Nova entidade pretende defender a mineração responsável
A mineração latino-americana vive um momento de inflexão histórica. No mesmo território concentra alguns dos recursos minerais mais estratégicos do planeta — essenciais para a transição energética, a eletrificação da economia e o avanço tecnológico — também se acumulam desafios estruturais que vão desde a informalidade e a mineração ilegal até entraves regulatórios e disputas narrativas sobre o papel do setor na sociedade.
Foi nesse contexto que foi apresentada oficialmente a ALMA – Alianza Minera de América Latina, iniciativa que pretende articular governos, empresas, especialistas e instituições da sociedade civil em torno de um objetivo comum: promover uma mineração moderna, responsável e sustentável em toda a região. O lançamento da aliança ocorreu em um encontro que reuniu lideranças do setor e representantes de diferentes países latino-americanos, abrindo espaço para um debate que ultrapassa fronteiras nacionais e coloca a mineração no centro da agenda de desenvolvimento regional.
A proposta da ALMA parte de um diagnóstico claro: a América Latina possui uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo, incluindo cobre, lítio, ferro e outros insumos fundamentais para a economia de baixo carbono. Esses recursos são cada vez mais demandados por setores como mobilidade elétrica, geração de energia renovável, infraestrutura digital e tecnologia avançada.
No entanto, transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e social exige mais do que abundância geológica. Requer coordenação, governança, segurança jurídica e, sobretudo, diálogo com a sociedade.
Uma mineração com propósito
A ALMA surge com a proposta de construir uma plataforma continental capaz de integrar conhecimento, investimento e políticas públicas. A ideia é que a mineração latino-americana avance para um modelo que combine competitividade global com responsabilidade socioambiental.
O conceito defendido pelos idealizadores da iniciativa é o de uma mineração que conecte indústrias, territórios, comunidades e centros de conhecimento. Uma atividade que seja capaz de gerar valor econômico ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento social e para a sustentabilidade dos territórios onde opera.
Nesse sentido, a aliança pretende atuar como um espaço permanente de articulação e debate, estimulando a cooperação entre países e promovendo boas práticas no setor mineral. A organização contará com vice-presidências nacionais, representando diferentes países da América Latina e do Caribe, além de um secretário-geral e áreas dedicadas a estudos, comunicação e articulação institucional. A proposta também inclui a formação de uma assembleia geral composta por representantes de instituições, empresas, especialistas e lideranças ligadas ao setor mineral.