Quando fundou a Sotepa, nos idos de 1960, contando inicialmente com apenas um trator, Gumercindo Machado provavelmente não imaginou que estaria dando origem a um dos maiores players da atualidade atuando na prestação de serviços de movimentação de solo e rocha, com predominância no setor mineral - a U&M, que está completando meio século de atuação.
A empresa nasceu formalmente em 1975, fruto da união de duas outras empresas da mesma família: a Módulo, sucessora da Sotepa, e a Unienge, que era controlada por um filho de Gumercindo, Renato Machado.
Ao completar 50 anos, a U&M continua movida pelo sonho de ser a melhor empresa do mundo em movimentação de terra. Hoje, além de ser uma das maiores, ela é certamente a brasileira com maior expertise internacional na área de mineração, tendo atuado em países difíceis como a Zâmbia, na África, onde operou por vários anos uma mina de cobre de grande escala.

Cacife para alcançar o sonho não falta para essa empresa de origem familiar que ao longo do tempo se modernizou e se transformou em uma grande companhia, embora sem perder os valores que adota e preserva desde sua origem: Segurança e cuidado com as pessoas, Confiabilidade, Simplicidade, Ousadia e Inovação. Segurança e cuidado com as pessoas, porque segundo os dirigentes da U&M são elas que na realidade fazem a empresa; Confiabilidade, porque considera que sua imagem junto ao mercado e aos seus funcionários é muito importante; Simplicidade no trato com as pessoas, nos processos, em tudo que o que faz — uma espécie de marca registrada da U&M — porque julga que a burocracia deve ser evitada a qualquer custo, pois muitas vezes a complicação é uma arma de quem não sabe fazer as coisas direito; Ousadia e Inovação (outros dois valores que a diferenciam no mercado), porque não tem receio de fazer as coisas de forma diferente e porque considera que inovar é um caminho para a eficiência, principalmente num setor tradicional como é o da movimentação de terra. Dois bons exemplos desse espírito inovador são os projetos de desenvolvimento de tecnologia para tornar modelos antigos de caminhões em veículos autônomos e híbridos.
Opção pelo grande

A U&M foi a primeira empresa do ramo no Brasil a investir em grandes equipamentos e numa grande estrutura de manutenção e de treinamento próprio. Essa habilidade de formar pessoas, de ousar, de trabalhar de uma maneira diferente, formar gente, modificar os equipamentos, fazer a manutenção de um jeito que entende ser o melhor, foi o que trouxe a empresa até aqui, conforme seus dirigentes (*). Eles ressaltam que a empresa tem uma cultura que demorou anos para se formar. Mas são valores da família que a fundou e que mantêm a U&M até hoje, estando presente em cada ação das pessoas envolvidas com a empresa, algo que eles chamam de “sangue verde”, em referência às cores da marca da U&M. Um ponto importante nessa cultura é que ela vai muito além do tempo. Um exemplo é que há muitos anos a empresa está aberta à questão da diversidade, não fazendo distinção, nas contratações, se a pessoa é mulher, homem, negro, branco, índio, ou o que for. O importante é ser competente naquilo que faz e abraçar os valores da empresa. Da mesma forma, a questão da sustentabilidade socioambiental sempre fez parte da cultura da U&M e está presente também em projetos conduzidos por membros da família que estiveram no comando da companhia e que hoje estão no Conselho de Administração, como é o caso das iniciativas Moinho e Ibiti Projeto (veja box).
A gente é meio cigano. Quando nos deslocamos de uma região para outra, muitas vezes as pessoas que capacitamos nos acompanham. Assim, levamos talentos de um estado para outro, pois nos seguem em busca de novas oportunidades, integrando a cultura e os valores da empresa aos novos funcionários. Nossa contribuição para o desenvolvimento social é profunda e inerente às nossas operações, transcendendo a simples execução de projetos. Treinar e capacitar pessoas sempre foi uma prática genuína da empresa.

(Luciana Neves)
Crescimento
A fase mais forte de crescimento da U&M começa nos anos 2000, quando ela fez a aquisição dos primeiros caminhões fora de estrada e enviou pessoal para a Austrália, a fim de conhecer melhor o mercado de mineração.
Em 2003, a empresa começou as operações em grandes minas, mais especificamente na Vale, em Itabira, e adquiriu equipamentos novos no Japão. Na época, ela obteve certificação de qualidade pela ISO 9.000, em Segurança e Meio Ambiente. Em 2007, a empresa iniciou o processo de internacionalização e no ano seguinte implantou o SAP (algo bem à frente do tempo, porque somente empresas muito grandes usavam essa ferramenta) e começou a ser auditada pela Big Four Ernst Young. Mais recentemente, foi constituído o Conselho de Administração, incluindo conselheiros independentes.
