28/06/2019
BRUMADINHO

Vale programa R$ 1,8 bi até 2023

A Vale anunciou investimentos de R$ 1,8 bilhão até 2023, dos quais R$ 400 a R$ 500 milhões devem ser aplicados ainda neste ano em obras para garantir a segurança geotécnica das estruturas remanescentes da Mina Córrego do Feijão, na zona rural de Brumadinho (MG), a remoção e destinação adequada dos rejeitos e de parte da recuperação ambiental, especialmente do trecho atingido do rio Paraopeba. 
 
Na Mina de Córrego do Feijão, a mineradora realiza obras para reforçar a estabilidade das estruturas remanescentes, entre as quais a barragem B6, e do material que permaneceu na Barragem 1 (B1). A Vale também atua na recuperação e reconstrução de equipamentos públicos das comunidades atingidas – alguns já entregues, como é o caso da ponte da Avenida Alberto Flores e a reforma da Igreja Nossa Senhora das Dores. 
 
O Plano de Contenção de Rejeitos apresentado pela Vale aos órgãos públicos está dividido em três trechos. O primeiro tem extensão de 10 km entre a B1, na Mina Córrego do Feijão, e a confluência do Ferro-Carvão com o rio Paraopeba, em Brumadinho. São 23 ações integradas que têm o objetivo de reduzir significativamente o carreamento de material para o rio Paraopeba. As obras envolvem 28 empresas e devem gerar 2,5 mil empregos na fase de pico. Atualmente, há cerca de 1,3 mil trabalhadores em ação, dos quis mais de 700 de Brumadinho e região. 
 
No Trecho 1 é onde está concentrado o rejeito mais espesso – aproximadamente 6 a 7 milhões de m³ do material que vazou da B1. A remoção é feita de forma cuidadosa, em parceria com o Corpo de Bombeiros. Até o momento foram removidos cerca de 550 mil m³ de rejeitos, que posteriormente serão transportados para uma área dentro da Mina Córrego do Feijão, previamente definida e autorizada pelos órgãos competentes. Serão construídas ainda 15 pequenas estruturas de contenção de 5 m de altura. 
 
Seguindo o curso do rio, mais abaixo, estará a Barreira Hidráulica Filtrante, chamada de BH0, construída com 30 mil m³ de rocha e cerca de 100 m de extensão. Todas essas estruturas têm a função de reter os sedimentos mais grossos e, ao mesmo tempo, diminuir a velocidade da água que desce pelo ribeirão Ferro-Carvão. Depois da BH0, está sendo erguido o Dique 2, com um reservatório de aproximadamente 750 milhões de litros, onde o rejeito será decantado e acomodado no fundo do reservatório. O Dique 2 irá reter o material depositado ao longo do ribeirão Ferro-Carvão, reduzindo, assim, a turbidez da água. Abaixo do Dique 2, está sendo construída a Barreira Hidráulica Filtrante, a BH1, projetada com cerca de 60 mil m³ de rocha e extensão de 280 metros. A função da BH1 também será de reter sedimentos grossos. Todas as estruturas são descomissionáveis, ou seja, podem ser desmontadas a partir do momento em que não serão mais necessárias para a estabilização das áreas afetadas.
 
Após as estruturas de contenção, a água do ribeirão Ferro-Carvão será retida em um reservatório, composto por uma cortina de estacas-prancha (barramento constituído de placas metálicas), pouco antes da nova ponte da Avenida Alberto Flores e da confluência com o rio Paraopeba. Deste reservatório, a água é bombeada para a Estação de Tratamento de Água Fluvial (ETAF), que já está em operação. Na ETAF a água passará por processo de filtragem e remoção de sedimentos e devolvida ao rio Paraopeba, por meio do córrego Casa Branca. A ETAF tem capacidade para tratar aproximadamente 2 milhões de l/h de água. A água chega com valores acima de 20 mil NTU e sai com índices abaixo de 15 NTU, em média. Os padrões de turbidez do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) são de até 100 NTU. Os sólidos decantados na bacia de sedimentação da ETAF são direcionados para grandes bolsas denominadas tubos geotêxteis. A água drenada dessas bolsas é novamente conduzida ao sistema de filtragem da estação de tratamento e é devolvida tratada ao rio. Os sólidos nos tubos geotêxteis são removidos e transportados para a área dentro da mina de Córrego do Feijão definida e autorizada pelos órgãos competentes.
 
O Trecho 2 abrange a área entre a confluência do ribeirão Ferro-Carvão com o rio Paraopeba e o município de Juatuba (MG). Nos dois quilômetros abaixo da ponte da Avenida Alberto Flores será realizada a dragagem do rejeito depositado no rio. O material retirado também será disposto em tubos geotêxteis para desidratação. Outras ações neste trecho ainda estão sendo discutidas com as comunidades. Já o Trecho 3 fica entre Juatuba e a Usina de Retiro Baixo, no município de Pompéu (MG), uma faixa de aproximadamente 170 km do rio Paraopeba. Nesta área, as ações da Vale estão direcionadas para reduzir o carreamento de rejeitos mais finos ao longo do curso do Paraopeba. Até maio a Vale manteve cinco membranas antiturbidez no trecho para conter os sedimentos ultrafinos, minimizando o avanço da pluma de turbidez. No dia 3 de junho, a Vale iniciou a desmobilização das membranas. Após a fase emergencial e com a entrada do período de estiagem, foi avaliado que neste trecho do rio a tecnologia já não é necessária. 
 
A Vale continua com monitoramento diário em 66 pontos que cobrem área de 2,6 mil km de extensão. Há pontos instalados à montante da B1, ao longo do ribeirão Ferro-Carvão, rios Paraopeba e São Francisco até sua foz no Oceano Atlântico, nos reservatórios das usinas de Retiro Baixo e Três Marias, além dos principais rios tributários do Paraopeba. Até o final de maio foram realizadas aproximadamente 1,4 milhão de análises de água, sedimentos e rejeitos, considerando 393 parâmetros. Além da análise da água superficial, também foram coletadas amostras em profundidade de dois metros. Os resultados são comparáveis às águas superficiais, estando dentro da normalidade. O trabalho vem sendo conduzido por cinco laboratórios especializados, envolvendo aproximadamente 250 profissionais. As ações foram devidamente comunicadas e aprovadas pelos órgãos públicos e Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Para mais detalhes do plano da Vale, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Xi8aqJbfRMQ&feature=youtu.be