10/04/2019
ARTIGO

A sustentabilidade na indústria do aço

Por Lisandro Peliciolli *
 
O Dia Nacional do Aço, criado pelo ex-presidente Getúlio Vargas em 9 de abril de 1941, homenageia esta liga metálica fundamental para o desenvolvimento das sociedades e de indústrias de diversos segmentos. Sendo um mercado base para a economia mundial com aplicações na construção, mineração, agricultura e transportes, o aço é utilizado em edificações metálicas, equipamentos de movimentação de minérios, maquinários agrícolas e em outros setores. Aços especiais, como por exemplo, de alta-resistência, já ganharam espaço no mercado por seus inúmeros benefícios em aplicações, como redução de peso de equipamentos e, consequentemente, aumento de produtividade e de capacidade de carga, além de gerar economia no consumo de combustível.
 
Tão importante em diversas cadeias produtivas, as siderúrgicas têm como principal desafio minimizar impactos ambientais nos segmentos em que atuam. Preocupada com uma produção mais limpa em seus processos produtivos, a indústria do aço engajou-se em contribuir com o desenvolvimento sustentável, utilizando soluções e avanços tecnológicos para reduzir os impactos ao meio ambiente e promover o uso racional de recursos naturais. Hoje, o processo de fabricação do aço se dá por meio da economia circular, que tem por princípio reduzir, reutilizar e reciclar materiais e produtos, diminuindo a quantidade de energia e matéria-prima usadas. Segundo dados do último Relatório de Sustentabilidade, divulgado pelo Instituto Brasileiro do Aço, 57% do consumo energético das siderúrgicas foi suprido por autogeração em 2017.
 
Dentre as principais características do aço, uma das que mais chama a atenção é ser 100% reciclável, ou seja, um produto socialmente amigável - é possível fazer o aproveitamento de toda matéria-prima, podendo ser empregada na fabricação de novos produtos siderúrgicos, sem qualquer perda de qualidade. Só em 2017, foram recicladas 8,9 milhões de sucata de aço. 
 
Apesar dos avanços sustentáveis alcançados pela siderurgia, a indústria do aço ainda é responsável por parcela considerável da emissão de dióxido de carbono e pela dependência dos combustíveis fósseis como matéria-prima, especialmente o carvão mineral. Estima-se que aproximadamente 7% de todo dióxido de carbono lançado na atmosfera é produzido pelas siderúrgicas em todo o mundo. 
 
No entanto, a solução para essa questão já está próxima de ser encontrada. A SSAB, multinacional sueca líder mundial na fabricação de aços de alta resistência, pretende ser a primeira usina siderúrgica a eliminar as emissões de dióxido de carbono ao desenvolver uma tecnologia para a produção de seus aços sem o uso de combustíveis fósseis e, dessa forma, fornecer uma importante contribuição para limitar significativamente as mudanças climáticas. 
 
A ideia por trás do projeto piloto, chamado Hybrit, que deverá ficar pronto até 2045, é substituir o processo de produção de aço feito atualmente por meio de alto-forno, que utiliza carvão e coque, por um processo baseado em gás hidrogênio. O objetivo da empresa, ao desenvolver esta tecnologia, é tornar a produção completa da SSAB livre de combustíveis fósseis. 
 
Antes mesmo da conclusão do projeto Hybrit, até 2025, a SSAB tem o objetivo de diminuir em 25% a emissão de CO2 através da conversão do alto forno de Oxelosund, Suécia, para um forno de arco elétrico. Junto com seus clientes, a SSAB trabalha continuamente no upgrade de materiais e também no desenvolvimento de novas aplicações com design inovador. Os benefícios da utilização de aços de alta resistência incluem a redução de peso e aumento da vida útil dos produtos, assim também como um aumento da economia de combustível. Todos estes benefícios contribuem significativamente para a redução de emissões de CO2 para o meio ambiente. 
 
Os caminhos para um planeta movido por energias limpas, despoluído e sustentável já estão traçados. O futuro da siderurgia é verde.
 
* Lisandro Peliciolli é Gerente Geral de Vendas da SSAB América do Sul – Atlântico
 

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