Em 2016, a empresa lançou o programa sócio-funcionário, convidando alguns empregados para serem sócios. Eles podiam comprar ações subsidiadas e receber dividendos, como todos os sócios. Um aspecto importante é que o programa abrangia desde diretores até operadores de máquinas. Atualmente, quase 200 funcionários são sócios da companhia. Na avaliação dos gestores da U&M, o programa é um ganho para a organização, porque o funcionário que é sócio vai sempre querer o melhor para a empresa. E, para o funcionário, permite que o seu patrimônio seja alavancado com a valorização das ações. Cerca de 10% das ações da U&M são reservadas para o programa sócio-funcionário.

Governança
Apesar de manter uma estrutura de controle familiar, a U&M está sendo gerida com altos níveis de governança corporativa. Nos últimos anos, a companhia está muito focada em melhora de performance interna visando mais excelência no atendimento dos contratos que possui em sua carteira. Atualmente, a empresa mantém oito frentes de operações em sites de clientes e dois centros de operação próprios. As operações de clientes estão localizadas no Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais e Goias. Já as centrais próprias estão em Matias Barbosa (MG), onde também está a sede da empresa, e Canaã dos Carajás (PA). Para atendimento de suas operações, a U&M possui uma frota de aproximadamente 800 equipamentos, sendo a grande maioria de grande porte, um contingente de 3 mil funcionários e um estoque de peças, insumos e componentes equivalentes a R$ 400 milhões. Com os contratos em vigor, a empresa movimentou, em 2024, um total de 300 milhões de toneladas de material, o que equivale a toda produção anual de grãos no Brasil.
O fato de ter uma estrutura de governança de alto nível, possuir uma vasta frota de equipamentos de grande porte e ter mantido operações na África habilitam a U&M a pensar novamente numa internacionalização.
A pergunta que fazemos para qualquer pessoa que trabalha conosco – seja um mecânico, um operador ou um supervisor – é se ela está consciente de que aquilo que está fazendo é feito da mesma maneira na melhor empresa do mundo. E, como todo sonho está baseado em um propósito, a U&M tem consciência de que o dela é mover terra para construir um mundo melhor e sustentável, apoiada em quatro valores, que considera essenciais, dos quais o principal é o cuidado com as pessoas, porque são elas, ao final de contas, que fazem a empresa.
(Maurício Casara)
Diferenciais
A frota de equipamentos sempre foi um grande diferencial da U&M. Como já mencionado, atualmente são cerca de 400 unidades de equipamentos de grande porte para mineração, que inclui, por exemplo, escavadeiras de 120 a 550 toneladas e caminhões fora de estrada de 200 e 300 toneladas, que são típicos para grandes operações de extração mineral. Um aspecto importante nessa área é que a U&M procura padronizar a frota, o que significa que as escavadeiras são de uma mesma marca e os caminhões idem, sendo que as variações estão mais nos equipamentos de apoio. Essa padronização favorece a operação, a manutenção e a substituição de componentes, assegurando uma elevada disponibilidade física dos equipamentos. Nos caminhões e escavadeiras, a disponibilidade é de 85%. São números muito bons quando se trata da indústria de mineração, lembrando que esses equipamentos são vitais para o tipo de operação realizado pela empresa.
Os números relativos à Segurança são outro diferencial da companhia, que prefere não medir em termos de acidente por milhão de horas trabalhadas, embora todo mundo assim o faça. Para a U&M, o número de acidentes por quantidade de horas trabalhadas mede o que já aconteceu, por isso ela procura olhar mais para os números proativos de Segurança, ou seja, os quase acidentes, que poderiam ter ocorrido, mas foram evitados. No entanto, como os números reativos são adotados pela indústria de mineração, a companhia tem procurado melhorar e vem numa crescente ao longo dos anos: a taxa de frequência total de acidentes, que mede os acidentes com e sem afastamento, por milhão de horas trabalhadas caiu de 3,17 em 2020 para 1,26 em 2024.

