24/02/2017
MURILO FERREIRA

“Não sou eu que vou colocar a mobília”

O setor mineral foi surpreendido na manhã do dia 24 de fevereiro com o anúncio, feito pela Vale, de que o presidente Murilo Ferreira não renovará seu contrato, que vence em maio próximo. Em teleconferência com a imprensa, Ferreira afirmou que sua decisão havia sido tomada na noite anterior, após informações dadas por um colunista de O Globo no sentido de que uma reunião na manhã do dia seguinte decidiria o futuro do atual presidente da mineradora. Murilo Ferreira confirmou a realização da reunião, mas não informou quem participou nem o que foi decidido.

Na conferência com a imprensa, o presidente da Vale fez um rápido balanço de sua atuação à frente da companhia, afirmando que assumiu a empresa em um momento extremamente desafiador, no final do Superciclo das commodities minerais – quando as mineradoras se beneficiaram do boom de preços. “Em um ano, nossa receita caiu 80%”, salientou, acrescentando que mesmo assim a Vale soube restaurar sua competitividade e implantou projetos como o S11D Eliezer Batista, Moatize/Nacala e Long Harbor (este no Canadá).

Ele alegou que sua decisão de deixar a presidência da companhia em maio deve-se ao fato de que estaria completando 65 anos em 2018 e que há uma regra aprovada no Conselho prevendo que a presidência não poderia ser ocupada por alguém com mais de 65 anos.

Indagado sobre possíveis pressões políticas para que deixasse o cargo, ele disse que as pressões fazem parte do dia a dia da empresa, que depende de concessões governamentais para operar. “Em 2011, quando assumi a presidência, dizia-se que eu teria vindo com a função de implantar diversas siderúrgicas, para verticalizar a empresa. Embora tenhamos trabalhado em conjunto com as siderúrgicas, não implantamos nenhuma usina”, disse, acrescentando que uma empresa como a Vale não pode ser dirigida com um viés político-partidário.

Perguntado sobre seu possível sucessor, Ferreira disse não ter idéia de quem poderia ser. Mas deixou um recado: “construímos uma casa sólida, com custos compatíveis, com boas fundações. Porém, é uma casa sem luxo. Não sou eu que vou colocar a mobília”.

Escolha do sucessor

O Conselho de Administração da Vale, em nota assinada por seu presidente, afirmou que o processo de escolha de um sucessor para o cargo “ocorrerá em conformidade com as regras de governança atualmente vigentes. A seleção contará com apoio de empresa internacional de seleção de executivos e a nomeação do novo diretor-presidente ocorrerá em reunião do Conselho de Administração”.

O Conselho elogia a gestão de Murilo Ferreira, afirmando que a mesma foi marcada “pelo reposicionamento da Vale como uma empresa mais enxuta, de baixo custo e com processos mais simples e eficientes”.