26/08/2015
AGRONEGOCIO

Para cientista, 40% dos solos do mundo estão degradados

Segundo o cientista Paul Fixen, vice-presidente sênior do International Plant Nutrition, cerca de 40% dos solos no mundo estão degradados. A afirmação foi feita durante o 5o. Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) no dia 25 de agosto, em São Paulo. Ele proferiu a palestra “Solos, Fertilizantes e Segurança Alimentar”, destacando a importância das boas práticas com o manejo do solo para assegurar o constante aumento de produtividade necessário para garantir alimentos para o mundo. “Isso será cada vez mais fundamental, pois a estimativa é de que o mundo terá de produzir nos próximos 50 anos a mesma quantia de alimentos que já foi produzida ao longo da história, desde que o homem desenvolveu a agricultura”, disse.

O congresso teve como tema “Solos e Fertilizantes, Pilares da Segurança Alimentar Global” e reuniu os maiores especialistas no tema, além de autoridades públicas e lideranças do agronegócio. De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Anda, George Wagner Bonifácio e Sousa, o evento acontece num momento de grande incerteza econômica e política do País, que torna ainda mais urgente as reivindicações do setor que, segundo ele, podem ser resumidas em ter uma política adequada de seguro agrícola, melhor infraestrutura de logística, estratégia adequada de acordos comerciais com países relevantes e uma ampla reforma trabalhista que levem em conta as peculiaridades do agronegócio. 

Além de George Wagner, também participaram da abertura do evento, o secretário-adjunto da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Rubens Rizek; o secretário de Logística e Transporte de São Paulo, Duarte Nogueira; o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho e o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Reinaldo Cantarutti. 

Fixen salientou ainda que estudos indicam que fazendas com uma gestão adequada dos solos permite aumentar em até 58% a produção de alimentos. “Infelizmente, boa parte dos países do mundo não tem cuidado bem dos solos, uma vez que nada menos que 40% deles estão degradados”, informou. Segundo  cientista, em algumas regiões da África, essa degradação atinge a marca de 65%. “Estima-se que metade dos solos agriculturáveis no mundo foram perdidos nos últimos 150 anos”, completa.

Fixen também destacou o decisivo papel dos fertilizantes na produção de alimentos. Em sua opinião,  entre 40% e 60% da produção mundial de alimentos depende do uso de fertilizantes. “O que temos de fazer hoje é lançar mão de toda a tecnologia ao nosso dispor para fazer uma adubação cada vez mais eficiente, quase que adaptada a cada planta, de forma a aumentar a produtividade sem desperdiçar insumos e, ao mesmo tempo, evitar impactos ambientais decorrente de adubação excessiva e desnecessária”, concluiu.

O segundo painel, que teve como tema  “Solo, Fertilizantes e Agro-sociedade” foi ministrado por José Luiz Tejon, diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, o qual destacou que a rápida transformação por que passa o planeta, bem como o agronegócio, demandam um novo posicionamento de todo o mercado. “Precisamos aprender a conversar com o cliente de nosso cliente, que é o consumidor final. Não podemos mais manter o nível de informação apenas dentro da cadeia”, afirmou.

Um exemplo dessa mudança é que o consumidor final está cada vez mais atento com o que ele consome em termos de alimentos e, com isso, vem crescendo a importância em conhecer a origem do alimento consumido, de como é seu processamento, e se ele é sustentável. Por isso, atualmente, as companhias estão atentas para levar a informação para seu cliente. 

O Brasil, de acordo com o palestrante, é uma instituição de segurança estratégica mundial obrigatória no que tange ao fornecimento de alimentos para o mundo, cuja estimativa é alcançar, em 2050, 10 bilhões de pessoas. “Avalio que o agronegócio precisará superar sete desafios para manter esse posicionamento: preço de terra, população, desperdício de alimentos e insumos, consumidor mais exigente, ciência com maior capilaridade, entendimento sobre o funcionamento das cadeias produtivas e mudança de mentalidade do produtor rural”.

Durante o congresso, a ANDA fez uma homenagem especial ao engenheiro agrônomo e empresário do setor, Wilson Alves de Araújo, que dedicou cerca de 70 anos ao setor de fertilizantes, como pesquisador, empresário e liderança setorial e que também teve atuação decisiva no processo de criação e fortalecimento da ANDA.

Em coletiva de imprensa, promovida durante o evento, a ANDA anunciou que lançará, em setembro, uma plataforma digital que reunirá informações sobre os vários aspectos relativos ao setor de fertilizantes. Denominado Nutrientes para a Vida, o site, que já existe nos Estados Unidos, pretende ser uma fonte de informações para levar os conceitos corretos da indústria de fertilizantes, levando em consideração aspectos econômicos, sociais, tecnológicos e também de sustentabilidade. Os dirigentes da entidade enfatizaram também que o segmento reforça seu compromisso de continuar a suprir adequadamente a demanda brasileira por fertilizantes na atual safra.

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