A economia circular também está sempre no foco da U&M, que atua muito fortemente na reforma de componentes e peças, reciclando tudo o que é possível reciclar. Além da economia, essa prática aumenta substancialmente a vida útil dos equipamentos e permite que a empresa conheça a sua frota profundamente. Quando um equipamento fica velho, ao invés de simplesmente deixar virar sucata a U&M inicia um ciclo de aproveitamento das peças, que são totalmente reformadas. Aquilo que é sucata para os outros, na empresa vira matéria prima. Em 2024, os 185 funcionários da Central de Reformas de Matias Barbosa e os 131 da Central de Reformas de Canaã dos Carajás reformaram nada menos que 905 componentes, contribuindo com a redução de desperdício e totalizando um reaproveitamento de mais de 2 mil toneladas de componentes, segundo a empresa.
A formação de novos profissionais acontece principalmente na região Norte, onde a atividade de mineração tem presença mais marcante do que a região de Juiz de Fora, onde está a sede central da empresa. Tais programas incluem não apenas pessoal de (Sergio Machado) manutenção, mas também de operação e até do administrativo.
No início nós operávamos com scraper rebocado, puxado por trator agrícola. Depois vieram os moto-scrapers. Todos os moto-scrapers usados disponíveis para venda a U&M comprava e reformava. Todos ficaram confiáveis, como se fossem novos. Então compramos tratores para empurrar os moto-scrapers, porque um trator é como se fosse uma escavadeira no caminhão. Com a evolução da escavadeira hidráulica, estudamos a solução escavadeira hidráulica mais caminhão rodoviário. Mas como vimos que todo mundo tinha caminhão rodoviário, partimos para a opção dos caminhões fora de estrada. E em 2000 compramos a primeira frota de fora de estrada. Eram 11 caminhões 773, de uma grande mineradora no Brasil.
Grande x pequeno porte
O fato de operar predominantemente com equipamentos de grande porte traz alguns desafios para a U&M, que é o alto custo, quando comparado a equipamentos de menor porte. Por outro lado, há a questão da segurança oferecida pela frota de grande porte. A começar pelo fato de que apenas um caminhão fora de estrada pode substituir vários caminhões rodoviários, por exemplo, o que significa menos tráfego na mina, menos operadores, menores riscos na operação, além de outros fatores. Mesmo porque um caminhão rodoviário não foi feito originalmente para trabalhar em mina, mas adaptado para esse tipo de operação. E a U&M lembra que as grandes minas ao redor do mundo, controladas por empresas de renome, operam apenas com equipamentos de grande porte. Para compensar o lado do alto custo, a U&M procura investir em inovação, a fim de aumentar a eficiência da frota. Daí nasceram os projetos do caminhão autônomo e do híbrido (diesel-elétrico).
Ao longo de sua história a empresa tem procurado formas de se reinventar, incorporando ou desenvolvendo novas tecnologias, o que é outro diferencial da U&M, que usa a tecnologia como ferramenta para aumentar sua capacidade produtiva e atender às demandas do dia a dia e não por modismo.
Vantagens da terceirização
A terceirização das operações de lavra e auxiliares oferece inúmeras vantagens, segundo os dirigentes da U&M. Entre os benefícios é fato que a companhia mineradora, no caso o cliente, não precisa investir elevadas quantias em Capex para aquisição de equipamentos de mina, o que minimiza o investimento total no empreendimento. Além disso, há o ganho no cronograma, porque o prestador de serviços pode iniciar a operação imediatamente, já que tem os equipamentos à disposição, enquanto se fosse adquirir a frota o minerador teria que se submeter aos prazos de entrega dos fabricantes, quase sempre elásticos. Além disso, se a mineradora adquire frota própria ela tem que contratar e treinar operadores, ter um parque de manutenção, estoque de peças e outros itens, ao passo que se contratar empresas especializadas, como a U&M, a mineradora não precisa investir nem se preocupar com as atividades relacionadas com extração e movimentação de material.

Outra questão é a da confiabilidade. Se acontecer um problema e a companhia de mineração não conseguir movimentar o material por conta própria, não terá de quem cobrar, a não ser dela mesma. Então provavelmente não vai cobrar. Já uma empresa de serviços contratada oferece a garantia de movimentar tantos milhões de metros cúbicos por ano quanto foi estipulado, através de uma contratação que tem ônus e bônus. A mineradora tem a garantia de que a U&M sempre terá o equipamento à disposição, porque ela conta com oficina própria e equipamento reserva. Lembrando que um equipamento novo pode demorar até um ano para ser produzido, três meses para ser transportado do exterior para o Brasil e dois meses para ser montado. Outra vantagem da (Luciana Neves) U&M, conforme seus dirigentes, é a agilidade, porque em 30 dias ela pode montar a operação no site do cliente, em qualquer parte do Brasil. E se for em local próximo, pode levar apenas 10 dias. Além disso, a U&M sempre procura ter uma capacidade reserva, para o caso de o cliente precisar aumentar o ritmo da lavra e transporte, por razões de mercado e outras. Ou seja, oferece flexibilidade e pode aumentar a capacidade rapidamente, sem muitos problemas.
