07/06/2018
PEDRAS PRECIOSAS

Rio e Bahia fomentam negócios

A Associação de Joalheiros e Relojoeiros do Rio de Janeiro (Ajorio) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) levaram um grupo de empresários para conhecer as minas de Campo Formoso (BA) com o objetivo de fomentar negócios e aproximar as duas pontas da cadeia produtiva do setor. Da missão nasceu a parceria entre as duas instituições e a prefeitura do município, que vai levar designers cariocas para realizarem workshops de criação e desenvolvimento de produto com as esmeraldas de custo mais baixo. Atualmente, apenas 5% da produção – cerca de 3 mil kg/mês - correspondem às esmeraldas extras, usadas na alta joalheria, enquanto o restante, pedras de qualidade inferior, são comercializadas principalmente com indianos. 
 
A parceria quer formar mão-de-obra para o artesanato e, desta forma, movimentar o comércio e turismo da região do Norte da Bahia. Também serão financiados cursos de lapidação no Laboratório de Joias do Senai, no Rio de Janeiro, para jovens, a fim de aprimorar a produção de pedras lapidadas que serão vendidas para as joalherias nos grandes centros, carentes de matéria prima de qualidade. “Viemos a Campo Formoso para conhecer de perto a realidade da produção de pedras e identificar as necessidades, porque temos muita coisa para melhorar”, afirmou a presidente da Ajorio, Carla Pinheiro. “As pedras preciosas podem e devem deixar renda, emprego e riqueza no nosso país. E hoje não é o que acontece. O que vemos são iniciativas individualizadas, feitas por pessoas que acreditam, que lutam no dia a dia, mas que não contam com apoio que deveriam ter do poder público”, avaliou. A missão Ajorio e Firjan já passou por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Piauí.
 
Para a especialista em Joias da Firjan, Eliana Andrello, a troca de experiências é importante para os dois lados. “Nós temos hoje, no Rio, uma expertise na fabricação, com tecnologia avançada e indústrias bem equipadas, mas dependemos da matéria prima que vem de outros estados, porque não temos a mineração, nem a lapidação mais. Na Bahia, eles têm as gemas, mas falta a industrialização da joia. Identificamos aí uma janela de oportunidade na educação, o que será feito em parceria para promover a qualificação destes profissionais”, relatou. 
 
Segundo números do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), as exportações somaram US$ 23,8 milhões em 2017. Os principais produtores estão em Itabira (MG), em Campos Verdes (GO) e na Serra da Carnaíba (BA), no município de Pindobaçu, vizinho a Campo Formoso. Na Bahia, a extração é realizada por mineradores organizados na Cooperativa Mineral da Bahia (CMB), que agrega os garimpos da Carnaíba e Socotó, hoje, com 28 minas em produção. A estimativa, segundo geólogos, é de que existam pedras a até 500 metros de profundidade, sendo que nem 7% foram explorados ainda. Por mês, são retirados cerca de 3 mil kg da pedra bruta, e o faturamento gira em torno de US$ 3 milhões.

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