04/04/2019
SALGEMA

ANM exige ações da Braskem no Pinheiro

A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou uma série de exigências em relação aos poços de extração de salgema mantidos pela Braskem em Maceió (AL). De acordo com o relatório da ANM, a petroquímica já cumpriu alguns itens, mas outros como drenagem hídrica de águas pluviais e o isolamento de fraturas no terreno aguardam "adesão das autoridades públicas locais para implementação". A contratação de especialistas e elaboração de pré-projetos, porém, já teria sido feita pela Braskem. 
 
A Braskem solicitou estudo com sonar atualizado, de estabilidade e de integridade estrutural das cavidades de extração de salgema. Entre os objetivos do estudo estão prever o fechamento das cavidades com o tempo e o impacto na superfície e verificar a estabilidade global do grupo de cavidades e a situação estrutural dos pilares entre as cavidades e o maciço de rocha salina. O estudo também vai simular o "comportamento dinâmico do fenômeno de reativação da falha geológica e previsão da propagação das ondas sísmicas em superfície e em profundidade". A conclusão depende da interpretação dos dados sísmicos e está prevista para o primeiro semestre de 2019.
 
A ANM determinou também avaliação, com imagens de satélite, de uma possível movimentação horizontal ou vertical da região de mineração ao longo dos últimos anos. Chamado de interferométrico, o método permite obter a velocidade de deformação anual com uma precisão de milímetros e, com o resultado, será possível ver se a velocidade de deformação é contínua ou se está acelerando. "Serão obtidos dados de 2011 a 2019 com medição de deslocamentos de pontos do terreno, mas sem sua direção. Entre 2017 e 2019, estarão disponíveis dados de movimentações em milímetros/ano com suas direções, indicando se são movimentos verticais ou horizontais", aponta o relatório. Os levantamentos estão em curso e devem ser concluídos no início de maio. Outra exigência da ANM é a construção de um modelo 3D da região de mineração "contendo estruturas de superfície, litologia e dimensional das cavidades salinas". 
 
A Braskem ainda deve "realizar poço vertical profundo (1.300 metros) estratigráfico, por sondagem rotativa com recuperação de testemunhos das rochas de todo o perfil lito-estratigráfico, além de apresentar relatórios mensais de medição do avanço de todos os trabalhos em desenvolvimento para atendimento das condições formuladas pela ANM, que vem acompanhando também as pesquisas feitas pelo Serviço Geológico do Brasil. A ANM afirma que os estudos devem ser acompanhados por medidas de efetivo monitoramento de possíveis movimentos de terreno no bairro Pinheiro para saber se eles estão aumentando e em que velocidade. A agência também quer descobrir quais eventos poderiam surgir a partir disso e qual o risco ou a probabilidade de eles realmente acontecerem.
 
Com as investigações recentes no bairro do Pinheiro, a Braskem realiza estudos adicionais e presta apoio às autoridades públicas para ajudar na elucidação das causas. Dentre as exigências da ANM, a Braskem já concluiu a coleta de dados da análise sísmica no bairro, realizada pela empresa americana Panamerican Geophysical, especializada em pesquisas geofísicas e reconhecida internacionalmente, envolvendo cerca de 32 km de linhas. O processamento destas informações será enviado aos órgãos competentes nos próximos 40 dias. Já para o Sonar nos poços ativos e desativados a companhia afirma ter contratado a francesa Flodim, cujos trabalhos estão em andamento. Sondas extras foram contratadas para agilizar o processo, além das três que já operam simultaneamente. Outras pesquisas adicionais estão em andamento e todos os resultados serão encaminhados à ANM e às demais autoridades.  

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