Nossa agilidade é um pilar fundamental. Ao contrário de modelos fixos, operamos sem possuir minas, o que nos obriga a dominar a logística de equipamentos pesados, bem como a montagem e desmontagem dos mesmos. Essa dinâmica nos confere uma expertise inigualável que aliada a processos rigorosos e decisões rápidas, é a essência do nosso modelo como 'Mining Contractor'. É o valor tangível que entregamos, otimizando o tempo e a eficiência para nossos clientes.

A segurança econômica é outro fator a ser considerado, porque a empresa contratante tem a certeza de que vai movimentar tantas toneladas a um custo X, chegando ao final do ano dentro do que foi orçado. Esta segurança ela não tem quando executa lavra própria.
Assim, em razão desses fatores, mesmo empresas de mineração de grande porte já estão revendo as suas estratégias e algumas já aderem mais à terceirização. A U&M sabe que tem o desafio de desconstruir o pensamento da “primarização”, que predomina no Brasil e que faz parte da cultura da mineração brasileira, mas tem consciência de que isto não é simples.


Uma estratégia da U&M tem sido procurar quantificar valores que não estão explícitos numa proposta, para mostrar ao cliente que valor é diferente de preço. E isto é um grande desafio, porque o mercado de mineração é extremamente competitivo quando se trata de custo. Mas a empresa procura mostrar ao cliente o que está entregando. Segurança, por exemplo, é um item não negociável.
Para os dirigentes da U&M, embora a movimentação de terra seja uma “commodity”, ou seja, todo mundo faz a mesma coisa, sem muitos mistérios, começam a surgir várias formas de se fazer a mesma coisa e aparece a oportunidade de se ter um diferencial competitivo. Então, se ela tem uma tecnologia que o seu competidor não dispõe, consegue agregar um valor que eventualmente lhe permite cobrar um custo maior e o cliente aceita pagar sem regatear. Porém, isso deve vir juntamente com o domínio de tecnologias que gerem valor ao cliente. Nesta linha, a U&M considera que há um mercado gigante em que ela pode crescer, não só no Brasil como lá fora, com empresas que podem reconhecer esse diferencial.
A U&M também tem procurado mostrar aos clientes que é uma empresa parceira e flexível a variações de mercado. Ou seja, se o cliente que opera com frota própria quer aumentar a capacidade de produção por uma questão de mercado, ela pode agregar essa capacidade. E, se em um contrato o cliente precisa reduzir o ritmo, também por questões de mercado, a U&M pode deslocar seus ativos para outras frentes de operação que mantém. É uma forma de parceria estratégica.
Expertise em manutenção
Ao longo do tempo, a U&M desenvolveu uma grande expertise em manutenção. Tudo começou quando ela iniciou a aquisição dos primeiros equipamentos de grande porte e ainda não havia no Brasil dealers locais. Em razão disso, a própria empresa teve que desenvolver o suporte para esses produtos, o que exigia um aprendizado. Um fato positivo nisso foi que, ao aprender sobre o equipamento e conhecê-lo cada vez mais, a U&M passou a obter melhor performance.
No começo as máquinas eram pintadas de branco, para diferenciar, já que as máquinas de terraplenagem eram todas amarelas. Acreditava-se que as máquinas brancas seriam vistas de forma mais positiva e, além disso, porque colocavam em evidência a sujeira, principalmente de óleo e graxa, garantindo que qualquer necessidade de manutenção seria notada e corrigida imediatamente.
(Clóvis Sales)
Depois, a empresa começou a comprar equipamentos usados, para reformá-los, o que permitia ganhar conhecimento técnico sobre tais equipamentos, principalmente caminhões fora de estrada, mas também escavadeiras e tratores. E tudo isso feito com pouco dinheiro. Daí nasceu a estrutura de manutenção que a U&M mantém atualmente em sua sede de Matias Barbosa (MG), que até parece uma linha da fábrica de uma empresa produtora de grandes equipamentos de mineração. Para se ter uma ideia, hoje a empresa conta com um estoque no valor de R$ 400 milhões para suporte da estrutura de reforma e manutenção dos equipamentos.
