o sistema de produção envolve escavadeiras elétricas, correias transportadoras e britadores móveis, que reduz o número de caminhões fora de estrada na operação. Quando comparada a uma mina convencional, que utiliza água no processo de mineração e onde predomina o uso de caminhões fora de estrada, as tecnologias adotadas na operação permitem ganhos ambientais significativos, como redução em 95% do consumo de água e 73% em relação a consumo de energia e a redução da emissão de gases do efeito estufa em cerca de 40%”.

Inovações tecnológicas nos processos

A Vale afirma que investe continuamente em inovações tecnológicas em seus processos, citando como um bom exemplo o uso de Inteligência Artificial na Estrada de Ferro Carajás (EFC), com foco em segurança e previsibilidade de falhas em trilhos e rodeiros. Sensores instalados ao lado da via monitoram desgastes e impacto dos rodeiros coletando dados relacionados à temperatura e ruído. Com a ajuda de IA, os dados coletados são utilizados para gerar modelos que dão ao time de manutenção uma visão do comportamento dos rodeiros para os 30 dias seguintes.

Outra aplicação mencionada tem foco em mobilidade segura. Cancelas eletrônicas com câmeras e sensores operam cancelas automáticas e, caso seja detectada movimentação de pessoas ou objetos durante a restrição de cruzamento, o sistema emite alertas e aciona mecanismos de prevenção, que podem incluir a parada da circulação dos trens.

Iniciativas como estas fizeram com que a EFC fosse classificada em primeiro lugar na categoria “vias seguras”, na última edição do prêmio “destaques” da ANTT, realizado em dezembro de 2024. O reconhecimento foi dado à EFC devido ao “monitoramento inteligente e redução de riscos em passagens em nível com uso de Inteligência Artificial”.

A vez do cobre

Com o objetivo de atender à crescente demanda impulsionada pela transição energética global e aumento da instalação de data centers, a Vale está acelerando a extração de cobre na Amazônia. A previsão é que a produção aumente para 380 mil toneladas/ano, nos próximos anos, porém a meta é mais ambiciosa: chegar ao nível de 700 mil toneladas/ano até 2035 com a implantação de novos projetos.

Para a empresa, o cobre tem um sólido perfil de crescimento de longo prazo, impulsionado pela industrializaçã o, construçã o e expansão da infraestrutura da rede elétrica. “Governos de todo o mundo estabeleceram metas ambiciosas de descarbonizaçã o que, juntamente com a queda dos custos de energia renovável e economia verde e investimentos de estímulo, serão cruciais para o uso mais intensivo de cobre em energia renovável e projetos de infraestrutura relacionados a veículos elétricos. Temos grandes oportunidades para expandir nossos negócios de cobre por meio do crescimento orgânico. Temos um forte portfólio de ativos de cobre e pretendemos desenvolver um plano plurianual de expansão de cobre, especialmente com Salobo III e Alemão, que apoiarão nosso objetivo estratégico de até 380 mil toneladas por ano de capacidade de produçã o até 2026. Além desses projetos, temos outras oportunidades de crescer no futuro, como o projeto Alemão, ou mesmo alavancar o conhecimento e a logística já existentes na região de Carajás”, afirma a companhia.

Lançamento do Programa Novo Carajás
Lançamento do Programa Novo Carajás

Para ampliar seus níveis de produção de cobre, a Vale conta com projetos — como o Cristalino – que podem adicionar entre 70 mil e 90 mil toneladas de cobre anuais por um período de 22 anos. Como já mencionado, a meta da Vale é aumentar a capacidade de cobre para 700 mil toneladas até 2035, com a maior parte vindo do sudeste do Pará.

Atualmente, na região de Carajás, a Vale possui dois complexos de mineração e três projetos no pipeline. Os complexos em operação são Salobo (a principal operação de cobre instalada no Brasil) e Sossego, que tem quatro minas a céu aberto (Sossego, Sequeirinho Pista e Mata II) e uma unidade de processamento, que no futuro deve processar minério proveniente dos depósitos 118, Cristalino, Bacaba, Barão e Visconde). Já os projetos planejados são Alemão, Paulo Afonso (que inclui os depósitos Polo, Gameleira e Grota Funda) e Furnas.

