10/11/2016
FORUM BRASIL MINERAL

Setor precisa se unir para vencer desafios

Conclamando a união de todos os ‘atores’ para assegurar o desenvolvimento do setor mineral, Vicente Lobo – Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério das Minas e Energia, abriu a cerimônia do prêmio “Personalidades do Ano 2016 do Setor Mineral”, realizado anualmente pela revista Brasil Mineral, lembrando aos presentes os desafios imediatos a serem enfrentados: “o desaceleramento da China; a indefinição regulatório-jurídica, que trouxe incertezas ao setor; o afugentamento do capital externo; a falta de iniciativa na política de exploração mineral – onde começa a cadeia; o alto índice de desemprego do setor; e a falta de perspectiva de atuação dos novos profissionais que chegam ao mercado são situações que colocaram o setor em situação difícil”.  A edição do prêmio “Personalidades do Ano” foi realizada dia 8 de novembro, nas dependências do Centro Empresarial e Cultural João Domingues de Araújo, em São Paulo, e contou com o patrocínio das empresas Andritz Separation, Bosch, Univar e apoio da Mineração Buritirama.

Acreditando na vocação do País para a reversão do quadro, Lobo afirmou que algumas luzes começam a aparecer, trazendo indicativos que permitirão o redesenho do setor de forma inteligente, transparente e eficiente. Mas não sem algumas reflexões: “o papel do minerador no Brasil e no mundo vai ter que ser redesenhado, pois nossas responsabilidades se tornam maiores a cada dia – a sociedade está mais exigente, as comunicações com os contrários deverão ser mais diretas e nossa inserção no modelo socioambiental passou a ser a tradução da inteligência do setor. A mineração é e sempre foi o grande polo de desenvolvimento da humanidade, mas não dá mais para atuar como no passado. É preciso aumentar a interatividade, o desenvolvimento de tecnologias e sustentar projetos que tenham taxas de retorno atrativas, mas com total consciência da minimização dos impactos que causamos”.

Ao participar recentemente de um fórum latino-americano de mineração, Vicente Lobo lembrou das dificuldades comuns que países como Chile e Peru – de forte vocação mineral – enfrentam na obtenção de suas licenças sociais. Entretanto, enfatizou o aspecto positivo apresentado, por exemplo, pela Ministra do Chile, que detalhou na ocasião os planos de investimento do setor mineral para os próximos 15 anos, assim como seus pedidos em carteira e as ações de Pesquisa e Desenvolvimento. De acordo com Lobo, “o Brasil precisa aprender a fazer política de médio e longo prazo para a mineração. Mas ainda insistimos em trabalhar no curto prazo”, disse o especialista, demonstrando certa “inveja” quanto a essa capacidade de planejamento. Segundo o secretário, “para construir um país de futuro é preciso planejar uma carteira de futuro”.

Ou seja, inserir a vocação mineral dentro do contexto mineral brasileiro – a representatividade de 4% do PIB e 25% da balança comercial precisam ser entendidos e traduzidos para a sociedade, até como forma de crédito ao setor. É isto que a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral está buscando construir: “primeiro, resgatar o tripé de assentimento, relacionamento e edificação dos órgãos que definem a política pública do País, reduzindo a animosidade e criando um ambiente de trabalho conjunto”, enfatizou Lobo.

Há 10 dias foi assinada uma portaria celebrando a participação de gestão conjunta entre a CPRM e o DNPM, o que fortalece o setor. Na ocasião, foram colocadas quatro áreas do ativo da CPRM dentro do programa de parceria de investimentos do Governo e alguns grupos internacionais já demonstraram interesse de investir em exploração e pesquisa – “o objetivo não é fazer dinheiro e sim fazer riqueza com essas áreas”, ressaltou lobo, acrescentando que até o primeiro semestre de 2018 esses ativos deverão estar à disposição dos investidores – especificamente projetos de fosfato, cobre e zinco.

Logo após o pronunciamento do Secretário Vicente Lobo, teve início o Fórum Brasil Mineral, dividido em duas mesas redondas, coordenadas pelos jornalistas Ivo Ribeiro (do Valor Econômico) e Francisco Alves (editor da revista Brasil Mineral), onde as personalidades premiadas puderam expor sua visão sobre a situação atual e perspectivas de seus respectivos setores. Os eleitos deste ano foram: Lúcio Cavalli (da Vale, em Minerais Ferrosos), Silvano Andrade (da MRN, em Minerais Não-Ferrosos), Hélcio Guerra (da AngloGold Ashanti, em Metais Preciosos), Nelson Tsutsumi (da Votorantim Cimentos, em Agregados e outros Minerais para Construção), Marcos Moreira (da Imerys, em Minerais Industriais), João Luiz Carvalho (da Geosol, em Exploração Mineral), Paulo Abrão (da Geoconsultoria, em Engenharia e Tecnologia Mineral) e Roberto Villas Boas (in Memoriam, em Pioneiros da Mineração).

A cobertura completa da premiação será publicada na próxima edição da revista Brasil Mineral. 

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