Além da central em Matias Barbosa, a empresa construiu uma base de manutenção em Canaã dos Carajás, no Pará, visando ter agilidade logística para estar mais próxima das obras que estão acontecendo no Norte e por acreditar que a região de Carajás vai crescer muito, com projetos de novas minas de grande porte. É uma maneira de preparar o futuro. Por isto a empresa também montou na região uma escola de mecânicos, eletricistas e outros profissionais de manutenção. O centro de Canaã dos Carajás tem capacidade de fazer quase o mesmo que é feito em Matias Barbosa, com exceção de algumas atividades mais especializadas.
O caminho da Inovação
Embora a ideia de inovação tenha surgido dentro da U&M desde quando ela era uma pequena empresa de terraplenagem, operando com moto-scrapers, fazendo (Luciana Neves) parte do seu DNA, a consolidação começou a acontecer a partir de 2017, com a criação do projeto do caminhão autônomo (veja box).
Nossa empresa sempre promoveu um ambiente de grande autonomia e confiança em seus talentos, investindo em seu desenvolvimento e capacitação. A simplicidade é um traço marcante da nossa cultura e DNA, ela se reflete desde a forma acessível de comunicação do nosso CEO até a política de portas abertas. Essa abordagem descomplicada não só é bem recebida por nossa equipe, mas também ajuda a construir um ambiente colaborativo e de fácil interação.
Segundo os dirigentes da U&M, a inovação está bem difundida dentro da empresa, tanto que o projeto do caminhão autônomo foi ampliado e atualmente envolve outras iniciativas, como a transformação do caminhão modelo 730E em híbrido (diesel-elétrico). Desde 2020, a empresa desenvolve o projeto Repower, que visa desenvolver tecnologias internas para aumentar a eficiência energética dos equipamentos e reduzir as emissões de poluentes. A expectativa é conseguir reduções de aproximadamente 25% nas emissões, com potencial de ampliar ainda mais esse nível, dependendo do perfil operacional da mina. O protótipo do caminhão híbrido deve ser testado em mina de um cliente ainda em 2025. O objetivo da empresa é lançar o serviço de movimentação de material com esse caminhão a partir de 2026.
O caminhão autônomo desenvolvido pela U&M já é um sucesso, tanto que há cinco unidades operando atualmente, em regime intermitente, só durante o dia, ainda com o operador de emergência a bordo do equipamento, acompanhando, mas já em operação constante.
(*) O atual time de dirigentes da U&M é formado por Sérgio Machado (Presidente), Clóvis Sales (Diretor Executivo), Maurício Casara (Diretor Comercial e de Novas Tecnologias), Guilherme Castro (Diretor de Operações), Luciana Neves (Diretora Administrativa) e Carolina Zacharias (Diretora Financeira e de Governança).
Para o projeto do protótipo do caminhão híbrido a U&M construiu uma bateria, utilizando células adquiridas na China e montou os módulos, já que não existia nenhuma bateria comercial para poder iniciar os testes. Mas para o primeiro caminhão que está sendo montado já foi adquirida bateria de um fabricante. O computador de bordo do caminhão também foi construído internamente e para o sistema de gestão do equipamento foi desenvolvida uma parceria com uma empresa de tecnologia.
O pioneirismo do projeto do caminhão autônomo

O projeto de automação de caminhão fora de estrada da U&M, desenvolvido totalmente in house, começou em 2017, quando a empresa decidiu desenvolver um kit de retrofit para operações autônomas desse tipo de veículo, independentemente do fabricante. Inicialmente a empresa fez uma avaliação das soluções que estavam disponíveis no mercado, verificando se estas seriam funcionais para o modus operandi da U&M. Apesar da equipe ter encontrado soluções consideradas tecnicamente excelentes, não eram viáveis para a realidade brasileira. Foi então quando a U&M teve a ousadia de internalizar esse desenvolvimento.
A primeira etapa, segundo a equipe que desenvolveu o projeto, foi arquitetar como o sistema seria instalado nos caminhões de forma simples e rápida. Além disso, determinou-se que o controle eletrônico no caminhão teria de ser feito sem a necessidade de alterar os módulos originais ou interferir no protocolo de comunicação original.
Após estas determinações, foi realizada a primeira Prova de Conceito (PoC), quando se realizaram testes de parte do sistema. Ao longo dos anos, a equipe foi adicionando novas funcionalidades e realizando novos testes e para isso foi fundamental contar com uma estrutura de testes em uma pedreira próxima ao escritório em Matias Barbosa (MG).
