26/01/2019
ROMPIMENTO DE BARRAGEM

Uma tragédia humana, maior que a de Mariana

Uma tragédia humana. É como está sendo classificado o acidente do rompimento da barragem de rejeitos 1 da mina Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG), que continha pouco mais de 12 milhões de metros cúbicos de lama (rejeitos mais água). A mina, que produz minério de ferro, é controlada pela Vale, que adquiriu a unidade da Ferteco na década de 1980.

O acidente ocorreu no horário do almoço do dia 25 de janeiro e muitos funcionários que se encontravam nas instalações, principalmente no refeitório e área administrativa, foram atingidos. Até à noite do dia 25 já haviam sido localizados 9 corpos de pessoas e resgatados vários feridos, mas ainda há um número elevado de pessoas desaparecidas, principalmente funcionários da Vale.

Em coletiva de imprensa, no início da noite,  o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse que estava absolutamente transtornado, pediu desculpas aos familiares das vítimas e à sociedade e disse que a empresa havia feito um “enorme esforço” para deixar as suas barragens na melhor condição possível, “especialmente depois de Mariana”, acidente que aconteceu há pouco mais de três anos e que matou 19 pessoas, além de devastar toda uma região, com sérios danos ambientais. No caso do acidente de Brumadinho, a tragédia humana deverá ser muito maior, porque dos 427 funcionários da Vale e de terceirizadas que se encontravam no local foram encontrados 279 com vida, portanto ainda há mais de 100 desaparecidos, com poucas chances de que sejam encontrados vivos.

Em nota, a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que a barragem que se rompeu não apresentava “pendências documentais e, em termos de segurança operacional, está classificada na categoria de Risco Baixo e de Dano Potencial Alto (em função de perdas de vidas humanas e dos impactos sociais e ambientais)”. O órgão informa, também que, de acordo com informações declaradas pela empresa no Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração (SIGBM), da ANM, “baseada em vistoria realizada em dezembro último, por um grupo de técnicos da empresa, estes não encontraram problemas relacionados à segurança da estrutura”.

Em dezembro de 2018, a Vale havia obtido o licenciamento ambiental para ampliação da produção nas minas Jangada e Feijão, o que incluía o reprocessamento dos rejeitos contidos na barragem que se rompeu, como parte do descomissionamento da mesma. Não se sabe se a operação de retirada dos rejeitos da barragem já havia sido iniciada. Por ocasião do licenciamento no Copam de Minas Gerais, houve críticas pelo fato de se ter reduzido a categoria de classe 6 (que exige o licenciamento em três fases) para classe 4 (que permite o licenciamento em uma única etapa).

A barragem da mina Córrego do Feijão, que não recebia rejeitos desde 2014, estava incluída entre os 83% de barragens no estado que foram consideradas estáveis no cadastro elaborado pela Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente) de Minas Gerais.

O governo de Minas Gerais criou um grupo de crise para acompanhar o acidente e enviou autoridades ao local, assim como o governo federal, que deslocou três ministros para Minas Gerais, entre eles os de Meio Ambiente e Minas e Energia. Um contingente de dezenas de bombeiros militares está atuando na área, com o apoio de seis helicópteros.

Por conta do acidente, as ações da mineradora registraram queda de até 10% na bolsa de Nova Iorque. No Brasil, o mercado estava fechado, por conta do feriado paulistano, assim os reflexos deverão ser sentidos na segunda-feira. A Justiça de Minas Gerais já determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias da Vale.

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