01/02/2018
TRATAMENTO DE MINÉRIOS

Biopolímero pode “revolucionar” métodos tradicionais

O grupo norte-americano Oceans Technology Group está trazendo para o Brasil o primeiro polímero viscoelastomérico criptobiótico no mundo, produzido à base de algas, que atua como plastificante, inibidor de corrosão e isolante térmico.

O produto, denominado Zero ThermalTM, é certificado pela USDA dos EUA como produto de base biológica e pode ser usado em processos de separação e concentração de minérios e na bioremediação de áreas contaminadas.

Segundo José Fernando Iasbech, que representa a empresa no Brasil, na área de mineração o produto pode contribuir para reduzir acentuadamente custos de britagem e moagem, substituir totalmente cianeto e mercúrio nos processos de extração de ouro e prata, promover o tratamento ecológico dos rejeitos de minas recuperando os metais nobres remanescentes nesses rejeitos. O custo do produto “é inferior ao cianeto de sódio e mercúrio e os resíduos de água e da mina já são descontaminados” e não há necessidade de mudanças no processamento, sendo necessário apenas o equipamento de dosagem e monitoramento.

Nas operações de britagem e moagem, o biopolímero da Oceans é usado para tratar o minério antes da moagem, através de pulverização ou imersão, dando início à quebra de ligações covalentes das estruturas dos minerais (cominuição química) e reduzindo os custos com energia no processo de moagem. Nos moinhos de bolas, uma das versões do produto forneceria propriedades superiores de lubrificação e anticorrosão, reduziria o número de bolas de aço e prolongaria a vida útil das mesmas em 2 a 3 vezes, além de substituir nitratos utilizados no processo de moagem e produzir partículas menores, o que reduziria custos com energia, já que o processo requer menos tempo.

Na separação e flotação de metais preciosos, o produto pode substituir, de forma ecológica, o cianeto de sódio e o mercúrio, bem como os surfactantes e sulfatos que são atualmente utilizados. Além disso, aumenta o rendimento e a pureza do ouro e prata extraídos, já que as ligações iônicas dos contaminantes são quebradas, assim como as ligações covalentes.

Na gestão de rejeitos de mineração, o produto possibilita a extração do ouro e prata remanescentes e a água tratada pode ser reciclada ou liberada para os cursos de água locais. “Os solos inertes podem ser convertidos em materiais de cimento verde e usados, por exemplo, para infraestrutura rodoviária ou habitação social na comunidade local”, informa a empresa.

Em meados de janeiro, a Oceans fez uma demonstração da utilização de seus produtos para profissionais da área acadêmica e de empresas mineradoras, no Laboratório de Tratamento de Minérios e Resíduos Industriais (LTM) do Departamento de Engenharia de Minas da EPUSP. Foram realizados testes tanto na área de tratamento de minérios (com minérios de zinco, cobre e bauxita) e em material colhido de solos contaminados.

 

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