Em 2023, houve uma grande reestruturação da equipe e, por consequência, também foram reestruturadas algumas partes do sistema, visando uma maior robustez e segurança. Ainda segundo a equipe, quando se desenvolvia alguma melhoria ou se adicionava novas funcionalidades, era feito o teste da lógica em um simulador computacional e, posteriormente, testes em ambiente real na área de testes em Matias Barbosa. Somente após a validação dos testes o equipamento está apto para ser encaminhado à produção em ambiente real. É que a equipe considera que, por se tratar de um desenvolvimento tecnológico, o projeto é vivo e necessita sofrer atualizações periódicas para garantir sua atualização e segurança.
O kit foi desenvolvido com sucesso e até o momento já foram convertidos caminhões fora-de-estrada Caterpillar 777C e 777F e Komatsu 730E, modelos que fazem parte da frota de caminhões fora-de-estrada da U&M.
Em 2019, a U&M submeteu um pedido de patente de inovação tecnológica, que foi concedido em junho de 2025, o que comprova que o jeito U&M de realizar operações autônomas é uma novidade.
Atualmente, a U&M mantém cinco unidades de caminhões fora de estrada Cat 777F em operação de produção real, em minas de clientes.
No caminhão autônomo são acoplados dois módulos, o que significa que ele pode ser operado de forma manual ou autônoma. Ao contrário dos caminhões autônomos equipados pelos fabricantes, em que a tomada de decisão sobre a operação do caminhão é feita por um servidor que fica numa sala remota, no modelo da U&M o próprio computador instalado no caminhão é que faz os comandos. Ele recebe o sinal da própria antena do caminhão sobre geoposicionamento, velocidade etc. e decide na hora. Não é necessário mandar a informação da antena para informar que está em determinada posição e alguém ordenar para onde ele deve ir. O processamento é muito mais rápido, mais ágil, com uma infraestrutura de rede muito menor, porque não há necessidade de comunicação com ninguém.
Caminhão híbrido
Com a evolução do projeto do autônomo e já com o conhecimento que a equipe tinha obtido, a U&M decidiu iniciar o projeto do caminhão híbrido, que está sendo feito com um modelo 730E.
A ideia é que as duas equipes tenham uma grande sinergia para trocar experiências, principalmente os aprendizados em cada projeto.
O projeto inclui um laboratório, onde a equipe faz a depuração das placas eletrônicas montadas pela própria U&M ou executa manutenção em placas de fabricantes instaladas nos veículos. As placas, tanto para o veículo autônomo quanto para os híbridos, são feitas pela própria empresa, terceirizando apenas o que não vale a pena fabricar.
O Começo
A U&M foi fundada em 1975, pelo casal Gumercindo e Berenice, que antes, em 1958, tiveram experiência com uma empresa de terraplenagem, denominada Sotepa (Sociedade de Terraplenagem), que não deu muito certo e acabou fechando. Posteriormente foi criada a Módulo Terraplenagem, que é um dos M da U&M, que aliás usa o mesmo CNPJ que era da Módulo. O U vem de Unienge, que era uma empresa de engenharia de um dos filhos do casal, Renato Machado, que depois se tornou presidente da U&M. A Unienge estava mais voltada para a engenharia, enquanto a Módulo se dedicava mais à terraplenagem. A família percebeu que era melhor atuar no mercado com uma empresa grande, o que resultou na união das duas companhias. A princípio se pensou em batizar a nova empresa de MU, mas acharam que ficaria meio esquisito e se decidiram por U&M. No começo as máquinas eram pintadas de branco, para diferenciar, já que as máquinas de terraplenagem eram todas amarelas. Acreditava-se que as máquinas brancas seriam vistas de forma mais positiva e, além disso, porque colocavam em evidência a sujeira, principalmente de óleo e graxa, garantindo que qualquer necessidade de manutenção seria notada e corrigida imediatamente.
Experiência na África

A primeira experiência internacional da U&M foi na África, com início por volta de 2007. Tudo começou quando ligaram para a empresa, pedindo uma cotação para que ela operasse uma mina de cobre (Konkola) na Zâmbia, localizada no chamado Cinturão do Cobre. Assinado o contrato, começaram os grandes desafios e o primeiro deles foi educar, ensinar e treinar gente local para trabalhar na operação. No início, a U&M assumiu apenas a operação da mina, mas depois incluiu perfuração, detonação, lavra e movimentação do material, até entregá-lo na planta de processamento do cliente, que era uma empresa indiana (Vedanta). Um aspecto importante nesta experiência foi que a U&M aprendeu a trabalhar a questão da logística internacional. Segundo os dirigentes, foi lá que empresa realmente aprendeu a comprar bem equipamentos e a conviver com a interação com diversas culturas do mundo da mineração. A vantagem é que não havia restrição para importar nada, de mão de obra a equipamentos e suprimentos. Isto possibilitou à empresa montar um supply chain muito robusto para suportar a operação.

