18/07/2019
ARTIGO

Na Copa da Mineração, Peru 2 x 1 Brasil!

Por Luís Maurício Azevedo *
 
Num momento em que finalmente recuperamos nosso prestígio futebolístico, brinquei com um amigo, Cesar, um minerador peruano que veio aqui para a Copa América: “Cesar, o Campeão Voltou!”. Ele, brincando, concordou, mas imediatamente me devolveu: “En el fútbol sí, pero en la minería el juego es 2x1, y tú también pierdes ante Chile y Argentina". Não entendi e fui atrás da explicação.
 
Meu amigo está certo. Perdemos totalmente nosso protagonismo mineral na América Latina. Já somos o nº 4 em atratividade e produtividade mineral, e em breve devemos ser superados pela Colômbia que, junto com Peru, Chile e Argentina, somam menos de 70% de nossa extensão territorial. 
 
Mas voltemos ao Cesar e ao Peru. O Peru há 15 anos tinha 80% de pobres e hoje tem apenas 20%; os salários por lá aumentam 3% ao ano; e nos últimos 5 anos o Peru saiu de uma inflação de 7.600%, nos anos 1980, para 2% em 2019. As vendas externas aumentaram de US$ 87 bilhões para US$ 236 bilhões em aproximadamente 15 anos. 
A mineração por lá representa 60% das exportações (aqui no Brasil são 20%), e o Peru deve crescer ainda mais em 2019, em especial as comodities Zinco 8.7%, Estanho 4.5% e Cobre 1.4%, (aqui em ferro e alumínio podemos ter redução, sob os efeitos de Brumadinho e Hydro). 
 
Com um plano de incentivos fiscais, o Peru arrecadou mais de US$ 1,1 bilhão por ano para ajudar no orçamento do Estado e financiar o novo governo. As mineradoras agora pagam royalties com base em seus lucros operacionais, variando de 1% a 12%, em vez do sistema antigo, onde pagavam de 1% a 3% com base nas vendas. Vejam a contradição: aqui o senado que taxar em 40% os grandes projetos! Eles também pagam um novo imposto conhecido como “Imposto especial sobre mineração” com base em uma escala móvel, com taxas marginais progressivas variando de 2% a 8,4% dos lucros operacionais da empresa.
 
Cesar, meu amigo, está certo! O Peru cresce e atrai cada vez mais investimentos, principalmente junto ao Canadá (vide figura acima), e dá mesmo de 2x1 no Brasil na Mineração. Do jeito que vão as coisas, certamente na próxima Copa América não ligarei para o Cesar, pois corro o risco de perder de 7x1!
 

* Luis Azevedo é geólogo, advogado, presidente da ABPM, fundador da FFA Legal, de diversas Junior Companies em TSX, ASX e AIM (Talon, Avanco, Harvest, Jangada, Five Star, Paringa, etc.), nas quais atua como diretor.
 
Fontes: O Globo 15.7.19.
 

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