Em 2024, como informa a Vale, Salobo produziu 199,8 mil toneladas de cobre, enquanto Sossego obteve uma produção de 65,4 mil toneladas. Como uma das características importantes dos depósitos de cobre de Carajás é o bom teor de ouro, a empresa também tem registrado bons níveis de produção. Salobo, por exemplo, produziu em 2024 um total de 362 mil onças de ouro contido nos concentrados de cobre, enquanto Sossego obteve uma produção de 45 mil onças do metal, também nos concentrados. 75% de todo o ouro obtido na produção de cobre em Salobo é repassado para a Wheaton Precious Metals Corp., com quem a Vale tem um contrato vigente durante toda a vida útil da mina, tendo recebido parte do pagamento adiantado.

Parauapebas (PA), Floresta de Carajás
Parauapebas (PA), Floresta de Carajás (Foto: Ricardo Teles)

O complexo de Sossego é o mais antigo da Vale, tendo iniciado operação em 2004, enquanto Salobo começou a operar em 2012. Ambos são depósitos de óxido de ferro-cobre-ouro (IOCG), em que o cobre e o ouro são os principais elementos de interesse econômico, e explorados a céu aberto. Este é o caso também dos depósitos Alemão (localizado na Floresta Nacional de Carajás, onde deverá ser implantada uma mina subterrânea), de Paulo Afonso e de Furnas. Paulo Afonso deverá ser lavrado de forma mista, ou seja: mina a céu aberto e subterrânea, enquanto para Furnas a previsão é de uma mina subterrânea. Os projetos Alemão e Paulo Afonso encontram-se atualmente na fase de estudos de viabilidade e Furnas está ainda em exploração.

Em Sossego, o minério proveniente das diversas frentes de lavra é processado numa usina com operações de britagem, moagem, flotação e desaguamento do concentrado, enquanto em Salobo o processamento inclui etapas de britagem (primária e secundária), transporte, moagem com prensa de rolos, moagem com moinhos de bolas, flotação do concentrado de cobre, espessamento, filtragem e carregamento. Os rejeitos são dispostos em uma barragem.

Em junho de 2025, a Vale obteve a Licença Prévia para o projeto de cobre Bacaba, que visa prolongar a vida útil do Complexo Minerador de Sossego, além de contribuir com uma produção média anual de aproximadamente 50 mil t/ano de cobre ao longo de oito anos de operação. A extração de minério de cobre estimada para a fase de operação da mina é de aproximadamente 68,8 milhões de toneladas. Serão investidos aproximadamente US$ 290 milhões durante a etapa de implantação do projeto e o início da produção está planejado para o primeiro semestre de 2028.

Operação de lavra de rejeito com minério da barragem do Gelado
Operação de lavra de rejeito com minério da barragem do Gelado

Para o projeto Alemão, a expectativa é que se tenha instalações de britagem, moagem por moinho de bolas, flotação do concentrado de cobre, concentração magnética, filtragem e disposição de rejeitos.

As operaçõ es em Salobo foram iniciadas em 2009, com o pré-stripping da mina a céu aberto e o primeiro concentrado foi produzido em 2012. Desde esse período as instalações da usina foram melhoradas ou ampliadas duas vezes. A primeira melhoria ocorreu em 2014, com a adiçã o de uma segunda linha de produçã o, e a segunda em 2023, com foco no aumento da produçã o por meio de adiçã o da terceira linha de produçã o.

A lavra na mina é realizada pelo sistema de caminhões-escavadeiras e pelo método a céu aberto, com uma vida útil planejada de aproximadamente 22 anos, terminando em 2047. A planta de beneficiamento, no entanto, deve continuar operando, com material retomado das pilhas de estoque, até 2054.

Conforme a Vale, com a expansão de Salobo 3 o cronograma de produçã o da mina do caso base envolve a movimentaçã o de 126 milhões t/ano para alimentar uma capacidade de processamento expandida de 36 milhões t/ ano, processando uma parte do minério que teria sido estocado no plano de produçã o anterior de 24 milhões t/ano. A usina de beneficiamento foi projetada para operar 365 dias por ano. São três linhas de produção, cada uma com capacidade de 12 milhões t/ ano, totalizando 36 milhões t/ano.

Os recursos minerais em Salobo totalizam 1,234 bilhão de toneladas de minério com teor variando de 0,35% a 0,50% Cu e 0,17 a 0,30 gramas por toneladas de Au. Já as reservas provadas e prováveis somam 951,9 milhões t, com teores de 0,61% Cu e 0,35 g/t Au.

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