A operação na Zâmbia também permitiu à U&M entender mais de mineração, porque foi a primeira grande mina em que ela operou 100% de tudo, diferentemente do Brasil, onde a questão da bitributação atualmente dificulta que o prestador de serviços possa realizar determinadas operações, situação que pode ser mudada quando entrar em vigor a reforma tributária recentemente aprovada, que introduz o IVA, tributando apenas o valor agregado. Para a atual direção, o grande legado da experiência na Zâmbia foi o aprendizado e a abertura do caminho para o crescimento que a U&M vive.
Ibiti Projeto, um “hospital” do planeta Terra

A regeneração (no sentido pleno, não apenas ambiental) sempre foi uma das bandeiras da U&M, segundo seus dirigentes, e um dos principais exemplos mencionados por eles é o Ibiti Projeto, localizado em Ibitipoca (MG). Esse projeto é conduzido por Renato Machado, que foi presidente da empresa por vários anos e que continua ligado a ela como membro do Conselho.
Ocupando uma área de seis mil hectares, fazendo limite com o Parque Estadual do Ibitipoca, numa região de belezas naturais exuberantes, mas que foi degradada ao longo dos anos, o projeto promove a recuperação plena de 96% de toda a área, com fauna e flora nativas. O objetivo final, segundo Renato, é promover o que se denomina Rewilding, que é reintroduzir no ambiente várias espécies extintas na região, das quais a principal é o gavião-real, e toda a cadeia de alimentação dessas espécies. Além do gavião-real, já estão em processo de reintrodução patos selvagens, jacutingas, antas, macacos, preguiça, arara-vermelha e vários outros animais que eram típicos da região antes da degradação. É, portanto, um projeto de longo prazo, cujos efeitos somente serão percebidos de maneira mais marcante dentro de no mínimo 50 anos.
E, como o lado econômico é considerado importante no conceito do projeto Ibiti – assim como na própria U&M –, o empreendimento explora três eixos, que são hospedagem (há três núcleos de hospedagem), turismo e regeneração. Além disso, são produzidos atualmente 274 tipos de produtos naturais de origem vegetal. Os núcleos de hospedagem, que recebem turistas de diversas partes do mundo, estão localizados em edificações muito antigas, que foram totalmente recuperadas e adaptadas para oferecer conforto. Boa parte da alimentação oferecida aos hóspedes é natural, produzida de forma orgânica, dentro do próprio Ibiti Projeto. A expectativa é que o número de núcleos de hospedagem aumente para seis, pelo menos.
A ideia de Renato é “tokenizar” o projeto, vendendo tokens de forma pulverizada, principalmente para os próprios habitantes do lugar. A obrigatoriedade é que todos sigam o estatuto do Ibiti, o qual prevê que somente 4% da área poderia ser explorada. Segundo ele, o projeto tem muito a ver com os valores cultuados pela U&M, que são ser verdadeiro, ter caráter, cultivar relações humanas de qualidade, ter simplicidade e humildade. Além disso, mantém uma estrutura similar à da empresa, com participação societária de empregados. E mira a longevidade.
Para ele, o Ibiti Projeto pretende ser uma espécie de “hospital do planeta”, prestando uma série de serviços ambientais que, embora ainda não sejam monetizados, possibilitam que 96% da área esteja em processo de regeneração.
Projeto Moinho visa mudar as pessoas e a zona norte de Juiz de Fora
Após sair da linha de frente na gestão da U&M, onde foi presidente durante muitos anos, permanecendo atualmente no Conselho de Administração, Marcelo Machado decidiu se lançar a um novo projeto, denominado Moinho. Trata-se de um prédio histórico na zona norte de Juiz de Fora, onde durante muitas décadas funcionou um moinho de trigo, que estava desativado desde 2005 e que Marcelo decidiu restaurar e revitalizar, concebendo um empreendimento multipropósito, explorando o conceito de empreendedorismo e. visando preencher os vazios, carências e demandas que existem na zona norte, que o empresário conhece bem, pois no passado a U&M funcionou nessa região. Ou seja, um empreendimento que além do impacto econômico, também foca muito o lado social. E para isso, segundo ele, serviu muito a experiencia da U&M, acostumada a encarar desafios, como os que enfrentou na África e na e na região norte do Brasil Amazônia.

