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Brasil Mineral - Edição 449

Junho 2025
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TERRAS RARAS

Aclara opera planta piloto em Goiás e aguarda licença para iniciar implantação do projeto Carina

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 449Junho 2025Páginas 16-20
Executivos da Aclara e Secretário Joel Braga Filho em visita a planta piloto

A Aclara pretende iniciar, no primeiro trimestre de 2026, a implantação do seu projeto Carina, localizado em Nova Roma, Goiás, para produzir concentrado de terras raras pesadas. A expectativa da empresa é obter a Licença Prévia até o final de 2025, de acordo com José Augusto Palma, vice-presidente executivo da companhia, para logo na sequência requerer a Licença de Instalação e solicitar uma autorização para iniciar as obras preliminares. “Isto nos permite preparar os acessos, o acampamento, para quando a LI for concedida podermos executar com maior velocidade a construção”, diz Murilo Nagato, Country Manager da Aclara no Brasil. A construção propriamente dita, segundo ele, deve ser iniciada em 2027, prevendo-se sua conclusão das obras e início de operação em 2028. A expectativa é que o empreendimento, que demanda um investimento da ordem de US$ 600 milhões, opere por um período de pelo menos 22 anos.

Planta Piloto da Aclara em Aparecida de Goiânia
Planta Piloto da Aclara em Aparecida de Goiânia

Recentemente a empresa instalou, em Aparecida de Goiânia, uma planta piloto que estava operando no Chile, para processamento da argila iônica extraída do depósito de Carina, obtendo carbonato de terras raras, com 95% de pureza. Para a instalação da planta em Goiás a empresa investiu R$ 30 milhões, segundo Palma. O objetivo com a planta piloto, que tem capacidade para processar 250 toneladas de argilas iônicas, é verificar a compatibilidade do processo com as argilas iônicas do depósito Carina, além dos objetivos técnicos e operacionais. A tecnologia de processamento, que é patenteada pela Aclara, denomina-se coleta mineral circular. Outro propósito da planta é poder servir de vitrine para a comunidade de Goiás, principalmente de Nova Roma, que o processo é limpo e amigável do ponto de vista ambiental, de acordo com José Augusto Palma. “Nosso objetivo é que a planta piloto funcione como um verdadeiro showroom, um espaço para receber comunidades locais, instituições de ensino, universidades, escolas, onde desempenhamos um papel transformador de conhecimento no envolvimento de um meio acadêmico que é fundamental para a sociedade”, diz ele.

Palma salienta que há vários fatores que diferenciam a Aclara de outras empresas que atuam no segmento de terras raras, começando pela qualidade do projeto Carina. “É um projeto realmente de classe mundial, geologicamente quase idêntico ao que se encontra na China, e com teores importantes de terras raras pesadas. Outros projetos têm mais terras raras leves. Outro fator é a nossa estratégia de integração vertical. Nós evoluímos e não queremos ser somente uma empresa mineradora. Queremos ser uma empresa de tecnologia que tem uma grande vantagem competitiva e que é dono de seu próprio jazimento. Há outras empresas no mundo que estão fazendo separação, mas eles têm que comprar o concentrado de outros. Em nosso caso, vamos ter a produção da matéria-prima, o concentrado, que podemos separar. E depois a terceira etapa, que é produzir as ligas metálicas com as terras raras para, através de parcerias estratégicas, poder produzir os ímãs permanentes. Este seria o segundo elemento diferenciador. E o terceiro fator diferenciador é o fato de que nós somos uma empresa que, por seus acionistas, tem longevidade e visão de longo prazo”. O grupo Hochschild, que é o dono de aproximadamente 60% da Aclara, é uma empresa industrial, mineradora, que tem mais de 100 anos de operação na América Latina. E o outro grande acionista é o grupo CAP, do Chile, que tem 10% e que também é uma empresa que está há 70 anos no mercado, tanto na área industrial, como na de mineração. “Então, temos dois acionistas que estão pensando em criar uma nova indústria a longo prazo. Há outros modelos de negócio muito válidos, mas que são diferentes, porque atuam para encontrar um projeto, desenvolver um pouco e vender. Nós não somos assim. Somos jogadores a longo prazo. E estamos tomando decisões estratégicas que nos posicionam para poder fazer interação vertical, capitalização, e isso é o que realmente nos diferencia” afirma o dirigente.

