23/08/2017
SIDERURGIA

Nível de ociosidade no País é de quase 40%

“O índice de ociosidade da indústria do aço é, atualmente, de 37% da capacidade instalada. Quase 47 mil trabalhadores foram demitidos. Precisamos quebrar o ciclo vicioso em que estamos vivendo em que, para se diminuir o déficit público, onera-se o setor privado”. Este foi o breve diagnóstico do setor siderúrgico brasileiro traçado pelo presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, Alexandre Campos Lyra, durante o Congresso Nacional do Aço, realizado nos dias 22 e 23 de agosto, em Brasília e que contou com a presença do presidente Michel Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 
 
Apesar desse quadro, o Instituto prevê que em 2017 a produção nacional de aço deve apresentar crescimento de 3,8% em relação a 2016, podendo atingir um volume de 32,5 milhões de toneladas. Mesmo com o crescimento da produção, o setor deve fechar o ano com um nível de utilização da capacidade instalada de apenas 63%, contra uma média global de 73%.  
 
Produção cresce 10,6% até julho 
 
Segundo balanço do Instituto Aço Brasil (IABr), a produção brasileira de aço bruto alcançou 19,7 milhões de toneladas nos sete primeiros meses de 2017, um aumento de 10,6% quando comparado ao mesmo período do ano passado. A produção de laminados foi de 12,8 milhões de toneladas de janeiro a julho, um acréscimo de 5,4% frente ao acumulado nos mesmos meses de 2016. 
 
As vendas internas somaram 9,5 milhões de toneladas até julho, uma queda de 1,3% em relação ao mesmo período de 2016. O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos atingiu 10,9 milhões de toneladas de janeiro a julho de 2017, um crescimento de 3,7% sobre os sete primeiros meses de 2016. Para base de comparação, há de ressaltar que a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) iniciou suas operações no segundo semestre de 2016. Por esta razão há uma superestimação das variações positivas nos dados de produção de aço bruto e semiacabados. A partir do segundo semestre de 2017 essas distorções irão se reduzir um pouco a cada mês.
 
As importações somaram 1,4 milhão de toneladas até julho, 66,5% a mias que no mesmo período do exercício passado. Em volume, as importações cresceram 42,4%, para US$ 1,3 bilhão. Já as exportações geraram receita de US$ 4,3 bilhões e volume de 8,4 milhões de toneladas, incremento de 44,1% e 10,4%, respectivamente. Também em relação às exportações, os resultados foram impactados pela entrada da CSP no mercado no segundo semestre do ano passado, cuja produção é destinada majoritariamente ao mercado externo. Assim, os números acabam inflados pela diferença na base de comparação. 
 
Apenas em julho deste ano a produção brasileira somou 2,8 milhões de toneladas, uma expansão de 1% frente ao mesmo mês de 2016. Já a produção de laminados foi de 1,8 milhão de toneladas, queda de 3,3% quando comparada com o apurado em julho de 2016.
 
O consumo aparente foi de 1,6 milhão de toneladas em julho, 9% a mais do que o mesmo mês de 2016. As vendas internas cresceram 3,2% na mesma base de comparação, totalizando 1,4 milhão de toneladas.
 
As importações cresceram 83,8%, para 204 mil toneladas e aumentaram 50% em valor, para US$ 198 milhões também na comparação entre julho de 2017 e julho de 2016, enquanto as vendas externas atingiram 1,1 milhão de toneladas ou US$ 553 milhões, o que representa um aumento de 19,5% em volume e crescimento de 37,2% em valor.