O projeto Moinho, que embora tenha sido iniciado em 2020, durante a pandemia, começou a deslanchar efetivamente a partir de 2022, tem 33 mil metros quadrados de área construída, dos quais 20 mil m2 são locados para outros empreendimentos. O objetivo do projeto é melhorar a qualidade de vida da região, criar diferentes centralidades urbanas na cidade, através da criação de um ecossistema multiplataformas, com várias opções de lazer e serviços, tudo a um elevador de distância,muito próximo, proporcionando para a zona norte – onde vive cerca de 25% da população urbana de Juiz de Fora — uma centralidade urbana mais moderna e vibrante, levando em conta os anseios dos moradores da região. Ou seja, é um projeto que já nasce com uma preocupação legítima também de causar um impacto social, transformando as pessoas, e não ser apenas um empreendimento imobiliário. Apesar de prédio antigo, os idealizadores do projeto decidiram manter 80% de sua estrutura original, fazendo retrofit. O projeto é denominado por Marcelo e por sua filha Marcela – uma das responsáveisl pela gestão do empreendimento – como um centro urbano que estimula empreendedorismo, inovação e criatividade, dos quais os eixos temáticos são Educação, Saúde, Moradia e Comércio. O propósito, segundo eles, é “inspirar a transformação” dos espaços e das pessoas através de ambientes e iniciativas que estimulam o desenvolvimento humano. O projeto segue os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e procura ser um elo entre as empresas que precisam inovar, desenvolver novos processos e também ser uma ponte entre as pessoas que querem desenvolver a criatividade, mas não enxergam essas oportunidades no mundo. “Procuramos ser um palco, mas o protagonismo depende de cada um”, diz Marcelo.
Na área do eixo Saúde, embora o projeto tivesse procurado priorizar a saúde preventiva, enquanto atende às houve uma demandas atuais da população local maior pela saúde de diagnóstico e tratamento. Tanto que a principal empresa dessa área instalada no complexo esperava atender 2 mil paciente por mês e hoje atende a mais de 6 mil. Para impulsionar a saúde como bem-estar compensar, o projeto desenvolver várias atividades gratuitas para a população local, visando estimular o lazer a e saúde..
O eixo Educação foca a formação não convencional educacional, através do aprendizado via convivência, compartilhamento e colaboração entre as pessoas. A ideia é aproximar o profissional e o pequeno empreendedor do mercado de trabalho. Há mais de 1 mil microempreendedores que fazem parte do Boletim Empreendedor, uma rede que promove encontros mensais de capacitação. Nesta linha, o projeto tem parcerias com o Sistema Senai.
O eixo Moradia é planejado para 176 apartamentos, dos quais 22 já estão funcionais, na área que era um dos o silos do Mmoinho Vera Cruz. Os apartamentos podem ser locados tanto para períodos curtos como para períodos mais longos. A ideia para o complexo de moradias é ter o máximo de tecnologia embarcada para reduzir custos e explorar as sinergias com o eixo Comercial, com empreendimentos que sirvam aos moradores.
O eixo Comercial visa abrigar diversos empreendimentos que possam servir aos frequentadores de todo o complexo do projeto e que inclui lojas de conveniência que ofereçam produtos e serviços diferenciados.
O lado cultural, por sua vez, é explorado como uma transversalidade, com atividades como oficinas de teatro, aulas de música, dança e capoeira, dentre outras, e privilegiando a arte. Um exemplo é que os apartamentos do complexo são temáticos, com base em obras de artistas de Juiz de Fora. E também são realizados eventos culturais.
E um dos pontos altos do Moinho é o hub de inovação, o qual já conta com 23 empresas associadas, sendo que 13 delas são de base tecnológica forte. Planos exclusivos permitem o acesso de empresas a toda moderna infraestrutura de trabalho do Hub do Moinho, assim como a participação em grupos fechados de desenvolvimento de negócios baseados na convivência e no apoio mútuo para acelerar resultados. Além disso, O Hub promove o Moinho Day, em que recebe empresas de grande porte que têm algum problema para o qual buscam solução tecnológica. E também são promovidos vários eventos, próprios ou demandados por empresas, porque acreditam . que cada conexão tem potencial de gerar impacto positivo, cada ideia compartilhada é capaz de inspirar mudança e cada atitude tomada no presente pode construir um futuro mais sustentável para as pessoas, para as empresas e para o planeta.