Depósito de ótima qualidade

De acordo com Murilo Nagato, o depósito Carina é de ótima qualidade e possui reservas que permitem produção por mais de 20 anos, considerando-se apenas os recursos dimensionados por uma pesquisa que envolveu 4 mil metros de sondagem. Depois disso, a empresa realizou novas sondagens (até o final de 2024 já tinham sido realizados 13 mil metros) e a perspectiva é que se deva chegar aos 25 mil metros. O objetivo das novas sondagens, segundo ele, é converter recursos inferidos em indicados, para redimensionar a reserva. Além disso, há novos direitos minerários em novas áreas que não foram contempladas no Estudo de Avaliação Preliminar. Ou seja, não é descartado que o tempo de vida útil do depósito seja ampliado para além daquilo que previu o PEA.

A planta piloto recém-instalada em Goiás, que simula a operação da planta em escala industrial, deve processar, após a fase de comissionamento, cerca de 2 toneladas/ dia de argila iônica, operando 7 dias por semana. Um dos destaques da planta piloto e um diferencial em relação aos competidores, é a instalação para tratamento de água, que na planta industrial representará 15% do investimento, segundo a empresa. Ela permite a recuperação de 95% da água usada no processo, possibilitando a sua reutilização. Para purificação da água utilizada no processo a empresa utiliza tecnologia de nanofiltração e osmose reversa

A planta está focada na produção de terras raras pesadas, que são basicamente Praseodímio, Neodímio, Térbio e Disprósio. A argila iônica que está sendo processada provém do depósito Carina, em Nova Roma. A lavra é feita através de desmonte mecânico, uma operação de escavação sem o uso de explosivos, o que reduz o custo (equivale a cerca de 25% de uma operação de lavra convencional com explosivos), o que é outra vantagem para o projeto da Aclara. A profundidade média do depósito é 12 metros.

Murilo Nagato, José Augusto Palma e secretário Joel Braga Filho
Murilo Nagato, José Augusto Palma e secretário Joel Braga Filho

Na planta piloto, o material recebido da mina (argila iônica) passa primeiramente por uma tremonha, onde é carregado através de um Bobcat. A etapa seguinte é a classificação, em que a argila vai entrar em contato com sulfato de amônia, uma solução levemente ácida que é utilizada normalmente como fertilizante, formando uma polpa. Em seguida é feita a classificação granulométrica, porque as terras raras são mais ricas no material mais fino, que segue para o espessador, onde é colocado um floculante a fim de ser feita a classificação sólido-líquido. A parte líquida, que é o sobrenadante, vai voltar como água de lavagem para a argila.

A parte sólida do espessador, que é rica em terras raras, vai para uma próxima etapa do processo, que é a filtração, através de filtro-prensa. A torta que sai do filtro-prensa, é uma argila gasta, pobre em terras raras, enquanto a parte líquida é rica. A fase seguinte é a precipitação, quando se eleva o pH da solução, para retirada de impurezas. E se tem, então, as terras raras, que são chamadas assim porque são elementos muito parecidos uns com os outros e difíceis de separar. São elementos que pertencem à mesma família da tabela periódica. Assim, é preciso purificar o material o máximo possível, retirando as impurezas, que em grande parte é alumínio. Controla-se o pH e se começa a adicionar reagentes para elevar o pH, retirando parte das impurezas. Depois o material vai passar por um filtro de polimento e o material que sai desse filtro já é rico em terras raras, embora ainda contenha impurezas. Então é necessário se fazer o processo de redissolução. Ou seja, o que sai do filtro, a parte sólida, é redissolvida. Novamente é adicionado reagente para dissolver o material e baixar o pH, para poder tirar mais impurezas e, finalmente, extrair as terras raras. De cada tonelada de argila que entra no processo, é retirado um quilograma de terras raras. O produto da planta piloto é o carbonato de terras raras, com 60% de umidade. Todo o resíduo sólido gerado no processo é lavado, permitindo que possa retornar à cava de onde foi extraída a argila iônica sem nenhum tratamento químico.

A planta de processamento em escala industrial terá uma taxa média de produção de 4.736 t/ano de REO (Óxidos de Terras Raras) dentro dos concentrados. Para a etapa seguinte, de separação das terras raras contidas no carbonato, a Aclara deve construir uma outra planta, provavelmente nos Estados Unidos, em local que ainda está sendo definido.

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